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“Espaço Liso”, do NAMATILHA, estreia no Mezanino do Sesc Copacabana

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O chão deslizante é objeto de pesquisa e palco para “Espaço Liso”, o espetáculo de dança do NAMATILHA espaço expandido de criação, que estreia no Mezanino do Sesc Copacabana. Com direção de Carolina Cony e Renato Linhares, a montagem é uma experiência cênica imagética, sonora e sensorial. Através dessa superfície deslizante de 36 metros quadrados, três performers, Camila Moura, Pedro Castella e Rafael Rocha, artistas da dança e do circo, trazem à tona a relação com a materialidade e o gesto como ato escultórico. 

Idealizado pela multiartista Camila Moura, o espetáculo partiu dos seguintes questionamentos ligados ao corpo e ao movimento: como eu sinto esse chão? Que memórias ele traz à tona? Quais paisagens podem emergir dessa superfície que desliza? Quais dilemas surgem quando o solo deixa de ser certeza e se torna instabilidade? 

O processo de criação de “Espaço Liso” teve início em 2024, com quatro residências artísticas. A primeira aconteceu na Bélgica, a convite da Instituição Passarelle, no centro de arte Buda, numa conexão viabilizada por artistas ligados à companhia Not Standing, que atua na fronteira entre dança e circo. 

Na sequência, o projeto foi contemplado pelo programa Sesc Pulsar, com uma residência ao lado do bailarino e coreógrafo gaúcho Adilso Machado, conhecido por unir a dança contemporânea às técnicas do circo. Na terceira residência, os três performers estiveram com o dançarino, coreógrafo e diretor de movimento fluminense Rômulo Galvão, que havia dirigido Camila em um trabalho anterior. A última foi realizada com a coreógrafa, intérprete e diretora de movimento carioca Alice Ripoll.

“Foi um processo de pesquisa de longa duração. Começamos desenvolvendo uma técnica de movimento centrada na interação com o chão deslizante, seguida de uma série de estudos cênicos que partiram de imagens, sensações e narrativas possíveis de surgir a partir da superfície lisa”, explica Camila Moura. “A direção do Renato Linhares e Carolina Cony trouxe novas subjetividades e pesquisas que somaram à ideia original de tatear esse chão de superfície lisa em busca de algo que não sabíamos ainda o que é”, completa a artista.

A poética do espetáculo dialoga com o conceito de ‘Espaço Liso’, dos filósofos franceses Gilles Deleuze e Félix Guattari, propondo uma reflexão sobre liberdade — individual e coletiva — que convida o público a revisitar as normas e estruturas que moldam nossa subjetividade e nossas relações sociais. A montagem também conversa com o texto autobiográfico “Peso”, do escultor norte-americano Richard Serra, no qual o artista reflete sobre a experiência da gravidade e da instabilidade material — temas que atravessam a relação dos performers com a superfície deslizante em cena.

A trilha sonora original é assinada por Ricardo Dias Gomes, multi-instrumentista com passagens pela banda Cê, que acompanhou Caetano Veloso, Brasov e Do Amor. Construída a partir de conversas e relatos sobre o processo de criação, a trilha combina paisagens sonoras experimentais, texturas eletrônicas, música concreta e uma escuta próxima à obra da pioneira da música eletrônica Éliane Radigue, resultando em composições que dialogam com a temática do espetáculo.

SERVIÇO Temporada: de 13 a 23 de agosto / quintas e sextas às 20h30 | sábados e domingos, às 19h / Local: Sesc Copacabana – Mezanino (Rua Domingos Ferreira, 160) / Vendas online: www.ingresso.com/eventos/local/sesc-copacabana / Classificação indicativa: livre. Duração: 70 min.

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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