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“O Clube do Livro para Mulheres Impertinentes” chega ao Brasil

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Margaret Ryan não pode abrir uma conta bancária no próprio nome. Viv Buschetti não consegue comprar anticoncepcionais sem a presença do marido. Charlotte Gustafson tem a casa, os filhos e a vida que a sociedade lhe prometeu, e mesmo assim sente que falta alguma coisa. Os cenários são de seis décadas atrás, mas as perguntas que movem as personagens soam muito familiares para a leitora de hoje. É desse incômodo que parte “O Clube do Livro para Mulheres Impertinentes, romance da norte-americana Marie Bostwick que a editora nVersos lança no Brasil. 
 

A história se passa no início dos anos 1960, numa comunidade planejada do subúrbio no norte da Virgínia. Certas de que o problema está nelas mesmas, as três se juntam com Bitsy Cobb para formar um clube do livro. A primeira leitura é A Mística Feminina, de Betty Friedan, então recém-lançado e hoje considerado um marco do movimento feminista. Aos poucos, as conversas sobre livros viram conversas sobre a vida, e as quatro amigas passam a repensar o casamento, a maternidade, o trabalho e o próprio lugar num mundo que já tinha decidido quem elas deveriam ser.
 

As situações vividas pelas personagens têm base real. Nos Estados Unidos, só em 1974 uma lei federal garantiu às mulheres acesso a crédito sem depender da assinatura do marido. No Brasil, até 1962, a mulher casada precisava de autorização do marido para trabalhar fora de casa. Ao reconstruir esse período com rigor histórico, Marie Bostwick convida seus leitores a medir a distância entre aquela época e os dias de hoje. A expectativa de dar conta da casa, dos filhos e da carreira, a dificuldade de conciliar desejos pessoais com o papel esperado pela família e a sensação de que “ter tudo” ainda não basta tem atravessado gerações.
 

Segundo Marie, a ideia do livro nasceu de uma experiência pessoal. “Já morei em muitos lugares ao longo dos anos, principalmente por causa do trabalho do meu marido. Sempre que nos mudamos para uma cidade nova, a primeira coisa que faço é procurar um clube do livro. Aprendi que essa é uma das melhores formas de encontrar uma comunidade e fazer amizades. Isso foi verdade na minha vida e também é verdade para as personagens do meu livro”, conta.
 

No começo da trama, Margaret, Charlotte, Viv e Bitsy são desconhecidas. Em muitos aspectos, não poderiam ser mais diferentes. Mas, à medida que leem e discutem livros juntas, descobrem que têm muito mais em comum do que imaginavam. Começam então a compartilhar entre si pensamentos, desejos, medos e segredos mais íntimos.

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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