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Um Tio Quase Perfeito 3 reforça o tom familiar brasileiro

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Dez anos entre o primeiro Um Tio Quase Perfeito e esse, e existe uma vontade de amadurecer do projeto, partindo de todos os envolvidos. Tendo enfrentado inclusive uma pandemia no lançamento do capítulo anterior, Pedro Antônio e Marcus Majella, principais articuladores do projeto e interessados maiores, caminham além do que era a proposta inicial e expandem as suas vocações. Se a franquia (que não nasce desse interesse, mas se mostrou necessária para tal) surge como um projeto infanto-juvenil, o caminho natural ao atualizar todo o elenco em suas idades naturais era tornar Um Tio Quase Perfeito 3 uma produção que abarcasse agora a família em todo o seu conceito, e em todas as suas possibilidades. 

Com poucas adições, apenas o suficiente para contar a nova história, torná-la vibrante e verdadeiramente nova, o mesmo elenco volta a se encontrar, e todos os perrengues que eram vividos pelo tio Tony anteriormente, hoje são saudades. Isso porque os sobrinhos cresceram e não precisam mais de cuidados, e o descoberto tio acaba por sentir um certo peso da solidão. Até chegar um dia na casa que divide com a mãe e encontrar um bebê na porta, da maneira mais cinematograficamente natural possível. Assim sendo, essa família ganha uma nova componente, e esse é o caminho que Um Tio Quase Perfeito 3 abre para questionar configurações de novas fórmulas, mas algo além disso: a ideia de que a família existe para crescer mesmo – ainda que eventualmente, diminua. 

Essa é uma empreitada coletiva no que concerne a narrativa, mas ao conversar com seus capitães, esse é principalmente um desejo deles. Antônio e Majella já tinham se encontrado nos outros filmes da franquia, e abriram 2026 com Agentes Muito Especiais, então dá para dizer que essa parceria deu tão certo que seus desejos acabam por convergir, e não exatamente das formas que esperaríamos. Vindos de uma comédia de ação onde um humor mais direto é utilizado (e aplicado no que ele poderia oferecer de melhor), Um Tio Quase Perfeito 3 é, de uma maneira bastante consciente, moderno para com a comédia brasileira. Entende que o humor sozinho, no momento, precisa de outras camadas para atrair espectadores, e mais que isso, manter-se de pé. 

Há uma inteligência também de não tratar o gênero como algo que pode ser jogado na tela de maneira leviana. Tudo o que é filmado por Antônio tem textura, são imagens com profundidade de campo e um espaço cênio sempre muito bem aproveitado. Exemplos disso são o lar de terceira idade que a personagem de Ana Lúcia Torre frequente, e a festa de casamento que acontece em certo momento; são elementos com vida própria, que não soam afetados ou falsos. Isso é uma contribuição de um diretor que parece ter um excelente olho para os detalhes de seus universos, vide seu melhor filme, Altas Expectativas, um filme que não só nos apresenta a uma vivência pouco explorada, como a enche de detalhes que nem sempre são compostos pela narrativa. 

Mesmo que haja algum excesso vez por outra, um embelezamento demasiado aqui e ali em sequências em câmera lenta, Um Tio Quase Perfeito 3 consegue alguma vantagem ao entender que existe uma evolução estética no que antes era tratado como um projeto obrigatório de mercado. Não é de hoje que as coisas mudaram, e o espectador responde com sucessos (ou fracassos) ao que não lhes convém mais em cuidado e delicadeza; quando mesmo uma franquia como Os Farofeiros oferece frescor estético e rigor formal, fica claro que títulos que ambicionem apenas gags visuais ou abracem uma nostalgia vazia, sem agregar nenhum valor extra, podem até serem sucessos de público, mas não estarão contando uma história de 2026, mas do passado. 

Quanto ao elenco, todos continuam fazendo leituras evoluídas de seus tipos. Especialmente Ana Lúcia Torre e Júlia Svaccina (de Precisamos Falar), entendem do que estão colocando na tela e reverberando, fazendo as molas familiares do filme soarem ainda mais naturais. O protagonista também evoluiu, e Majella já domina Tony e sabe transitar nesse tipo com muita graça e leveza, sem jamais deixar suas marcas parecerem agudas. Mas é a dobradinha com Clarissa Pinheiro, uma atriz de recursos ilimitados, que coloca Um Tio Quase Perfeito 3 num lugar ainda mais especial, dos entendimentos e do bem querer, provando que família é, acima de tudo, uma escolha muito particular. 

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