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Protagonistas irreais e impossíveis no novo filme de Denys Arcand

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Pessoas bonitas, que vivem em belas casas, cercadas por lindas paisagens canadenses que dominam o apropriadamente intitulado filme Reino da Beleza, que infelizmente de tão bonito chega a ser entediante.

Este é o primeiro filme do aclamado cineasta franco canadense Denys Arcand em dez anos, ele que já ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2004 com o ovacionado Invasões Bárbaras, ainda possui mais duas indicações na mesma categoria por Declínio do Império Americano e Jesus de Montreal. Seu novo foi que foi gravado em Ontário e no Quebéc, no Canadá, e em Paris, França, o diretor mostra que continua tendo um grande olhar para a beleza, retratando tudo de mais belo que existe nas cidades, mas o que exala em sua fotografia falta em seu conteúdo.

No longa acompanhamos Luc Sauvageau (Éric Bruneau), um jovem e brilhante arquiteto, considerado encantador e confiante, ele mora com sua bela esposa Stéphanie (Mélanie Thierry) no deslumbrante campo de Quebec. Mesmo assim com isso tudo Luc não se mostra satisfeito e após ir para Toronto a trabalho, ele conhece Lindsay (Melanie Merkosky), uma mulher intrigante e eles começam um apaixonado e tortuoso relacionamento. Pego em um triângulo de emoções, Luc coloca tudo em perigo para persegui-la, já que sua vida aparentemente perfeita começa a desmoronar.

Tudo soa muito falso e perfeito no mundo do nosso “supostamente” simpático protagonista, sendo todos os personagens extremamente cultos, bem sucedidos e talentosos em tudo que realizam. Só contar a quantidade de esportes que eles praticam em montagens de cenas em câmera lenta configuradas para músicas pop que continuam a surgir sem motivo discernível.

O roteiro de Arcand segue sem emoção e vazio, apresentando um melodrama novelesco que nós já cansamos de ver. Nenhum dos diálogos dos personagens soa verdadeiro, até no momento que Lindsay se declara a Luc, não fica claro se é somente o fraco roteiro ou uma fraca atuação da atriz. Além disso todos os outros elementos dramáticos do filme não funcionam, como por exemplo a doença de Roger, o velho amigo e construtor de Luc, sua situação não é explicada em nenhum momento, além de seu arco e sua conclusão não causarem nenhum impacto na narrativa.

Ainda sim, o diretor possui alguns breves momentos de boa construção de cena, como no momento em que Luc e Stéphanie assistem ao vídeo de Muammar Gaddafi sendo espancado e a esposa começa a ter um ataque de pânico, isso muito devido ao choque da dura realidade do mundo em comparação a vida perfeita que eles levam. São momentos interessantes em questões que deveriam ser mais bem exploradas.

Assim, Reino da Beleza apresenta protagonistas irreais e impossíveis de se identificarem com o público, fazendo dessa uma experiência blasé que de nada vamos lembrar.

Renato Maciel
Renato Maciel
Carioca e tijucano, viciado em filmes, séries e tudo envolvendo cultura pop, roteirista e estudante de cinema, podcaster no Ratos de Cinema

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