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	<title>Arquivos Corações Jovens - Rota Cult</title>
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		<title>Corações Jovens apresenta melancólica narrativa sobre descobertas na adolescência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Francisco Carbone]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Nov 2025 14:00:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Há três anos, o cinema mundial foi assolado por uma pedrada belga:&#160;Close, de Lukas Dhont, saiu com o segundo lugar do Festival de Cannes daquele ano, e foi indicado ao Oscar de filme internacional. Nas telas, a história de uma amizade infanto-juvenil que é interligada ao amadurecimento de seus protagonistas, uma tragédia em seu caminho [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">Há três anos, o cinema mundial foi assolado por uma pedrada belga:&nbsp;<em>Close</em>, de Lukas Dhont, saiu com o segundo lugar do Festival de Cannes daquele ano, e foi indicado ao Oscar de filme internacional. Nas telas, a história de uma amizade infanto-juvenil que é interligada ao amadurecimento de seus protagonistas, uma tragédia em seu caminho e vários questionamentos de orientação sexual na juventude. Belíssimo, o filme emocionou quem o assistiu com sua melancólica narrativa acerca do início de um entendimento acerca de quem somos. A mesma Bélgica não demorou a produzir uma espécie de resposta a Dhont, e o resultado é&nbsp;<em>Corações Jovens</em>, dirigido por Anthony Schatteman, e que vai bem mais a fundo no que seu conterrâneo só pincelou, em resultados ainda mais surpreendentes.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Tratar a existência LGBTQIAPN+ com toques de melancolia, até efetivamente buscar um desfecho trágico avassalador, é esperado entre 8 de 10 filmes sobre o assunto. Mesmo obras aclamadas por suas excelências esbarram na derrocada emocional como um balizador para essas existência, vide o próprio&nbsp;<em>Close&nbsp;</em>e também&nbsp;<em>Moonlight</em>,&nbsp;<em>Me Chame pelo seu Nome</em>,&nbsp;<em>Brokeback Mountain</em>&nbsp;e tantos títulos. Ainda assim, um respiro existencial para um outro tratamento, que percorra alguma tristeza sem precisar ir até os limites da dor, é uma forma também de dizer para o espectador que não apenas de depressão e flagelo vive a comunidade&nbsp;<em>queer</em>&nbsp;e suas relações.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">O que&nbsp;<em>Corações Jovens&nbsp;</em>faz então não é um processo de auto reflexão acerca da culpa (em relação a si mesmo e ao que se sente), mas de encontrar dentro do horror prometido uma fonte de beleza e paz. Óbvio, trata-se de uma história de amor e mais que isso, de descoberta do amor, na adolescência &#8211; ou início dela &#8211; ou seja, um período onde todas emoções estão multiplicadas por 10. Logo, esse é um roteiro que compreende a carga emocional que tais personagens impingem uns aos outros, mas principalmente a si mesmos. Para esse olhar, o destino trágico que é ainda aventado pelas referências ao&nbsp;<em>Romeu&nbsp;+ Julieta</em>, adaptação do clássico de Shakespeare pelas mãos de Baz Luhrman, ele espreita a narrativa, como se nos dissesse a respeito da capacidade dessa história em descambar para o campo do fatal.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">As escolhas de Schatteman, no entanto, evocam o que de mais profundo e belo existe na inocência do primeiro amor, que eventualmente não está mais alocado no tradicional menino e menina. A cada nova investida de seu protagonista Elias em uma tentativa de entendimento particular, a resposta é motivada pelo desconhecido traduzido pela incompreensão. Em cena das mais bonitas, o protagonista assume para seu escolhido, Alexander: &#8220;eu nunca vi um menino apaixonado por outro&#8221;. A falta de referências do amor entre iguais, e da auto estima que é repetidamente arrancada de grupos ditos minoritários agrava o que a adolescência já maltrata de maneira natural. E&nbsp;<em>Corações Jovens&nbsp;</em>acaba por mostrar ao seu personagem central que tais dúvidas são normais, quando se percebe apaixonado por quem está tão avançado nas mesmas questões.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Toda a delicadeza empregada em uma narrativa como essa aqui encontra o aval na direção que torna toda a ambientação iluminada, para nunca cair no óbvio de tornar escura uma situação que já não é necessariamente alegre, ao menos em sua abordagem inicial.&nbsp;<em>Corações Jovens&nbsp;</em>já carrega esse estigma inicial da falta de auto aceitação em torno do que se é, seja essa definição para um adolescente hetero ou para uma figura gay. O filme então se vale de cores fortes, como um eterno verão, onde a juventude empregada pelo filme tenha suas desavenças sentimentais, mas mantenham-se unidas acima de tudo, Não se trata de uma visão edulcorada de fantasia para um universo que guarda o oposto na vida real, mas de uma colocação sem o peso da tragédia que geralmente é empregada em realizações assim. Sem perder de vista o horror tradicional, sempre à espreita.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Na cabeceira de&nbsp;<em>Corações Jovens</em>, o trabalho de Lou Goossens impressiona pela maturidade com que cada camada de sentimento é trabalhada em cena, e em como seus conflitos estão cada vez mais aflorados, sendo o seu próprio corpo e rosto os vetores de novos andamentos do filme. Em um dos muitos clímax que seu personagem enfrenta, enquanto pede para o carro da família parar, suas reações físicas, a forma como ele porta sua estrutura cênica, o coloca como um sério candidato à melhor performance masculina da temporada, mesmo sendo tão novo. É um trabalho de inteligência emocional profundo, que permite nossa conexão de maneira tão rápida; são seus olhos e sua expressão corporal que nos carrega para dentro de um dos filmes mais verdadeiros e humanos de 2025. E, porque não, repleto de atalhos para a felicidade, que precisamos de tempo para enxergar.&nbsp;</p>



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