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	<title>Arquivos &quot;A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Roobertchay&quot; - Rota Cult</title>
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	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
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	<title>Arquivos &quot;A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Roobertchay&quot; - Rota Cult</title>
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		<title>&#8220;A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Roobertchay&#8221; desafia a temperatura e a pressão da palavra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Jan 2026 14:08:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>
		<category><![CDATA["A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Roobertchay"]]></category>
		<category><![CDATA[Chay Suede]]></category>
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<p class="has-text-align-center">No peito do Homem de Aço, bate um coração que usa óculos. Esse coração se chama Clark Kent, um ser que, na prática, não existe. Quem existe é Kal-El, herdeiro do trono de Krypton, um planeta reduzido a cinzas. Para curtir um devir humano, Kal-El faz&nbsp;<em>cosplay&nbsp;</em>de gente e finge ser míope. Nessa, arruma emprego (vira o Pedro Bial do Planeta Diário), engata num namoro (com Lois Lane), mas segue sendo&#8230; estrangeiro. Roobertchay Domingues da Rocha Filho não veio desse mesmo canto das galáxias. É de Vila Velha, no Espírito Santo, mas criou seu&nbsp;<em>cosplay</em>, Chay, e, com ele (à força de muito talento), virou um Tarcísio Meira dos novos tempos.</p>



<p class="has-text-align-center">&#8220;PEÇA INFANTIL – A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Roobertchay&#8221; trata dessa conversão, do garoto de Vila Velha em (bom) ator da TV. Como o Zelig de Woody Allen, ele estava no lugar certo, quando a onda passou.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">O espetáculo, contudo, não é sobre o Chay que brilha nas novelas. Não é sobre a flor, é sobre o chão de onde ela brota, como se Clark Kent resolvesse falar do Superman. Como se o&nbsp;<em>alter ego</em>&nbsp;contasse, do seu jeito, o que o corpo que o carrega passou. Para isso ele fala&#8230; palavreia. &nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Adélia Prado, poeta oracular, avisou: &#8220;A palavra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda, foi inventada para ser calada&#8221;. Aliás, o Roobertchay que mora em Suede preferiu ficar com a segunda parte desse poema-alerta (&#8220;Em momentos de graça, infrequentíssimos, se poderá apanhá-la <em>(a palavra)</em>: um peixe vivo com a mão&#8221;) ao encenar &#8220;PEÇA INFANTIL – A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Roobertchay&#8221;. </p>



<p class="has-text-align-center">Chay de ator, virou falador. Fala a dor. Encara, em cena, uma maratona onde quem corre é o verbo.  No palco, enfarpelado numa beca elegante, entra em cena qual um Miele a apresentar seus shows. A diferença é que não convoca coristas e músicas e, sim, memórias, inclusive aquelas que criou sem ter tempo de viver. O telão à sua frente vira seu Carnegie Hall. A Broadway de seu relato parece &#8220;Fantasia&#8221; (1940), de Walt Disney: substantivos e advérbios dos mais estrambóticos se animam em seu falar, numa espécie de <em>mockumentary</em> de si mesmo&#8230; só que &#8220;autogeográfico&#8221;&#8230; com o Espírito Santo em foco.  </p>



<p class="has-text-align-center">A elegância da direção de arte de Daniela Thomas, certamente, nos convida a lembrar de &#8220;Barry Lyndon&#8221; (menos o livro, de 1844, e mais o filme de 1975, dele derivado), pela semelhança temática. O romance de William Makepeace Thackeray (filmado magistralmente por Stanley Kubrick) e a peça aqui em foco, escrita por Felipe Hirsch e Caetano W. Galindo, falam de heróis acidentais que, navegando as águas da História com retidão, chegaram a alguma glória. </p>



<p class="has-text-align-center">Lyndon beirava a nobreza (e caía dela). O protagonista de &#8220;PEÇA INFANTIL – A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Roobertchay&#8221; é informado de que virou celebridade. Se lido numa relação especular com a vida Chay&#8230; ele virou, como dito acima, o Tarcisão dos novos tempos. Dá para embarcar no experimento de Galindo e Hirsch (também responsável pela direção) por esse prisma. Mas fica melhor quando se distorce a figura do fundo.</p>



<p class="has-text-align-center">Fora do uniforme azul e vermelho do Homem de Aço, o S que em&nbsp;<em>kryptonês</em>&nbsp;quer dizer &#8220;esperança&#8221; é só um S. Roobertchay, descolado de Suede, é tipo o Tristram Shandy de Laurence Sterne (1713-1768), autor muitas vezes citado no texto. Tratando-se da grife Felipe Hirsch é natural que as literatices entram em fervura.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Na herança dos satiristas, Tristram é um Macunaíma que narra sua própria vida numa lógica digressionista, dinâmica na qual um fato trivial puxa alguma situação exemplar da Europa de outrora. A estrutura é tão complexa que o cinema só conseguiu tirar UM filme (e ainda assim um filme bem&nbsp;<em>marromeno</em>) dali, e só em 2005, via Michael Winterbottom, com Steve Coogan.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Numa certa medida, Winterbottom fez, como Hirsch e Galindo, um &#8220;jogo de armar&#8221;, um falso doc. em forma de transposição histórica. O humor permite que ele tome emprestado de Sterne uma forma de executar uma crônica dos nossos descalabros do presente. Com Rooberchay não é diferente. Tristram tinha um tio, Toby. Nosso protagonista tem um Toby também, o tio Ziza.<br> <br>Todo mundo tem um Ziza ou um Toby. De mesma forma, todo mundo fantasia parte daquilo que viveu. Recordar é fazer a vivência pular corda. Ao fim do pulo, ficam os resquícios, só que temperados de saudade (ou de melancolia). Toda lembrança pode ser um épico, como as de Tristram&#8230; ou as de Roobertchay.   </p>



<p class="has-text-align-center">Sendo assim, recorda-se (de um jeito inventado) uma penca de coisa em &#8220;PEÇA INFANTIL – A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Roobertchay&#8221;, ao longo de 12 capítulos. As peripécias de um pai bom de Corel Draw, um sensei de judô craque de lábia e a ExpoTuba, uma espécie de Disneylândia capixaba de tubarões arranca risadas da plateia, conforme o menino que virou Chay &#8220;canta para subir&#8221;.</p>



<p class="has-text-align-center">O saldo de gols, para o placar da seleção Hirsch, é o avanço de casas do encenador no tabuleiro da semiologia, ao espatifar signos verbais e explorá-los como se fossem jazidas, entre os quais a marca Toddy e o neologismo &#8220;abracadobram-se&#8221;. Tem sido essa a toada de Hirsch em recentes expedições como &#8220;Língua Brasileira&#8221;. </p>



<p class="has-text-align-center">Para Suede, num tensionamento radical do quão mentirosa pode ser a imaginação da gente e do quanto a ideia de &#8220;real&#8221; pode ser apenas contingente, o resultado é uma viagem ao centro da sua terra mais profunda. De lá saem tubarões, evocações a Elvis Presley e uma atuação corajosa, balizada por um falar em ladainha, de risco, de rabisco, de ousadia.</p>



<p><a href="https://rotacult.com.br/2025/12/chay-suede-estreia-no-teatro-com-peca-infantil/">Saiba mais sobre a peça!</a></p>
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