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“A Moratória”, de Jorge Andrade, ganha nova encenação

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Um dos textos mais emblemáticos da dramaturgia brasileira, “A Moratória, de Jorge Andrade, ganha nova encenação sob a direção e concepção de Daniel Herz. O espetáculo tem como proponente o produtor e diretor de produção Marcos Arzua, que convidou a Cia. Churros de Polvo e Daniel Herz para levar à cena o clássico do teatro brasileiro, propondo uma leitura contemporânea da obra. 

Escrita nos anos 1950, a peça retrata o colapso de uma família tradicional diante da perda de status social e da incapacidade de adaptação a um mundo em transformação. Ao abordar a decadência das elites agrárias após a crise do café de 1929, o texto expõe tensões econômicas, afetivas e morais que ainda ecoam na sociedade brasileira. 

O processo de criação do espetáculo começou com um intenso trabalho de contextualização e imersão histórica, ministrado por Marcos Arzua. Antes mesmo do início dos ensaios de cena, o elenco foi convidado a mergulhar no universo social, econômico e cultural que atravessa a obra de Jorge Andrade. 

Como parte desse processo, os atores visitaram diferentes lugares ligados à história do café e à formação econômica do país. No Rio de Janeiro, o grupo esteve no Centro Cultural Banco do Brasil, edifício que já abrigou a antiga Bolsa de Valores, além de diversos pontos históricos da cidade. Entre os locais visitados estão também a Floresta da Tijuca e o Parque Lage, áreas que no século XIX sofreram intenso desmatamento para a plantação de café. 

A pesquisa seguiu para o Vale do Café, com destaque para a cidade de Vassouras. O elenco visitou a Casa da Hera, importante patrimônio histórico da região e o único imóvel que mantém preservados seus interiores e mobiliário originais de época. O casarão terminou pertencendo a Eufrásia Teixeira Leite, cuja atuação foi fundamental para a preservação da memória ligada ao ciclo do café. 

” “A Moratória”, de Jorge Andrade, fala da queda de um mundo e da dificuldade de aceitar o fim. Mais do que uma crise econômica, a peça expõe personagens que tentam adiar a perda, suspender o tempo e preservar identidades que já não se sustentam”, conta Daniel Herz.

Como escolha dramatúrgica da encenação, os personagens Lucília, Marcelo e a tia Elvira são interpretados em sistema de revezamento entre os integrantes da companhia, permitindo que diferentes presenças revelem novas camadas desses papéis ao longo da temporada. 

SERVIÇO Temporada: 5 a 26 de junho/ às sextas e sábados, 20h, e domingos 19h (durante o mês de junho. Nos dias 13 e 19 de junho não haverá sessão em função dos jogos do Brasil na Copa / Local: Teatro Laura Alvim – Av. Vieira Souto 176, Ipanema / Classificação indicativa: 12 anos. / Ingressos:  FUNARJ – Ingressos Oficiais 

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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