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“Eles Só Usam Black Tie” é uma brutal visão contemporânea sobre a juventude sul-africana

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blacktie“Às vezes quando os jovens estão perdidos, não a nada que você possa fazer por eles”, com essa frase podemos definir o filme “Eles Só Usam Black Tie”. O grande vencedor do Festival de Cinema de Durban em 2015, que apresenta um arrebatador retrato da juventude sul-africana pós-apartheid.

Baseado livremente nas experiências do jovem diretor e roteirista Sibs Shongwe-La Mer, o longa acompanha a vida de um grupo de jovens de Sandton, a região no subúrbio de Joanesburgo que concentra o maior número de ricos e milionários, um ano após o suicídio de Emily, uma amiga do grupo que transmitiu sua morte para milhões de pessoas na internet.

O sub-texto do filme fica claro, quando percebemos que o suicídio ocorre no dia 16 de Junho, dia em que é comemorado o feriado do Dia da Juventude na África, em comemoração as lutas dos jovens contra o rigoroso regime da Apartheid. Assim percebemos que quase 40 anos depois, os jovens ainda estão morrendo com o descontentamento, mesmo sem apresentar uma causa equivalente para esse motivo.

Crescendo em um ambiente repleto de tensas relações raciais, que acabam sempre oscilando em conflitos e mostrando uma forte apatia por tudo que representa a sua cidade e a história do seu país. Faz com que eles procurem viver o lado mais intenso da vida, mergulhando no mundo das bebidas, drogas e festas. Assim não conseguindo fugir de comparações com Kids, o clássico cult do diretor Larry Clark, que mostra o lado mais cru dos desajustados jovens dos anos 90.

A escolha de uma narrativa solta faz o filme perder um pouco de ritmo na maneira escolhida para contar a história. Utilizando de um formato de capítulos que acabam às vezes funcionando como um curta-metragem dentro do filme. Tudo isso construído através de belas imagens poéticas, que utilizam da bela fotografia em preto e branco para capturar todo o caos e solidão das ruas e apresentar a tristeza e angustia em que eles se encontram.

Assim somos apresentados a uma brutal visão contemporânea sobre a juventude sul-africana e temos o gosto de quero mais de uma África de Sul que não estamos acostumados a ver no cinema.

Renato Maciel
Renato Maciel
Carioca e tijucano, viciado em filmes, séries e tudo envolvendo cultura pop, roteirista e estudante de cinema, podcaster no Ratos de Cinema

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