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Nebulosa gráfica reúne pela primeira vez três gerações de gravadoras brasileiras

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Uma reunião inédita na história da gravura brasileira chega ao espaço expositivo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em setembro, na Galeria Candido Portinari. “Nebulosa gráfica: multiplicidades da gravura abstrata”, com curadoria de Ana Carla Soler e Fernanda Pequeno, coloca lado a lado dezessete artistas mulheres cuja produção atravessa mais de sessenta anos de experimentação com a matriz gráfica. A exposição parte de um recorte pouco explorado pela historiografia da arte nacional, exaltando o protagonismo feminino na construção da abstração em gravura, desde as vanguardas dos anos 1950 e 1960 até as pesquisas contemporâneas do século XXI.

O título da exposição toma emprestado o vocabulário da astronomia. Uma nebulosa de reflexão é uma massa de gás e poeira interestelares que se torna visível apenas pelo reflexo de estrelas próximas. A curadoria propõe pensar a produção destas gravadoras nesses mesmos termos relacionais: cada obra ganha densidade quando vista ao lado das demais, em um sistema de ressonâncias que atravessa gerações.

O eixo fundador remete ao Ateliê Livre de Gravura do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, coordenado por Edith Behring a partir de 1959. Por aquele espaço passaram Anna Letycia e Anna Bella Geiger, formando um núcleo geracional que a curadoria situa no centro da pesquisa. Fayga Ostrower atua nesse conjunto como voz teórica de referência, enquanto Renina Katz, Isabel Pons e Helena Lopes ampliam a cartografia da gravura abstrata brasileira para São Paulo e Brasília, evidenciando que essa linhagem nunca se restringiu ao eixo carioca.

Ao lado dessas fundadoras, a produção contemporânea de Eneida Sanches, Inês de Araújo, Siwaju Lima, Elaine Arruda, Ana Takenaka, Kika Levy, Aline Besouro, Renata Basile, Laila Terra, Elisa Arruda e Adriana Moreno dá sequência a um repertório técnico que percorre xilogravura, litografia, gravura em metal, monotipia e serigrafia. Cada artista resolve à sua maneira problemas visuais herdados das formas e das manchas, mantendo viva a experimentação com a matriz como método de trabalho.

Com obras que vão da década de 1960 até a segunda década do século XXI, a seleção acessa as tradições abstratas por vocabulários plásticos distintos ancorados em diversas técnicas gráficas. A mostra reúne peças de acervos institucionais, coleções privadas e dos próprios ateliês das artistas, formando um panorama pouco explorado até aqui, que é o cruzamento direto entre a cisão histórica que dividiu a abstração geométrica e a abstração informal, e sua reelaboração pelas gerações seguintes.

“Nebulosa gráfica” é o desdobramento de uma pesquisa iniciada com o estudo sobre Edith Behring e o Ateliê Livre de Gravura do MAM/RJ, que já havia gerado as exposições Gravadas no Corpo (2024) e Órbitas Abstratas (2025-2026), com curadoria de Ana Carla Soler, agora ainda mais encorpada com a pesquisa de Fernanda Pequeno, professora na UERJ e orientadora de Ana carla Soler, com suas pesquisas acadêmicas sobre artistas mulheres e arte no Brasil. A mostra atual realiza o cruzamento buscado desde o início do projeto, colocando as protagonistas históricas em diálogo direto com artistas que hoje reelaboram a mancha, a matriz e o gesto.

SERVIÇO Abertura: 03 de setembro até 30 de outubro Local: Galeria Candido Portinari (UERJ) Endereço: R. São Francisco Xavier, 524 – Maracanã / Entrada franca

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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