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Cézanne e eu promove estudo sobre a relação entre o pintor com o escritor Émile Zola

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A trama deste drama biográfico francês é focada na conturbada amizade entre o pintor Paul Cézanne (Guillaume Gallienne) e o escritor Émile Zola (Guillaume Canet) desde a juventude em um internato até suas respectivas mortes nos primeiros anos do século XX. A principal ideia do longa – escrito e dirigido pela cineasta Danièle Thompson – é promover um estudo sobre esta relação entre dois indivíduos com ideias tão divergentes, uma vez que Cézanne e Zola são os antônimos um do outro.

O pintor pertence a uma família rica, mas é um idealista que recusa o dinheiro que tem por direito e todos os valores da burguesia, permitindo-se incorporar a figura do artista atormentado pela insatisfação com sua própria obra, o que não o permite transformar sua arte em uma forma de ganhar a vida. Por outro lado, Zola vem de uma família pobre, é educado e busca conseguir a aprovação da elite francesa da época, apesar de sempre defender os artistas em seus artigos, considerados muito agressivos.

O longa também conta com a participação de outros grandes nomes das artes, como Édouard Manet, Baptistin Baille, August Renoir e Camille Pissarro, os quais faziam parte do círculo de amizades de Cézanne e Zola, no qual todos ansiavam por uma chance de expor suas obras no Salão da Academia de Belas-Artes de Paris. Todos queriam isso, pois significaria o reconhecimento de seu trabalho e eu talento – até Cézanne queria, por mais que negasse veementemente.

A verdade é que, apesar de todo o seu discurso idealista, Cézanne desejava a aceitação, no entanto, seu gigantesco orgulho não apenas não o deixava confessar, como também levava a intensas discussões com os amigos, os quais não escondiam ou renegavam a vontade de ascender social e economicamente por meia da arte. E é partindo deste debate acerca da busca por aceitação e sucesso que o filme analisa a amizade entre Cézanne e Zola.

No entanto, há um problema que atrapalha o desenvolvimento do longa. Como um bom filme francês, Cézanne e Eu é constantemente verborrágico, especialmente quando se trata do pintor, que, apesar da boa interpretação de Gallienne, em vez de ser o artista atormentado que quebra os próprios quadros e despreza os valores burgueses que a produção pretende, é apenas uma personagem insuportavelmente histérica e egocêntrica, egoísta ao extremo, além de um tanto quanto hipócrita, e nunca o pintor deprimido de alma torturada que o roteiro pretende mostrar.

E, como se isso não fosse o bastante, todas as outras personagens – principalmente Zola – são incompreensivelmente condescendentes com Cézanne, mesmo que este seja a epítome do desagradável. Com isso, em vez de explorar a improvável amizade entre seres tão opostos, o longa apenas mostra uma relação abusiva, sendo o pintor o opressor e o escritor o oprimido. E nos poucos momentos em que toda essa fidelidade e paciência é explicada – após dois atos de explosões de Cézanne e contemporização de Zola -, não há o impacto emocional que deveria, justamente por não haver um arco dramático bem estruturado – mesmo que o filme faça um uso até competente do vai-e-vem temporal.

Com relação aos aspectos técnicos, a cinematografia – a qual utiliza, predominantemente, tons amadeirados, ocres e pasteis – ajuda a transportar o espectador para o século XIX, assim como a impecável reconstituição de época. Narrativamente, o roteiro abusa um pouco de exposição para situar o público acerca dos grandes acontecimentos da época, mas isso não chega a truncar o andamento da trama, diferente do foco da produção, que parece não saber se quer mostrar a amizade entre os dois artistas ou mostrar como Cézanne era um frustrado insuportável – o que, provavelmente, não aconteceria se a cineasta trabalhasse com recortes temporais em vez de com um evento presente permeado por flashbacks.

Assim, Cézanne e Eu é um filme que ganharia mais se inserisse seus dois protagonistas em um cenário mais amplo, o que enriqueceria a trama, mas, optando por uma abordagem mais intimista, o longa não consegue desenvolver os laços entre o pintor o escritor, resultando em um retrato raso e caricatural de duas horas de duração. É uma pena, visto que duas figuras tão icônicas da História Mundial mereciam uma produção que impressionasse tanto quanto suas obras.

 

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