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Moonlight: Sob a Luz do Luar – Uma história atemporal com doses de lirismo e realidade

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Todos os anos nos deparamos com alguns filmes independentes que aparecem sem muita expectativa e acabam chamando a atenção da critica e crescendo em público. Esse ano o posto foi tomado pelo intenso Moonlight: Sob a Luz do Luar, ganhador do Globo de Ouro de Melhor Filme Dramático e indicado a oito categorias no Oscar, entre elas melhor filme e melhor diretor.

Baseado na peça semi-biográfica do autor Tarell Alvin McCraney, o longa escrito e dirigido pelo talentoso Barry Jenkins, conta a jornada do jovem Chiron dividida em três atos separados, mostrando diferentes momentos de sua vida durante sua infância, adolescência e fase adulta. Cada um apresentando os excruciantes detalhes da vida desse rapaz com uma dura realidade, enquanto ele busca por autoconhecimento e por ser aceito em um ambiente que não entende quem ele é.

Todas as relações de Chiron com as pessoas ao seu redor são importantes para a composição do personagem, desde o traficante Juan (Mahershala Ali), que vira sua figura paterna, até Paula (Naomie Harris) sua abusiva mãe viciada em crack. São personagens que desconstroem estereótipos graças à adição de humanidade que o roteiro injeta neles, criando assim mais camadas a serem exploradas.

A dificuldade de se relacionar e toda a sensação de isolamento que o jovem sente em meio deste hostil ambiente, faz com que ele procure por auxilio a pessoas que o façam se sentir confortável ao redor. É ótimo acompanhar a jornada emocional de Chiron, permitindo ao espectador conhecer o personagem conforme ele vai se conhecendo, criando assim um maior vinculo emocional com a história.

O reconhecimento do trabalho do elenco veio com as indicações de Ali e Harris nas categorias de ator e atriz coadjuvantes no Oscar. São atuações impactantes e que são construídas com um excelente trabalho corporal, entregando muitas vezes a emoção apenas pelo olhar. Já Chiron é interpretado pelos atores Alex Hibbert, Ashton Sanders e Trevante Rhodes, apresentam três fortes atuações que conseguem captar bem a essência do personagem, sem cair numa cópia de trejeitos e maneirismos.

Tudo parece estar no lugar em Moonlight, com todos os arcos e personagens servindo a obra, isso graças a um roteiro extremamente maduro e uma direção soberba, Barry Jenkins consegue com muita sensibilidade nos apresentar um ponto de vista nunca antes explorado sobre a periferia americana. Facilmente um dos melhores e mais importantes filmes do ano, Moonlight: Sob a Luz do Luar é um desses dramas raros que trata com doses de lirismo e realidade, temas universais. Sendo um belo e complexo estudo da natureza humana e sobre os obstáculos da busca de uma identidade.

Renato Maciel
Renato Maciel
Carioca e tijucano, viciado em filmes, séries e tudo envolvendo cultura pop, roteirista e estudante de cinema, podcaster no Ratos de Cinema

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