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“Zona de Sacrifício: do ouro ao pó” no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular

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O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, unidade especial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (CNFCP/Iphan), no Catete, recebe exposição “Zona de Sacrifício: do ouro ao pó”.

Primeira exposição da fotógrafa e documentarista mineira Isis Medeiros no Rio, “Zona de Sacrifício: do ouro ao pó” é um projeto autoral de longa duração, fomentado pelo Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia (17ª edição). O projeto se desdobra em fotografia documental, audiovisual, pesquisa, escuta de territórios e uma exposição itinerante.

A partir da perspectiva de Chico do Poço das Antas, o filme registra os acontecimentos no Vale do Jequitinhonha – o nordeste de Minas Gerais detém 85% do lítio no Brasil. O lítio é o mineral essencial na fabricação de baterias para carros elétricos, celulares e sistemas de armazenamento de energia. A visitação é gratuita – de terça a sexta-feira 10h/18h; sábados, domingos e feriados, 11h/17h. 

“Nos últimos anos, tenho acompanhado de perto o avanço da mineração de lítio no Vale do Jequitinhonha, um território que aprendi a amar profundamente por sua cultura, pelas pessoas e pela força das comunidades que vivem ali”, afirma Isis Medeiros. Ao documentar e atualizar a forma como atuam as mineradoras, a artista visual põe em xeque a forma como essa nova corrida mineral é definida “transição energética verde”. “No território o que aparece são poeira, explosões, pressão sobre a água e impactos diretos na vida das pessoas. Isso levanta perguntas inevitáveis: mineração sustentável para quem? Mineração verde para quem? Como falar em mineração verde quando ela deixa rastros tão visíveis de destruição ambiental e de ameaça aos modos de vida locais? Esta exposição nasce dessa inquietação e da necessidade de tornar visíveis histórias e conflitos que muitas vezes permanecem invisíveis para o restante do país”, define Isis Medeiros.

O projeto fundamenta-se no conceito de “zonas de sacrifício” — áreas onde a exploração econômica é priorizada em detrimento da vida e do meio ambiente. Historicamente marcado por ciclos que vão do ouro ao diamante, o Vale do Jequitinhonha reencontra-se no centro de uma disputa global. Já são dois anos de trabalho permanente, tendo como base Araçuaí e Itinga, dois dos 54 municípios do Vale do Jequitinhonha atingidos pela mineração. No início do ano, a mostra teve uma primeira exibição no Instituto Federal do Norte de Minas Gerais, em Araçuaí. De acordo com Rafael Barros, o diretor do CNFCP, o trabalho de Isis Medeiros é fundamental sob vários aspectos. “É um trabalho sensível, possível de ser realizado graças à cumplicidade e proximidade entre a artista e as comunidades tradicionais do Vale do Jequitinhonha. Essas comunidades enfrentam a sanha predatória da exploração do lítio, que fere de morte os seus saberes e seus conhecimentos, além de sua dinâmica existencial inserida nesse território, de valor imensurável para a cultura popular brasileira”, enfatiza.

Serviço: Visitação: 2 de julho a 1º de novembro de 2026. Terça a sexta-feira, das 10h às 18h. Sábados, domingos e feriados, das 11h às 17h. Grátis / Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular – Rua do Catete, 179 | Galeria Mestre Vitalino – Museu de Folclore Edison Carneiro.

Domingo, 5 de julho, em função do jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, o Museu de Folclore Edison Carneiro estará fechado.

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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