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Renato Bezerra de Mello reúne conjunto de trabalhos que refletem sobre a memória, o fazer artesanal e o poder da criação

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O Sesc Tijuca inaugura a exposição “GESTOS COTIDIANOS”, exposição individual e inédita de Renato Bezerra de Mello, com curadoria de Daniela Name e Jocelino Pessoa.  A mostra destaca características importantes na obra do artista  pernambucano radicado no Rio. Além de enfatizar a minúcia do fazer manual, investiga como essa prática laboriosa incide sobre a autobiografia e a memória, atravessando questões familiares, relações amorosas e episódios de sua rotina artística e no ateliê.

O projeto reúne 11 conjuntos de trabalhos que, dispostos nas paredes, pendendo do teto ou em exibidos em mesas, prateleiras e no chão, materializam os caminhos criativos e de pesquisa do artista. “São pequenos nozinhos em fios de meada; centenas de folhas de papel carbono dupla-face perfurados em diferentes formas geométricas; bloquinhos de papel jornal com uma infinidade de desenhos – flipbooks em que a sequência é imaginada pelo espectador; bolinhas coloridas, criadas pelo lixamento manual dos cubinhos de giz de sinuca; pequenas esculturas de grafite artesanal, moldadas pela fricção com folhas de papel; outras bolinhas, minúsculas, feitas da ‘poeira’ de linhas de seda; aparas de papel vegetal em espiral; milhares de tirinhas de papel escritas e espalhadas pelo chão; ou recortes em fiapos, de pastas de um arquivo que encontrei jogados numa caçamba de lixo,”, conta Bezerra de Mello..

Na ampla e bem iluminada galeria do Sesc Tijuca, o percurso está ancorado, na área central do espaço, pela instalação Lembranças e esquecimentos (2005), que vai cobrir parte do piso da sala com tirinhas escritas em papel cristal; e pela ocupação aérea Cópia da cópia (2006), que reúne caderninhos com desenhos de Bezerra de Mello que impregnam as folhas de papel a partir do uso de carbono.  Escritas no chão, escritas no ar.  Além de ser convidado sensorial e participativamente a estas duas experiências em montagens não convencionais, o visitante da mostra vai percorrer outras nove séries de trabalhos propositalmente desemelhantes.

Bezerra de Mello reúne um mesmo grupo exemplares que parecem estar repetidos, mas que são diferentes entre si, ou obras feitas de um mesmo gesto repetido muitas vezes, gerando resultados diversos em cada investida. Este é o caso da inédita Nozinhos, em que o artista cria trouxas, ninhos ou corações a  partir de fios de linha presos um a um. Fazem parte ainda da os trabalhos Fingindo repetir o idêntico (2016), Brincar de novo (2011), O fim desde o começo (2013), Aparas (2014), Nada, ninguém, coisa alguma (2015),  Ouro negro (2015), O que sinto não sei dizer o que é (2016), Carbonos (Tristeza profunda) (2025-2026) e  Correr no azul à busca da beleza (2014).

“Muito antes de o termo ficar na moda, Renato já fazia da fabulação, no caso dele também auto fabulação, uma questão central de sua obra”, pontua a curadora Daniela Name. “Há um ciclo de vida, morte e ressurreição através da reinvenção nos arquivos pessoais e alheios que ele desvia, picota, cobre e fura para reconstruir em um novo corpo. Muito frequentemente esse corpo carrega no ventre um comprido fio de histórias, as contidas nos papéis guardados e as da ficção que a arte criou. Aliás, não é acaso essa exposição ter tanta presença do papel, de trabalhos nesse suporte. Há uma escolha propositalmente anacrônica em tempos de amnésia, desuso da escrita e saturação dos dispositivos tecnológicos de inteligência superficial”, ironiza.

A exposição fica em cartaz até o dia 3 de janeiro e contará com ativações ao longo de seu período em cartaz. Entre elas, uma oficina de escrita com a poeta e apresentadora Bianca Ramoneda e outra um debate com Bezerra de Mello e curadoria por ocasião do lançamento dos ensaios críticos de Name e Pessoa sobre o trabalho do artista.

“Em um gesto de delicada intimidade, a poética de Renato Bezerra de Mello transforma a memória em um território compartilhado – um convite para sentar, escutar e dividir nossas próprias histórias”, finaliza Jocelino, também curador da mostra.

SERVIÇO:
Visitação: 6 de outubro de 2026 a 3 de janeiro de 2027 / Sesc Tijuca R. Barão de Mesquita, 539 – Tijuca
De terça a sexta-feira, das 10h às 20h, sábados e domingos, das 10h às 17h.
Entrada gratuita.

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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