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Marco Nanini estreia ‘Fim de Partida’ no Rio de Janeiro

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O dramaturgo irlandês Samuel Beckett (1906-1989) escreveu “Fim de Partida” nos anos 1950, sob o impacto da Segunda Guerra Mundial. Nesse cenário pós-apocalíptico, ele apresenta os personagens Hamm e Clov, símbolos de um mundo em ruínas físicas e emocionais. Mais de sete décadas depois, a peça ainda dialoga com o atual estado do mundo, o que motivou esta nova montagem que estreou em São Paulo com imenso sucesso e uma temporada inteira com lotação esgotada.

Em cena, Hamm (Marco Nanini) e Clov (Guilherme Weber) possuem uma trágica dependência física e emocional, em um vínculo atravessado pela violência  e pela crueldade cotidiana, em uma tragicomédia ácida e também melancólica. Presos em um espaço claustrofóbico, os personagens enfrentam uma realidade desprovida de sentido, marcada por repetições, jogos de poder e uma espera que nunca se resolve.

‘Costumo dizer que Beckett, fica orbitando a cabeça dos atores contemporâneos, pois oferece um imenso desafio com os múltiplos caminhos que a sua obra permite’, conta Nanini, que já pensava em encenar algum texto do autor irlandês quando aceitou de pronto a provocação de Guilherme Weber, responsável pela sugestão para atuarem juntos em ‘Fim de Partida’. Juntos, eles já estiveram nas montagens célebres de ‘Os Solitários’ (2002) e ‘A Morte do Caixeiro Viajante’ (2004).

Logo, eles reuniram Helena Ignez, icônico nome do cinema brasileiro, com quem Nanini contracenou no início da carreira, e Ary França, com quem dividiu o palco no premiado ‘O Burguês Ridículo’ (1996). 

Rodrigo Portella foi convidado para assumir a direção da empreitada e chega em um grande momento profissional com a consagração de alguns dos espetáculos que dirigiu recentemente, como ‘Tom na Fazenda’, ‘Ficções’, ‘Um Ensaio sobre a Cegueira’ (Grupo Galpão) e ‘Ray’. Ele divide o texto de ‘Fim de Partida’ em três fluxos:

‘O primeiro seria a relação simbiótica entre Hamm e Clov, mas numa segunda camada a peça pode ser lida como uma alegoria política. Hamm surge como um déspota, um tirano arbitrário, figura que alude à lógica da guerra e do militarismo, cuja autoridade se funda  no poder bélico e opressivo. Clov é o corpo submisso, o soldado em vigília permanente, sempre de pé, incapaz de repouso, a serviço de uma engrenagem que não faz nenhum sentido. A cena torna-se, assim, um campo de poder em ruínas’, conta o diretor, que chama a atenção ainda para uma terceira camada de leitura: a do metateatro.

Evidenciada pela cenografia de Daniela Thomas, que coloca uma espécie de palco dentro do palco, em uma pequena caixa cênica retangular, a característica da metalinguagem que o texto propõe se estabelece:

‘Clov é o clown, o operador da cena,  o ridículo, enquanto Hamm assume a figura do ator principal, o narrador canastrão que se sustenta na fabulação de si mesmo. O teatro se dobra sobre ele próprio: Há um teatro dentro do teatro, um palco dentro do palco’, resume Portella.

A equipe criativa do espetáculo conta ainda com parceiros que enfileiram uma série de projetos com Nanini, como a própria Daniela Thomas, o iluminador Beto Bruel, o figurinista Antonio Guedes, além do produtor Fernando Libonati, responsável pela produção artística dos espetáculos do ator nas últimas três décadas. 

Serviço: Estreia dia 20 de agosto / Quintas e Sextas, às 20h. Sábados, às 19h00 e Domingos, às 17h. / Teatro TotalEnergies (Rua do Russel, 804 – Glória) Classificação: +16 anos. / Ingressos em Ingresso.com

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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