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	<title>Arquivos David Lynch - Rota Cult</title>
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	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
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	<title>Arquivos David Lynch - Rota Cult</title>
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		<title>&#8216;Vermes Radiantes&#8217; faz rir ao expor microfísicas de controle</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Sep 2025 17:26:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>
		<category><![CDATA[bel hooks]]></category>
		<category><![CDATA[David Lynch]]></category>
		<category><![CDATA[Philip Ridley]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Colheradas diárias de Bel Hooks (1952-2022), autora que é pilar de uma prática inclusiva de benquerer, dá à digestão do texto teatral de origem inglesa &#8220;Vermes Radiantes&#8221; uma taxa menos tórrida de refluxo político. Como disse a escritora: &#8220;Quando escolhemos amar, escolhemos nos mover contra o medo – contra a alienação e a separação. A [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">Colheradas diárias de Bel Hooks (1952-2022), autora que é pilar de uma prática inclusiva de benquerer, dá à digestão do texto teatral de origem inglesa &#8220;Vermes Radiantes&#8221; uma taxa menos tórrida de refluxo político. Como disse a escritora: &#8220;Quando escolhemos amar, escolhemos nos mover contra o medo – contra a alienação e a separação. A escolha por amar é uma escolha por conectar – por nos encontrarmos no outro&#8221;.</p>



<p class="has-text-align-center">No ethos de Bel, a simbiose afetiva plena exige respeito, coisa que existe entre os pombinhos de &#8220;Vermes Radiantes&#8221;. Jill e Ollie se gostam e se querem pacas, até debaixo d&#8217;água e no meio dessa história há um neném vindo se somar aos dois, na barriguinha. Tudo vai bem. Tudo dá match! </p>



<p class="has-text-align-center">Porém, o bagulho só enfeia quando rola a chance de eles irem para uma casa nova. Uma casa que parece feita sob encomenda para o futuro ser próspero. Só que tem um mas nessa jogada&#8230; sempre tem. </p>



<p class="has-text-align-center">Se Jill e Ollie tivessem lido Bel Hooks, ali onde ela diz  &#8220;quando somos ensinados que a segurança está na semelhança, qualquer tipo de diferença parece uma ameaça&#8221;, nosso estimado casal teria evitado uma baita encrenca. Não deu para evitar, mas, pelo menos, eles curtiram uma festa, e que festa!</p>



<p class="has-text-align-center">Vale dizer que o trecho da montagem brasileira da saga de Jill e Ollie &#8211; no original, &#8220;Vermine Radiant&#8221; &#8211; dedicado à tal micareta, é um engenho cênico de fazer a plateia quicar na poltrona. Uma vez que Maria Eduarda de Carvalho está a cara da Laura Dern (e atua com tanto magma quanto a estrela dos EUA) e Rui Ricardo Dias investe num modo Nicolas Cage de explodir em cena, fica difícil olhar para os palcos sem pensar em <em>Coração Selvagem,</em> a Palma de Ouro de 1990.</p>



<p class="has-text-align-center">Os dois fazem de &#8220;Vermes Radiantes&#8221; a peça mais David Lynch do teatro brasileiro atualmente. O duo de atores é, certamente, lynchiano não pela estranheza, mas por sua semiótica. Cada gesto dos dois nos leva a um novo signo a ser decifrado com foco nas opressões mais silenciosas que existem na contemporaneidade </p>



<p class="has-text-align-center">Daí se fazer menção aos ensaios de Bel Hooks, aríete da luta contra o sexismo e oráculo nas batalhas antirracismo. O intuito de trazê-la à tona, para se falar da (orto)grafia dramatúrgica do inglês Philip Ridley, parte de uma licença poética despertada pela sociologia depurada por essa escritora em sua mirada sobre microfísicas de poder. O trator que tenta esmagar Jill e Ollie tem seu alicerce na gentrificação. A nova planificação dos lares é um convite &#8211; na lógica do capitalismo &#8211; ao redesenho das gentes que a ocupam. </p>



<p class="has-text-align-center">Ridley esgueirou-se sob um precipício similar em &#8220;The Pitchfork Disney&#8221; (1991) e em &#8220;The Fastest Clock in the Universe&#8221; (1992). Seu estilo, o In-yer-face Theatre (uma plenária de piquete na qual ação é agressão, ou seja, combate verbal), é uma triagem contínua das armadilhas políticas para pasteurizar subjetividades e converter gente inquieta em gado servil. Trocando em miúdos, é o mesmo mal que Bel içou em sua obra e expôs para debate.</p>



