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“Andréa Hygino: Projeto parquinho” cria instalação formada por brinquedos em escala real

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Um parquinho com trepa-trepa, escorrega, balanço, gangorra e gira-gira ocupa o Espaço Petrobras, no foyer do Bloco de Exposições do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio). Há, no entanto, uma diferença fundamental: não foi feito para brincar. Em “Andréa Hygino: Projeto parquinho”, a artista carioca cria uma instalação formada por brinquedos em escala real que incorporam também elementos de cadeiras escolares. O trabalho inédito, com curadoria de Phelipe Rezende, curador assistente do MAM Rio, parte de uma investigação desenvolvida pela artista sobre os processos de ensino e aprendizado na escola para questionar as regras que determinam como, onde e de que maneira se brinca.

Construídas em aço galvanizado, com pintura branca em esmalte e MDF laminado, as cinco obras que compõem Projeto parquinho (2026) reproduzem formas e dimensões comuns aos parques infantis, mas aparecem alteradas pela artista e atravessadas por elementos do mobiliário e do universo escolar. São elas O jubilado, Sísifo, Grade curricular ou Espaço cartesiano, Gráfico de pizza e O princípio da alavanca. Trepa-trepa, escorrega, balanço, gangorra e gira-gira têm sua lógica habitual subvertida: cadeiras surgem presas entre grades, partes são esvaziadas, movimentos são interrompidos e os brinquedos deixam de cumprir a função para a qual foram concebidos. A cor branca compartilhada pelos brinquedos e o piso onde se apoiam sugere uma estrutura clínica, onde brincadeira e disciplina fazem parte de um contínuo asséptico que, para continuar assim, precisa permanecer intocado. 

O projeto marca uma nova etapa da pesquisa que Andréa Hygino desenvolve há anos em torno da educação e dos processos de aprendizagem. Se trabalhos anteriores se concentravam principalmente na sala de aula e em objetos como carteiras, lápis e materiais escolares, a artista passou a investigar outros ambientes da escola e as pedagogias que surgem no refeitório, no pátio e nos períodos de lazer. Em Projeto parquinho, seu olhar chega ao recreio, intervalo que parece suspender temporariamente a organização rígida das aulas, mas também impõe regras e formas de orientar o corpo.

“Comecei a pensar de onde vem esse parquinho que a gente repete há tanto tempo no Brasil e cheguei à ideia do lazer orientado, que pode ser uma maneira de disciplinar os corpos. O brinquedo já traz uma instrução de como brincar. Quando você disseca essas estruturas, percebe que o material que faz a cadeira escolar, que segura o corpo dentro da sala de aula, é também o que constrói o brinquedo e determina movimentos no momento da brincadeira”, afirma Hygino.

A impossibilidade de usar os brinquedos é central para o trabalho. O público poderá se aproximar das estruturas, mas encontrará um parquinho imobilizado, no qual escorregar, girar, balançar ou subir deixam de ser possibilidades. A retirada do movimento desloca a atenção para formas que atravessam gerações e raramente são observadas como dispositivos que organizam comportamentos. A grade do trepa-trepa, por exemplo, aproxima-se visualmente de uma gaiola; a gangorra determina posições e depende de uma relação específica entre dois corpos; o gira-gira estabelece um movimento circular previamente definido.

“Andréa nos apresenta um jogo que tensiona as relações da disciplina e do controle dentro do ambiente escolar por meio de um parquinho composto por brinquedos que não podem ser utilizados. Pensar e discutir o tema da educação por meio da obra é uma oportunidade para refletir sobre determinadas normas do sistema educacional e também olhar para outros modos de pensar e interpretar o mundo ou, neste caso, de brincar”, comenta Phelipe Rezende.

A instalação também estabelece uma relação particular com a arquitetura do museu. Localizado no térreo do Bloco de Exposições, o Espaço Petrobras ocupa uma área de passagem, aberta visualmente para os jardins e para a cidade. A artista explora essa condição intermediária: instala dentro do museu uma estrutura associada ao espaço externo e ao lazer, deslocando-a de seu contexto habitual. O parquinho pode ser reconhecido imediatamente, mas permanece suspenso entre brinquedo e escultura, uso e contemplação, movimento e imobilidade.

A relação de Andréa Hygino com o universo escolar começa na infância. Sua mãe é professora e manteve durante alguns anos uma pequena escola dentro da casa da família, em Parque Anchieta, na Zona Norte do Rio. Duas salas foram equipadas com quadro, carteiras, materiais didáticos e havia um parquinho no quintal. Mesmo depois do encerramento da escola, o local continuou funcionando para aulas de reforço e alfabetização. Foi entre aquelas carteiras que, já estudante de Artes Visuais, Hygino identificou uma imagem que se tornaria decisiva para sua produção.

As marcas e rasuras feitas por sucessivos alunos na madeira chamaram sua atenção quando estudava gravura. Andréa Hygino passou a imprimir as superfícies das carteiras, transformando-as em matrizes. A experiência deu origem a uma série de oito gravuras que a artista considera matricial em sua trajetória. A partir dela, passou a investigar a desobediência estudantil, as marcas produzidas pelos corpos na escola e as tensões entre disciplina e criação.

A pesquisa deu origem a trabalhos realizados com lápis mordidos por estudantes, exercícios de escrita com a mão não dominante, investigações sobre a merenda escolar e experiências em pátios de escolas públicas.

Para Andréa Hygino, apresentar esse novo momento de sua pesquisa no MAM Rio tem ainda uma dimensão afetiva. Em 2012, quando cursava a graduação, ela esteve ali como aluna de Tatiana Grinberg, acompanhando uma exposição da artista com outros estudantes. Mais de uma década depois, retorna ao local com uma individual.

“Eu lembro de estar ali como uma jovem aluna de graduação, sabendo muito pouco de arte, e de como foi marcante ir a uma abertura no MAM Rio. Agora é a minha vez de ocupar esse espaço. Para o meu trabalho individual como artista, é a maior coisa que já fiz e um grande marco na minha trajetória”, diz.

Como desdobramento de Projeto parquinho, Andréa Hygino desenvolve, em diálogo com a equipe educativa do MAM Rio, um material impresso que será posteriormente ativado em uma oficina. A proposta é convidar crianças a imaginar outras formas e possibilidades de brincar.

SERVIÇO: Abertura: 17 de outubro de 2026
Encerramento: 18 de abril de 2027 
Horários de visitação:
Quartas, quintas, sextas, sábados domingos e feriados, das 10h às 18h
Aos domingos, das 10h às 11h, visitação exclusiva para pessoas com deficiência intelectual

Ingressos: 
https://www.mam.rio/ingressos
Entrada gratuita para todos os públicos

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro
End: Av. Infante Dom Henrique, 85 – Aterro do Flamengo Website: https://www.mam.rio/
Instagram: @mam.rio

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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