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“Manual dos bons modos do término” na Sede Cia dos Atores

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Em uma terça-feira comum, dentro de um museu, Helena reencontra um antigo Amor. O encontro desencadeia uma travessia por lembranças de uma relação que terminou, mas que permanece viva em imagens, fantasias e perguntas sem respostas. “Manual dos bons modos do término” acompanha essa trajetória a partir de três versões de uma mulher diante das mudanças provocadas pelo amor.  

Com dramaturgia original de Luiza Porto, que também integra o elenco, e direção de Vic Faccin, a montagem do Grupo Cacareco parte desse acontecimento corriqueiro — o fim de uma relação — para discutir identidade, mudança, frustração e recomeços. Em cena, a memória de Helena se mistura à ficção, ao melodrama e ao absurdo, expressando diferentes possibilidades de elaborar aquilo que acabou. 

A protagonista é interpretada por três atrizes: versões de Helena determinadas pelo tempo, escolhas e relações que viveu. Contracenando estão três figuras amorosas, chamadas simplesmente de Amor, e sua parceira atual, compondo uma dramaturgia onde passado e presente se sobrepõem.

Mais do que discutir um término amoroso, a peça aborda fins e recomeços da vida em geral. Sem propor respostas prontas ou um manual literal, parte justamente da ausência de códigos para lidar com um ex-parceiro. 

A origem da peça está em uma cena curta escrita ao observar um antigo amor e perceber que algo que fazia parte da intimidade do casal — como uma característica física familiar — desapareceu, sem que o outro tenha acompanhado a mudança. 

Embora parta de uma situação corriqueira e busque abordá-la sem cinismo, o espetáculo recusa uma encenação estritamente realista. A linguagem cênica desloca o cotidiano por meio do humor, do melodrama, da fantasia e do surrealismo — uma das imagens centrais da montagem é a navegação: metáfora que afirma que seguir adiante não significa necessariamente apagar o que já foi vivido.

Embora parta de uma experiência universal, “Manual dos bons modos do término” a montagem aborda um ponto de vista jovem e feminino. As mulheres ocupam o centro da narrativa, enquanto as outras figuras surgem como partes das memórias, afetos e momentos que constituem a trajetória de Helena. 

Longe de buscar oferecer uma tese sobre o amor feminino, a montagem reconhece que as relações afetivas também atravessam a maneira como uma mulher percebe a própria identidade, seus desejos, sua autoestima e a capacidade de recomeçar.

Serviço: De 20 a 28 de junho. Sextas e sábados 21h; domingos 20h / Sede Cia dos Atores – Escadaria Selarón – r. Manuel Carneiro, 12, Lapa / Ingressos em  https://www.sympla.com.br / 14 anos

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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