<p class="has-text-align-center">Raivoso como todo o bom Ridley já encenado pelo planeta, &#8220;Radiant Vermin&#8221; chega sob uma luminosa tradução feita por Diego Teza, o texto faz rir a granel sem diluir o castrofismo de seu autor na gargalhada. Além disso, a montagem Alexandre Dal Farra impede que a fera fique civilizada e perca sua conexão coma a natureza apocalíptica do dramaturgo britânico.</p>



<p class="has-text-align-center">Tudo é o que vemos é uma reminiscência dos trovões que rugiram no céu de Jill e Ollie na mudança. Ouvimos a versão deles, nunca a da figura que serve como um agente imobiliário para a tal casa sonhada, figura desenhada por Marcos França, que, na reta final da temporada passa a ser vivida por Pedro Precisa.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Pavimentado sob uma cenografia dionisíaca, com assinatura de Stéphanie Fretin e Camila Refinetti, &#8220;Vermes Radiantes&#8221; entra em erupção conforme Rui e Maria Eduarda deslocam as placas tectônicas da inércia moral. A iluminação apolínea de Lucas Brandão oferece aos dois uma atmosfera ideal para uma pesquisa cênica hilária.</p>



<p><a href="https://rotacult.com.br/2025/09/vermes-radiantes-no-teatro-das-artes/#google_vignette">Saiba mais sobre a peça!</a></p>



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		<title>CIDADE DOS SONHOS tem versão restaurada em 4K nos cinemas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rota Cult]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Apr 2025 14:07:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Matérias]]></category>
		<category><![CDATA[CIDADE DOS SONHOS]]></category>
		<category><![CDATA[David Lynch]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 17 de abril, CIDADE DOS SONHOS, um dos filmes mais emblemáticos de David Lynch, retorna aos cinemas brasileiros com uma nova versão restaurada em 4K. O relançamento, que chega às telas com distribuição da Retrato Filmes, oferece uma rara oportunidade para os cinéfilos de revisitar esse marco do cinema contemporâneo em toda sua complexidade visual [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">Em 17 de abril, <em>CIDADE DOS SONHOS</em>, um dos filmes mais emblemáticos de David Lynch, retorna aos cinemas brasileiros com uma nova versão restaurada em 4K. O relançamento, que chega às telas com distribuição da Retrato Filmes, oferece uma rara oportunidade para os cinéfilos de revisitar esse marco do cinema contemporâneo em toda sua complexidade visual e sonora, agora em altíssima definição.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="750" height="422" src="https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/04/CIDADE-DOS-SONHOS.jpg" alt="CIDADE DOS SONHOS" class="wp-image-187605" style="width:519px;height:auto" srcset="https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/04/CIDADE-DOS-SONHOS.jpg 750w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/04/CIDADE-DOS-SONHOS-300x169.jpg 300w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/04/CIDADE-DOS-SONHOS-746x420.jpg 746w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/04/CIDADE-DOS-SONHOS-150x84.jpg 150w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/04/CIDADE-DOS-SONHOS-696x392.jpg 696w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></figure>
</div>


<p class="has-text-align-center">Lançado originalmente em 2001, o longa-metragem se tornou uma das obras mais aclamadas de Lynch, consolidando sua posição como um dos maiores cineastas da História do cinema. A trama, que segue a história de Betty (Naomi Watts), uma jovem atriz que chega a Los Angeles com grandes sonhos de fama, e Rita (Laura Harring), uma mulher que perde a memória após um acidente, se desenrola em uma espiral de mistério, surrealismo e introspecção psicológica.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">A restauração em 4K não se limita a uma simples atualização tecnológica, mas é um trabalho minucioso que recupera cada detalhe da cinematografia e das cores de Lynch. A profundidade visual, agora mais vibrante e precisa, dá nova vida aos aspectos mais sombrios e sublimes do filme, enquanto a tensão crescente e o suspense psicológico ganham um impacto ainda maior. Para aqueles que já conhecem a obra, essa versão oferece a chance de redescobrir minuciosos detalhes que passaram despercebidos por muitos.&nbsp;<em>&#8220;A restauração em 4K de Cidade dos Sonhos permite a experiência cinematográfica que a obra-prima merece! A cópia está linda e a Retrato está muito feliz em poder dar esse presente para os cinéfilos poderem redescobrir a obra e novos públicos tenham contato com a genialidade de David Lynch&#8221;</em>, relatam Daniel Pech e Felipe Lopes, fundadores da Retrato Filmes.</p>



<p class="has-text-align-center">Além da ousada e enigmática narrativa,&nbsp;<strong>CIDADE DOS SONHOS</strong>&nbsp;também se destaca por sua crítica à indústria cinematográfica de Hollywood. Através de uma abordagem irônica e muitas vezes perturbadora, Lynch revela os bastidores sombrios de Los Angeles, a &#8220;cidade dos sonhos&#8221;, e os enganos e desilusões que cercam aqueles que buscam o estrelato. Em uma época em que o glamour e o sucesso são frequentemente vendidos como promessas inalcançáveis, o filme serve como um lembrete pungente sobre as desventuras de quem se arrisca nesse jogo de ilusões.</p>



