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“Moraes Musical Moreira”- Musical recria a vida e musicalidade de um dos grandes gênios da música brasileira

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O universo de Moraes Moreira chega aos palcos em uma montagem que aposta na diversidade que marcou os “50 anos” de carreira do compositor e gênio baiano. Em cena, o espetáculo Moraes Musical Moreira reúne 19 artistas no palco, dividindo a atenção entre atores, cantores, músicos e multiartistas, a fim de percorrer uma trajetória que não é medida pelo óbvio; mas que mergulha nosonho de um flamenguista do sertão de Ituaçu (BA) até encontrar a mistura do frevo, choro, samba, rock, baião e poesia.

Foto Caio Lírio_@caiolirio-Todos os Direitos Reservados

Percorrendo quatro cidades no Brasil em sua primeira temporada, o espetáculo não poderia deixar de estrear no DNA baiano de Moraes, em Salvador, no Teatro Castro Alves – local onde já se apresentou junto à Davi Moraes, seu filho. A estreia nacional celebra a permanência de uma obra que continua atravessando gerações, com o musical seguindo para as ruas de Recife, no Teatro Luiz Mendonça; Brasília, naSala Martins Pena do Teatro Nacional Cláudio Santoro; e Rio de Janeiro, no Teatro Carlos Gomes.

Moraes, pra mim, é o plural que alcança plurais e se torna um artista singular, único. Dos auto-falantes pras avenidas, sua obra não pertence a uma época, ela se encaixa em qualquer tempo e deixa e recebe um tanto de cada geração que o escuta”, lembra o ator, músico e pesquisador, Rodrigo Sestrem. 

Dando vida a diferentes facetas de Moraes Moreira, o poeta e compositor baiano Rodrigo Sestrem interpreta um Moraes cheio de identidade, bagagem e ideias para compartilhar com o público, como quem ocupa a praça para celebrar a palavra, a música e o encontro. Na sequência, o ator Cris Meirelles encarna um Moraes em busca da inspiração, movido pelo desejo de criar e pelo encontro com a música. 

“Moraes Vaqueiro do Som é alguém que na narrativa é guiado pela escuta dos sons e silêncios do mundo. Alguém que já sentia o invisível som divino  e em seu peito, tudo isso ia guardando. O sino, o cantador que ia passando, a festa da igreja e a feira inteira, a música na praça e a padroeira,com o povo na rua, se alegrando”. E, para mim, é um presente, como intérprete, poder ir vivendo as metamorfoses que essa escuta proporcionou, até chegar a um artista maduro, com uma obra tão rica e que percebe que o lugar da sua música é a rua, que seu público é o povo. Como artista, também me vejo muito mobilizado por isso: uma paixão pela música e de ser um artista popular”, diz o ator e multiartista brasileiro, Cris Meirelles. 

Entre o real e o fantástico, a Musa Música, interpretada por Júlia Tizumba, surge como uma presença que conduz e provoca Moraes em sua busca pela inspiração. Ao seu redor, o Bloco do Prazer ganha corpo, movimento e novas possibilidades a cada cena, conduzido pelo ritmo cênico e eletrizante de Diana Ramos, Kadu Veiga, Luisa Muricy, Mano Leone, Nana Nevez, Ofámirô, Rapha Gouveia, Sabiá, Saulo Ilogoní e Marcos Lopes. 

“A Musa Música é uma personagem apaixonante, instigante e desafiadora, pois é intangível, abstrata e está em todo lugar. Em nossa narrativa, ela é a força que inspira e conduz Moraes em suas criações e em sua passagem de cantor para cantador. Me senti muito honrada e agradecida pela confiança da diretora Ana Paula Bouzas para que eu desempenhasse esse papel.  Como a música brasileira tem sua base fundamental nas matrizes africanas, acredito que faz todo o sentido que a Musa Música seja uma mulher negra. A imagem das mulheres negras, em um país racista e machista como o Brasil, não é comumente associada ao lugar de musas inspiradoras, de mulheres dignas de serem admiradas a este ponto. E assim a arte cumpre também o papel de ressignificar a vida e recriar realidades, trazendo as mulheres negras, que são pilares da sociedade, para o lugar de reconhecimento, merecimento e protagonismo que durante tanto tempo nos foi negado”, destaca a atriz e cantora Júlia Tizumba

As coreografias síncronas, as interpretações, a entrega, a dança e a alegria dão palco para um espetáculo que sabe entregar leveza, riso e dança ao passo que faz um “Chame Gente” para cantar clássicos e poesias, além da discografia de mais de 40 álbuns de estúdio do cantor. 

Com direção de Ana Paula Bouzas, o núcleo de direção brinca com a efervescência artística de Moraes Moreira, enquanto traduz para dentro dos palcos as cenas, os movimentos, as pausas, e o alinhamento com os instrumentos, da sanfona à guitarra e a mistura de ritmos, do rock ao baião. 

“Sempre tivemos o desejo de que Moraes e sua obra chegassem ao palco a partir de palavras que nos pareciam muito presentes nesta conexão: brasilidade, diversidade, liberdade, paixão e poesia. Foi dessa forma que vivemos o processo de criação. Elenco e banda ali, em encantamento, paixão, obstinação, disponibilidade, vivacidade, deixando que tais palavras inspirassem e produzissem a corporalidade e a atmosfera do nosso musical popular brasileiro” , destaca Ana Paula Bouzas. 

A preparação para dar vida a personagens ligados à trajetória de Moraes Moreira exigiu uma imersão no universo artístico do cantor, compositor e poeta. “Trago uma dica: ouçam Moraes Moreira. Se deixem conduzir pelos timbres, arranjos, ritmos, poesia presentes na obra de Moraes Moreira e transforme essa imersão sonora em corpo dançante que brinca. Pensar o trabalho de movimento desse projeto é considerar a brasilidade pulsante da obra de Moraes Moreira e é também se deixar tocar pela paixão da equipe que vem conduzindo o projeto. A obra de Moraes é marcada pela diversidade. Ele soube misturar samba, frevo, baião, rock, fez o chão da Praça o território da alegria, do povo, do corpo brincante, e é a partir dessas pistas que buscamos a presença que está em cena”, comenta o Diretor de Coreografia, Jai Bispo, que faz dupla com Isis Carla. 

Outro destaque é a banda formada por Mistro, Tarcísio Santos, Indira Dourado, Antenor Cardoso e Fredinho, com regência da baixistaCarla Suzart e assistente de Direção Musical. As vozes do elenco que formam o Bloco do Prazer, de Cris Meirelles e Rodrigo Sestrem como Moraes Moreira, além da musa Júlia Tizumba, se entrelaçam à energia dos ritmos da banda, com partituras mais serenas até o “chora guitarra” na hora do rock and roll

Inspirado na linguagem do cordel e embalado pelos sucessos de Moraes Moreira, o espetáculo ‘Moraes Musical Moreira’ transforma o palco em um encontro entre o real e o fantástico, sem perder o foco da música doPoeta-Cantador e do Vaqueiro do Som, ou melhor, das múltiplas faces do artista que ganhou o Brasil e o mundo. 

Serviço: 5 a 29 de novembro; Horários: quintas e sextas-feiras, às 19h, e aos sábados e domingos, às 17h; / Teatro Carlos Gomes, Praça Tiradentes, s/n°, Centro / Ingressos: a partir de R$ 25,00;

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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