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“Cadê Você Bernadette?” apresenta com bom-humor as dimensões da doença do século

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Por Tatiane Alves

O que leva uma arquiteta extraordinariamente talentosa, bem-sucedida e reconhecida pelo seu trabalho, desaparecer de repente para um lugar incomum? Dirigido por Richard Linklater( Boyhood , Escola de Rock),  A adaptação do livro da autora Maria Semple  é uma comédia dramática, que em um determinado momento, fará o telespectador perguntar a si mesmo o porquê que o ar engraçado do início do filme muda drasticamente do meio para o fim da trama.

Acontece que, Bernadette (Cate Blanchett) é uma mulher inspiradora para muita gente, amada por sua filha (Emma Nelson) e esposo (Billy Crudup), além de ser uma arquiteta brilhante. No entanto, há um conflito interno que fica visível e que ao longo da história se estabelece como base ao levar a personagem apresentar-se de forma contraditória. Há uma dicotomia entre dor e prazer crescente na trama que nos conduz à empatia, pois de alguma forma nos damos conta de que existe alguma coisa de errado acontecendo com a personagem mesmo que sua vida seja, aparentemente, perfeita. A relação com sua família, vizinhos, amigos e o crescimento do conflito interno se desdobra em confusões vividas pela personagem que vão dando o tom de sobriedade. Em alguns momentos, essa narrativa é feita por sua filha que sabe descrever todas as facetas de sua mãe.

E que confusões! O ponto alto delas se dá entre Bernadette e sua suposta ‘assistente virtual’ Manjula Kapoor que, aparentemente, parece resolver todos os seus problemas do dia a dia.   Elgin intervem(Billy Crudup), famoso pelo trabalho que desenvolve na Microsoft culmina como resposta, no desaparecimento da protagonista. Pois é, ela some.

Ao que parece ser banal, Bernadette parou de criar e passou a viver sem sentido em torno da família. Uma vida comum que pode ser, muitas vezes, insuportável para um artista. E ouso dizer, para as mulheres. Ela some para reencontra-se consigo mesma. Acredito que essa é grande mensagem do filme. O processo de regresso para si emociona. Mais uma vez, é possível que o telespectador sinta empatia ou se veja na personagem. Quem nunca foi acometido por uma tristeza profunda a ponto de querer desaparecer?

A sequência que mescla com muito bom-humor as dimensões da depressão da protagonista e sua busca pelo sentido da vida, se passa na Antártida. Logo, a fotografia do filme muda de nuance, mas casa perfeitamente com a dramaticidade do roteiro. No fim das contas, o amor cura. E a personagem volta a criar e a surpreender-se consigo mesma, conquista o coração dos telespectadores mais ranzinzas e termina com aquele final feliz recheado de belas imagens do Polo Sul.

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