<p class="has-text-align-center">Sua restauração em 4K promete impressionar tanto os admiradores antigos quanto os novatos na obra de Lynch, consolidando sua relevância no cenário cinematográfico contemporâneo.&nbsp;<strong>CIDADE DOS SONHOS&nbsp;</strong>entra em cartaz nos cinemas brasileiros em&nbsp;<strong>17 de abril</strong>&nbsp;com distribuição da Retrato Filmes.</p>
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		<title>David Lynch é homenageado com mostra cinematográfica no CCBB</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rota Cult]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jan 2025 11:00:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Mostras de Cinemas]]></category>
		<category><![CDATA[CCBB]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[David Lynch]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Cinemateca do MAM e o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro anunciam a continuação da parceria de programação dedicada ao mundo do cinema em todas as suas épocas, origens, gêneros e expressões. Após três meses de sessões lotadas, o projeto Cinemateca do MAM no CCBB volta a partir do dia 29 de janeiro [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">A Cinemateca do MAM e o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro anunciam a continuação da parceria de programação dedicada ao mundo do cinema em todas as suas épocas, origens, gêneros e expressões. Após três meses de sessões lotadas, o projeto <em>Cinemateca do MAM no CCBB</em> volta a partir do dia 29 de janeiro de 2025, com uma homenagem ao diretor norte-americano David Lynch, morto no último dia 15 de janeiro. </p>



<p class="has-text-align-center">A programação especial para as salas do CCBB seguirá até setembro deste ano. Com curadoria de  Ruy Gardnier, a mostra  sobre David Lynch (1946-2025) revisita sua obra. Cineasta, roteirista, produtor, artista visual e músico, revolucionou as relações entre cinema e televisão, e criou um imaginário visual em que a candura da cidade pequena estadunidense dos anos 1950 contrastava com o horror absoluto da violência que vinha dela mesma. Seu primeiro grande projeto foi <em>Eraserhead </em>(1977), um filme experimental sobre ansiedade paterna. O sucesso artístico do título permitiu que Lynch fizesse em seguida seu primeiro filme hollywoodiano: <em>O homem elefante </em>(1982), que acabou indicado a oito Oscars. </p>



<p class="has-text-align-center">É&nbsp;<em>Veludo azul&nbsp;</em>(1986), no entanto, que dá facetas definitivas ao estilo de Lynch, incorporando a seu cinema elementos do noir e do suspense hitchcockiano, e encontrando a semente do mal no meio da mais pacata cidadezinha dos EUA.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Junto com o roteirista Mark Frost, Lynch adapta sua visão de mundo para a TV na pioneira série&nbsp;<em>Twin Peaks&nbsp;</em>(1990-91) que, por trás da intriga do&nbsp;<em>whodunnit</em>, criava um universo perturbador, atmosférico e denso, sem paralelo no mundo. Foi efetivamente o primeiro&nbsp;<em>autor&nbsp;</em>de séries de tv. No mesmo ano de Twin Peaks,&nbsp;<em>Coração selvagem</em>&nbsp;ganhava a Palma de Ouro no Festival de Cannes.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Mas é sua obra posterior que o leva ao panteão da arte cinematográfica.&nbsp;<em>Estrada perdida&nbsp;</em>(1997) e&nbsp;<em>Cidade dos sonhos</em>&nbsp;(2001) dão nó na cabeça do espectador e afirmam a autonomia da cena em relação à trama, criando um universo em que a lógica linear é ultrapassada e dela brotam seres fantásticos, impossíveis, maravilhosos. A trama agora é apenas o pretexto para figuras oníricas e surreais, encanto e horror.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Twin Peaks: O retorno</em>, de 2017, carrega essa radicalização para a TV e novamente Lynch revoluciona a série televisiva produzindo uma obra fragmentada e vanguardista que encantou tanto quanto desorientou. Hoje, o termo <em>lynchiano </em>se estende do cinema às artes visuais, dominando o mundo. Uma obra dessa envergadura merece ser vista numa tela de cinema, e parte substancial dessa trajetória poderá ser vista nessa homenagem.</p>



