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	<title>Arquivos cinema LGBTQIAPN+ - Rota Cult</title>
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	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
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		<title>Maré Alta: Marco Pigossi emociona em seu primeiro longa como protagonista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Francisco Carbone]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Mar 2025 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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<p class="has-text-align-center">Estreia na direção de longas metragens de Marco Calvani,&nbsp;<em>Maré Alta&nbsp;</em>não tem muitos pares para espelhar uma exemplificação. O cinema LGBTQIAPN+&nbsp;parece funcionar apenas para reforçar discursos, e essa é uma posição que se afirma de maneira positiva ou negativa. Se por um lado temos o reforço de olhares assertivos a respeito da nossa própria existência, também observamos a confirmação de estereótipos que só servem para julgar, a nós ou aos espaços que circulamos. As produções ora são leves e despreocupadas, geralmente solares e cheias de vida, ou disfarçam sua densidade com cores cinzas, dias nublados e atmosfera melancólica. Em alguns projetos inclusive demarcam os momentos onde as coisas precisam ser de um jeito ou de outro.&nbsp;</p>


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<figure class="alignright size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="960" height="574" src="https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mare-Alta.jpeg" alt="Maré Alta" class="wp-image-186988" style="width:508px;height:auto" srcset="https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mare-Alta.jpeg 960w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mare-Alta-300x179.jpeg 300w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mare-Alta-768x459.jpeg 768w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mare-Alta-702x420.jpeg 702w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mare-Alta-150x90.jpeg 150w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mare-Alta-696x416.jpeg 696w" sizes="(max-width: 960px) 100vw, 960px" /></figure>
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<p class="has-text-align-center">Calvani tem formação teatral como dramaturgo, diretor e ator, e talvez por isso seus atores aqui estejam tão à vontade na forma como se posicionam, uns aos outros ou nos espaços ocupados. Em seu primeiro título no cinema, o cineasta italiano não foge dos espinhos de sua narrativa, mas escolhe fazê-lo quase sempre à luz do dia, em meio a cenários naturais e abertos, criando uma aura de conforto para o que está sendo contado, que nem sempre tem sutileza emocional.&nbsp;<em>Maré Alta&nbsp;</em>é uma produção muito honesta e frontal sobre o que enfrenta homens gays de idades diversas em relações amorosas, ainda que conte com um foco bastante específico, etária e social.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Digo isso tudo simplesmente porque, em meio a tantas produções &#8220;honestas, cheias de significado e sensíveis&#8221; envolvendo pessoas heterossexuais, nunca será demais quantos filmes &#8216;queer&#8217; estrearem. O que&nbsp;<em>Maré Alta&nbsp;</em>tem de especial, além de tratar com humanidade e respeito os sentimentos verdadeiros de pessoas que perderam um grande amor e caíram em uma espécie de pré-depressão? Eu diria que isso por si só já é notável, em sua busca pelos espaços de pertencimento que estamos diariamente lutando por. Por mais minúsculos que possam ser acusados filmes como&nbsp;<em>Do Outro Lado da Dor&nbsp;</em>ou&nbsp;<em>Our Son</em>, que tratam com sobriedade temas como o luto e o divórcio; particularmente, acho que &#8220;tais filmes simples&#8221;, não tem nada para serem chamados assim.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Maré Alta&nbsp;</em>conta, a princípio, a história de Lourenço, jovem brasileiro em problemas com o visto nos EUA, vivendo em Provincetown, considerada uma das vilas mais abertamente &#8216;queer&#8217; da América do Norte. Mas não é só isso: Lourenço acabou de ser abandonado por Joe, e agora vive de favor nos fundos da casa de um amigo de seu ex-namorado. Claramente abalado, Lourenço vive em uma comunidade à beira-mar com problemas até prosaicos, mas absolutamente verdadeiros. Marco Pigossi, em sua estreia em uma produção de longa-metragem globalizada, entende em absoluto seu personagem e o vive com entrega emocionante. Reencontrar o amor, que parece sempre estar à espreita, é apenas mais um dado de uma cadeia de eventos que não para de se mover. A vida é assim, né?</p>



<p class="has-text-align-center">Tão envolvidos com a sinceridade do projeto, a dupla de Marcos (que na vida real é um casal) não percebe que seu filme incorre em diversas facilitações de roteiro que o deixam mais próximo de clichês mais tradicionais do que o filme gostaria de aparentar. Iguais aos entraves da direção, porque&nbsp;<em>Maré Alta&nbsp;</em>não tem um bom apuro no que vemos, parecendo que a sensibilidade com que é nutrido vários momentos não deixaram perceber que muitas vezes faltou arrojo na decupagem, ou entender que histórias &#8220;banais&#8221; envolvendo pessoinhas reais como as encenadas por Mike Leigh, Kenneth Lonergan ou Noah Baumbach, não pode ser desprovida de arestas técnicas. É um resultado ligeiramente agridoce, quando somos envolvidos pela natureza do que é contado, sem deixar de perceber o que os lugares que o filme deixa desguarnecidos.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Com um elenco coadjuvante que inclui as estrelas Marisa Tomei e Bill Irwin muito bem em seus tipos, eles servem como complemento de uma abordagem bastante precisa sobre esse jovem assolado pelos contratempos diários de uma existência. É isso que, certamente, coloca <em>Maré Alta </em>ainda em um espaço de reconhecimento dos valores que estão sendo perseguidos, e alcançados em resultado final. Se a contrapartida da realização não sustenta as qualidades que seu relevo pediria, ainda assim é possível encontrar pontos de veracidade em seu registro. Isso é um ponto pra lá de positivo, que o filme consiga sustentar seu interesse do início ao fim graças ao olhar carinhoso que lança para as pessoas que precisam de um abraço, e que Pigossi entrega em seu estado mais puro de compreensão. </p>



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