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Anita Schwartz Galeria de Arte apresenta “Nuas e Vestidas” de Cristina Salgado 

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A Anita Schwartz Galeria de Arte, na Gávea, inaugura a exposição individual “Nuas e Vestidas“, de Cristina Salgado, com curadoria de Ulisses Carrilho. A exposição reúne pinturas inéditas, trabalhos tridimensionais e recortes em MDF produzidos neste ano, e 11 desenhos realizados entre 2015 e 2021. O corpo, presença constante na produção da artista desde os anos 1980, atravessa todo o conjunto, surgindo fragmentado, revestido, suspenso ou associado a objetos e elementos do universo doméstico. 

A exposição sucede “A Mãe Contempla o Mar“, instalação apresentada no Octógono da Pinacoteca de São Paulo até o último dia 2 de agosto e considerada por Cristina Salgado o trabalho mais importante que realizou até hoje. Ao retornar ao Rio, ainda profundamente mobilizada pela experiência, a artista começou praticamente do zero a produção para a individual na Anita Schwartz. Alguns elementos daquela instalação reaparecem transformados emNuas e Vestidas, como as cadeiras, os volumes corporais e a presença de materiais que revestem, atravessam e prolongam as formas. 

Um dos conjuntos centrais da exposição é a nova série “Cadeiras gente”. A artista desenhou cadeiras de madeira de linhas simples, próximas do mobiliário cotidiano, e as revestiu com tapete vermelho. Delas brotam formas que evocam corpos e elementos reconhecíveis: uma figura com sapato de salto, outra de cintura marcada e uma pequena casa coberta por veludo molhado que remete a um tricô.

O contraste interessa à artista: de um objeto doméstico deliberadamente simples emergem formas estranhas, sensuais ou inesperadas. “As cadeiras têm um desenho muito proletário. Parecem um pouco cadeiras de cozinha”, diz Cristina. A aproximação entre corpo, mobiliário e espaço doméstico recupera uma operação presente há décadas em sua produção, na qual poltronas, cadeiras, mesas e outros objetos deixam de funcionar apenas como cenário e passam a participar da própria constituição das figuras. 

A materialidade também ajuda a explicar o título da exposição. “Nuas” remete diretamente à individual homônima que Cristina realizou em 1999, no Paço Imperial. Naquele momento, a artista apresentou trabalhos em papel machê em um tom rosado próximo à pele. Mais de duas décadas depois, acrescenta ao título o termo “vestidas”, em uma referência literal aos novos corpos revestidos de tecidos e às próprias cadeiras cobertas por tapete. “São corpinhos, pequenos volumes, que são forrados com tecidos estampados”, explica. 

O revestimento não é um recurso novo em seu vocabulário: Cristina começou a utilizar tapetes em seus trabalhos nos anos 2000 e o material tornou-se uma espécie de pele que recobre corpos e objetos. 

Essa relação entre superfície e interioridade percorre Nuas e Vestidas. “São corpos constituídos de espaço negativo, de oco e de vazio”, observa Ulisses Carrilho. Para o curador, a abertura desses corpos é uma característica decisiva da produção da artista. “O corpo é sempre esse fio condutor do trabalho dela”, afirma. 

Além disso, outra novidade da exposição é “Mulheres azuis” (2026), série de cinco trabalhos construídos a partir de recortes de MDF com pintura automotiva. As formas corporais são recortadas em chapas que se encaixam e avançam da bidimensionalidade para o espaço. O procedimento estabelece ainda uma conexão com trabalhos do início da trajetória de Cristina, quando a artista já utilizava recortes de madeira para construir imagens que se projetavam no espaço. 

A verticalidade aparece de maneira mais radical em “Mulher alta” (2026), corpo de 2,80 metros construído com tapete, tubos de borracha e parafusos de aço, que ficará suspenso, ligeiramente afastado do chão, como se levitasse no espaço expositivo. Ao longo da mostra, a variação de escalas — do diminuto a dimensões superiores às humanas — desestabiliza a relação do visitante com esses corpos.

Cristina também retorna à pintura com a série inédita “Transcendentais” (2026), formada por cinco óleos sobre tela. A decisão surgiu de um desejo muito direto da artista depois da experiência da Pinacoteca: “Eu queria pintar”. Nas novas pinturas, formas orgânicas continuam sugerindo corpos, órgãos, fragmentos e entranhas, mas tornam-se menos identificáveis. Para Carrilho, há nesses trabalhos uma inflexão na produção de Cristina, em que a figura permanece presente sem necessariamente se estabilizar em uma representação. A artista, no entanto, resiste a separar essa experiência do restante de sua trajetória. “É sempre um corpo. Mesmo quando não é”, resume. 

Completam a exposição 11 desenhos, realizados em diferentes momentos: sete pastéis de 2021, dois desenhos de 2019 e um trabalho em guache e nanquim de 2015. A presença dessas obras anteriores amplia as conexões entre a produção recente e procedimentos que Cristina vem desenvolvendo ao longo do tempo: corpos atravessados por vazios e aberturas, formas orgânicas, fragmentação e uma oscilação constante entre interior e exterior. “Ela vai com facilidade do último trabalho ao primeiro. Há um tempo mais espiralado e menos linear”, observa Carrilho.

Integrante da histórica exposição Como Vai Você, Geração 80?, realizada na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Cristina Salgado (Rio de Janeiro, 1957) construiu uma trajetória singular dentro de sua geração. Sua produção avançou por desenho, pintura, objetos e trabalhos tridimensionais, tendo o corpo, especialmente o feminino, como território recorrente de investigação. 

SERVIÇO: De 27 de agosto até 10 de outubro de 2026 / Anita Schwartz Galeria de Arte R. José Roberto Macedo Soares, 30 – Gávea Visitação: segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 12h às 18h

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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