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	<title>Arquivos A Favorita do Rei - Rota Cult</title>
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	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
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	<title>Arquivos A Favorita do Rei - Rota Cult</title>
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		<title>A Favorita do Rei reconstitui o romance entre o monarca Luís XV e a cortesã, Marie-Jeanne Bécu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Nov 2024 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[A Favorita do Rei]]></category>
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<p class="has-text-align-center">Atriz desde criancinha, Maïwenn Aurélia Nedjma Le Besco chamou a atenção das plateias da França, seu país natal, quando tinha uns 7 anos, interpretando a versão mirim da personagem de Isabelle Adjani em &#8220;Verão Assassino&#8221; (1983), de Jean Becker. Naturalizada argelina, em respeito às raízes de sua família materna, ela passou a década de 1980 atuando, também na TV, até pausar sua carreira após um casamento com o diretor Luc Besson, com quem começou a namorar aos 15 anos. Teve uma filha com ele, Shanna, e parou tudo para cuidar da menina. Sua relação amorosa com o realizador de &#8220;Subway&#8221; (1985) acabou em 1997, quando ele a deixou para namorar Milla Jovovich, mas a vida seguiu, e plena. Maïwenn não apenas retornou às câmeras como criou uma carreira (bem-sucedida) por trás dela, como cineasta. Estreou na direção com um curta, &#8220;I&#8217;m An Actrice&#8221;, em 2004, e passou aos longas dois anos depois, com &#8220;Pardonnez-moi&#8221;, sem jamais largar o formato. Rodou outros cinco títulos, entre os quais &#8220;A Favorita do Rei&#8221; (&#8220;Jeanne du Barry&#8221;), que abriu o Festival de Cannes em 2023, o que elevou seu cacife na indústria na audiovisual europeia. Chegando agora às telas nacionais, essa produção, orçada em cerca de US$ 22 milhões, virou &#8220;O&#8221; sucesso de público do Festival Varilux, no Brasil.</p>


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<figure class="alignright size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="517" height="352" src="https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2024/11/A-Favorita-do-Rei.png" alt="A Favorita do Rei" class="wp-image-183710" srcset="https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2024/11/A-Favorita-do-Rei.png 517w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2024/11/A-Favorita-do-Rei-300x204.png 300w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2024/11/A-Favorita-do-Rei-150x102.png 150w" sizes="(max-width: 517px) 100vw, 517px" /></figure>
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<p class="has-text-align-center">Apesar de austera, um tanto morna sua narrativa (paradoxalmente) contextualiza a desmesura afetiva, os arroubos do querer. É um tema recorrente nos filmes dirigidos por Maïwenn, o que lhe deu status de diretora autoral, em especial depois de &#8220;Meu Rei&#8221; (2015). Em tom de folhetim histórico, a trama de <em>A Favorita do Rei </em> é baseada em fatos reais, reconstituindo o romance entre o monarca Luís XV (1710-1774) e uma cortesã, Marie-Jeanne Bécu (1743-1793), conhecida como Madame Du Barry, vivida pela própria diretora. </p>



<p class="has-text-align-center">No longa, o governante de uma França pré-Revolução – já chacoalhada por uma série de tormentas sociais – é vivido (e muito bem) por Johnny Depp. Aliás, este filme foi o primeiro longa estrelado por ele após a batalha judicial contra sua ex-mulher, Amber Heard. De fato, foi uma escalação bastante polêmica, mas tornou-se positivamente simbólica, a julgar pelo engajamento de Maïwenn nas batalhas feministas, sobretudo pela equidade de gêneros nas oportunidades profissionais no mercado cinematográfico.</p>



<p class="has-text-align-center">Prestigiado por 765 mil pagantes nas telas de sua nação de berço, <em>A Favorita do Rei </em>foi definido pela imprensa europeia como se fosse uma mistura de &#8220;A Favorita&#8221; (2018) com &#8220;Uma Linda Mulher&#8221; (1990), sendo muito atacado pela forma pudica como retrata o erotismo inerente ao jogo de sedução entre seus protagonistas. Esperava-se um tratamento mais caudaloso de uma cineasta que esse especializou na abordagem dos desatinos inerentes ao verbo gostar. O que se vê em seu filme é um gostar com G maiúsculo, uma paixão cercada de impasses impostos pela moral vigente.  </p>



<p class="has-text-align-center">Nota-se fogo na fotografia de Laurent Dailland, bastante cálida na temperatura de cor com que recria o Velho Mundo do século XVIII. Na direção de arte, o rebuscado design de produção de Angelo Zamparutti amplia o calor das cenas, optando por elementos de cores retintas, numa aposta (inteligente) no excesso. A abordagem de Maïwenn na construção dos planos com seu elenco, a <em>mise-en-scène</em>, é que vai pelo caminho da brandura. A taquicardia de seu &#8220;Políssia&#8221; (Prêmio do Júri em Cannes, em 2011) parece ter ficado para trás. </p>



<p class="has-text-align-center">Reflexivo, <em>A Favorita do Rei </em> conversa melhor com &#8220;DNA&#8221; (2020), o filme mais tocante de Maïwenn (até hoje), no qual ela explora sua vinculação com a cultura argelina nas raias do melodrama, gênero em que a cineasta mais se destaca. Nesse filmaço lançado no Festival de San Sebastián no auge da pandemia, ela celebra o feminino a partir de uma discussão sobre identidade, no caso, territorial e institucional, ao refletir sobre o papel político da família como instância identitária. </p>



<p class="has-text-align-center">O tema da identidade explode uma vez mais em <em>A Favorita do Rei</em>, conforme Jeanne Du Barry vai enfrentando tabus para se afirmar para além de rótulos, livrando-se da pecha de amante. Essa explosão, contudo, não é furiosa, uma vez que Maïwenn parece trocar a fúria pela delicadeza. Seu trunfo para capturar plateias reside aí, pela doçura, mas aquela Maïwenn tempestuosa de outrora, cinematicamente, era mais potente.  </p>



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