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“Um País que é a Noite” desembarca no Teatro Candido Mendes

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Depois de lotar teatros em Portugal e ser apontado como um dos destaques da 32ª edição do Festival Porto Alegre em Cena, em 2025, o espetáculo português “Um País Que é a Noite” desembarca no Rio de Janeiro para duas apresentações especiais no Teatro Cândido Mendes, em Ipanema.

Com direção do dramaturgo e encenador Martim Pedroso, a peça imagina um encontro secreto entre os escritores Sophia de Mello Breyner Andresen e Jorge de Sena, duas das principais vozes da resistência intelectual ao Estado Novo, poucas horas antes da fuga de Sena para o Brasil, em 1959. O encontro, no entanto, é interrompido por agentes da PIDE, a polícia política da ditadura portuguesa.

Entre o teatro documental e o drama histórico, o espetáculo reconstrói o ambiente de medo, censura e perseguição vivido durante um dos regimes autoritários mais longos da Europa, ao mesmo tempo em que propõe uma reflexão sobre temas que permanecem atuais, como democracia, liberdade de expressão, intolerância política e o papel da cultura diante do autoritarismo.

“Embora a peça dialogue com um período específico da história portuguesa, ela fala do presente. Enquanto houver censura, perseguição ao pensamento crítico e ameaças à democracia, esta história continuará a fazer sentido. O teatro tem a capacidade de preservar a memória e impedir que o esquecimento se torne um novo instrumento de opressão”, afirma o diretor e dramaturgo Martim Pedroso. 

“Um País Que é a Noite” reconstrói um momento histórico, investiga a resistência como gesto humano e artístico. A montagem contrapõe pontos antagonistas, estabelecendo um diálogo entre passado e presente. O texto é resultado da colaboração entre a escritora e jornalista carioca Flávia Lins e Silva, a romancista luso-brasileira Tatiana Salem Levy e o dramaturgo português Martim Pedroso. 

“Não queríamos contar apenas uma história sobre Portugal. Queríamos falar da coragem de quem escolhe pensar, escrever e criar mesmo diante da violência do poder. A poesia, neste espetáculo, torna-se um ato de resistência e uma forma de manter viva a esperança”, aponta Flávia Lins e Silva.

A base dramatúrgica de Um País Que é a Noite está nas cartas trocadas entre seus personagens, que revelam a dimensão íntima de uma história atravessada pela repressão política. A partir desse material, os autores imaginaram um encontro de despedida que talvez nunca tenha acontecido, mas que, na cena, ganha contornos de eternidade por meio da força dos vínculos construídos na escrita.

“O texto nasceu do encontro entre diferentes olhares e sensibilidades. Nossa intenção foi construir uma narrativa que unisse rigor histórico e emoção, mostrando que os grandes acontecimentos políticos também atravessam a vida íntima das pessoas. É nesse cruzamento entre o coletivo e o individual que a peça encontra sua força”, destaca Tatiana Salem Levy.

Produzido pela Nova Companhia em coprodução com o Teatro da Trindade – INATEL, o espetáculo integra as comemorações dos 50 anos da Revolução dos Cravos e conta com financiamento da República Portuguesa, por meio da Direção-Geral das Artes e da Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril.

“A peça oferece ao público brasileiro uma oportunidade de conhecer uma produção que alia rigor histórico, força dramatúrgica e relevância política, reafirmando a arte como espaço de memória, reflexão e resistência. Assim como em Portugal, não podemos deixar a ditadura brasileira cair no esquecimento e montagens como essas são refresco para a memória social do nosso país”, finaliza a dramaturga Flávia Lins e Silva.  

Serviço: 9 e 10 de agosto Horário: 20h Local: Teatro Cândido Mendes – Rua Joana Angélica, 63 – Ipanema Classificação: 12 anos

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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