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“Mostra Pitanga” homenageia Antonio Pitanga

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O Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro apresenta a “Mostra Pitanga”, maior retrospectiva cinematográfica já realizada sobre a trajetória do ator, diretor e ícone do Cinema Novo Antonio Pitanga. Ao longo de quatro semanas, o público poderá assistir, gratuitamente, a 38 filmes, entre longas, médias e curtas-metragens, que atravessam diferentes momentos do cinema brasileiro e ajudam a contar a história de um dos artistas fundamentais para a consolidação do protagonismo negro nas telas do país.

Com curadoria de Camila Pitanga e Thiago Ortman, a programação reúne sessões comentadas, debates, curso gratuito, leitura dramática e um catálogo inédito da mostra sobre a carreira do homenageado. O projeto é realizado pela Lúdica Produções, com coordenação-geral de Diogo Cavour e produção-executiva de Ana Gabriela Dickstein. Além disso, a retrospectiva revisita obras centrais do Cinema Novo, movimento do qual Pitanga foi um dos rostos mais marcante.

Para a curadoria, a escolha dessas obras busca destacar o papel do artista como um elo entre gerações. “Meu pai é um ator contemporâneo e um pilar do cinema brasileiro. Ele tem essa vivência de tradição e de um cinema disruptivo, um cinema de invenção, e vem acompanhando a nossa história. A nossa intenção foi fazer essa ponte entre esse legado que se inaugura no Cinema Novo e o hoje, criando um diálogo também com a cinematografia contemporânea”, pontua Camila Pitanga.

O percurso também joga luz sobre títulos raros da filmografia do ator, como o curta-metragem “Colagem” (1968), de David Neves, o longa “Uma nega chamada Tereza” (1973), de Fernando Coni Campos, obra que tem a presença performática de Jorge Ben, e ainda o contemporâneo “Bom Dia, Eternidade”, único filme de Rogério de Moura, falecido em 2024. Além disso, serão exibidos filmes em versões restauradas em 4K, como “A Grande Feira” (1961) e “Tocaia no Asfalto” (1962), dois longas do cineasta baiano Roberto Pires, precursor do Cinema Novo.

A trajetória de Antonio Pitanga também atravessa o teatro e a militância cultural. Como parte da programação, a mostra promove a leitura dramática de “O Poder Negro” (1967), espetáculo de LeRoi Jones censurado durante a ditadura militar em sua montagem brasileira, realizada pelo Teatro Oficina e dirigida por Fernando Peixoto. A leitura será feita integralmente por Ítala Nandi e Pitanga, atores originais da peça, em um reencontro histórico que marca a primeira releitura do texto pelos protagonistas desde a montagem original.

O público também poderá participar do curso gratuito “Oferendas narrativas para uma história dos cinemas negros no Brasil”, ministrado pela pesquisadora e curadora de cinema Janaína Oliveira. O curso visa abrir caminho para possibilidades de reflexões sobre as cinematografias negras no país para além dos debates com base no binômio representação/representatividade, tão presente nas ponderações e práticas atuais. Referência nos estudos sobre cinemas negros e africanos, Janaína é professora do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), professora do PPGCine (da UFF) e consultora da JustFilms – Fundação Ford. As inscrições podem ser feitas através deste link.

A programação reúne ainda mesas de debate, como “A escrita com o corpo: cinema, política e a questão racial no trabalho de Pitanga”, com participação da fotógrafa, diretora e roteirista Safira Moreira e da cineasta, coreógrafa, curadora e pesquisadora Carmen Luz; e “Pitanga e o seu legado”, com mediação da jornalista Maju Coutinho e participação da atriz e poeta Elisa Lucinda, do crítico de cinema Juliano Gomes e do homenageado, Antonio Pitanga.

Segundo o curador Thiago Ortman, a retrospectiva reafirma a importância da trajetória de Pitanga para a história do audiovisual brasileiro e para a consolidação do protagonismo negro no cinema nacional. “Embora haja vitórias e avanços importantes, dos quais Pitanga foi figura fundamental, ainda existe uma longa caminhada rumo à democratização do audiovisual”, afirma.

Complementando a programação, a mostra apresenta seu catálogo inédito sobre a carreira do homenageado. A publicação reúne entrevistas, críticas históricas e textos inéditos, produzidos especialmente para o catálogo, de autores como Joel Zito Araújo, Carmen Luz e Tatiana Carvalho Costa. O livro traz também textos de pesquisadores e críticos, como Jean-Claude Bernardet, José Carlos Avellar e Alex Viany, além de escritos de cineastas como Glauber Rocha e Rogério Sganzerla. O material ainda apresenta fotos de bastidores, documentos de arquivo e textos escritos pelo próprio Pitanga. Na apresentação de quatro ingressos de filmes ou atividades da mostra, os visitantes ganharão um livro-catálogo. 

SERVIÇO: 3 a 29 de junho de 2026 / Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro – CCBB RJ Entrada gratuita mediante ingressos disponíveis na bilheteria física ou no site do CCBB (bb.com.br/cultura)

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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