<p class="has-text-align-center">A mostra gratuit<strong>a</strong> &#8220;Homenagem a David Lynch&#8221; exibe, entre quarta (29) e sexta-feira (31), nove trabalhos do diretor.</p>
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		<title>David Lynch e seu fascínio surrealista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Francisco Carbone]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jan 2025 21:56:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Matérias]]></category>
		<category><![CDATA[David Lynch]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando Eraserhead foi lançado, David Lynch já tinha completado 31 anos. Em 48 anos de existência artística, foram apenas dez longas metragens, e &#8220;Twin Peaks&#8220;; não precisou de mais. Poucos influenciaram tanto a História do Cinema (e continuarão influenciado) quanto sua obra, que é muito mais diversificada do que convencionou-se declarar. Ao mesmo tempo, essa influência seguirá muito [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">Quando <em>Eraserhead </em>foi lançado, David Lynch já tinha completado 31 anos. Em 48 anos de existência artística, foram apenas dez longas metragens, e &#8220;<em>Twin Peaks</em>&#8220;; não precisou de mais. Poucos influenciaram tanto a História do Cinema (e continuarão influenciado) quanto sua obra, que é muito mais diversificada do que convencionou-se declarar. Ao mesmo tempo, essa influência seguirá muito mais emocional do que prática, porque trata-se de uma obra única, cujos predicados não são apenas reais, como quase impossíveis de reproduzir. </p>



<p class="has-text-align-center">Particularmente, só tive chance de conferir a obra de David Lynch nos cinemas de maneira regular a partir dos seus três últimos títulos. Nada disso impediu que seu olhar fosse crucial para que se formasse em mim um embrião que me traria até aqui, com a humilde missão de falar sobre sua trajetória, e o quanto ele é responsável pela cinefilia que igualmente formou o jornalista e o crítico de cinema que vos escreve. </p>



<p class="has-text-align-center">Nascido em 20 de janeiro de 1946 em Montana, seus avós migraram da Finlândia e da Suécia para os Estados Unidos no século 19. Por causa da colocação do pai Donald, um cientista que trabalhava para o Departamento de Agricultura, sua família foi obrigada a se mudar muitas vezes durante sua infância, o que contribuiu para sua timidez. Após um rápido namoro, David Lynch casou-se com a namorada Peggy aos 21 anos, e logo posteriormente sua filha Jennifer nasce, que se tornaria cineasta como ele. Ainda em 1967, lançaria seu primeiro curta metragem, <em>Six Men Getting Sick (Six Times)</em>, o primeiro de muitos que viria a dirigir durante sua carreira, e o primeiro dos sete lançados antes justamente de <em>Eraserhead</em>.</p>



<p class="has-text-align-center">Aliás, as reações ao filme, muito incensado dentro de sua radicalidade narrativa, desde a estreia foram observadas como um rasgo de autoralidade dentro de uma observação crítica. Comparado automaticamente a Luis Buñuel, a relevância de <em>Eraserhead </em>foi tão imediata que apenas três anos depois, uma major (no caso, a Paramount Pictures) abria suas portas para sua entrada entre os &#8220;maiores&#8221; , e assim David Lynch  correspondeu com o segundo de seus clássicos, <em>O Homem Elefante</em>. Indicado a oito Oscars, vieram daí suas duas primeiras indicações, como diretor e roteirista. </p>



<p class="has-text-align-center">Talvez tenha sido essa, ainda criança, minha primeira reunião com o cineasta. Tive medo, isso eu lembro bem &#8211; a imagem de John Hurt muito maquiado encenando a vida real John Merrick eram planos que demoraram a sair da minha memória. Mas estava de alguma forma semeada ali uma característica que Lynch dominou como ninguém em sua filmografia: a alegoria do medo, representada pelo desconhecido, pela exacerbação do real, pela ilusão.&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-large is-resized"><img decoding="async" width="1024" height="538" src="https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Duna_de_David_Lynch-1024x538.png" alt="" class="wp-image-185350" style="width:383px;height:auto" srcset="https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Duna_de_David_Lynch-1024x538.png 1024w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Duna_de_David_Lynch-300x158.png 300w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Duna_de_David_Lynch-768x403.png 768w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Duna_de_David_Lynch-800x420.png 800w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Duna_de_David_Lynch-150x79.png 150w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Duna_de_David_Lynch-696x365.png 696w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Duna_de_David_Lynch-1068x561.png 1068w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Duna_de_David_Lynch.png 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
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<p class="has-text-align-center">Após isso, seu único fracasso, foi reconfigurado ao longo dos anos, a primeira adaptação de <em>Duna</em>, lançada em 1984, foi a última vez, vejam só, que o cineasta conviveu com a incompreensão coletiva, em uma espécie de faroeste futurista. Porém, nem deu tempo de sentir qualquer estrago, <em>Veludo Azul </em>é lançado apenas dois anos depois e com nova indicação ao Oscar e a primeira passagem por Cannes, onde ganharia o prêmio máximo, a Palma de Ouro, quatro anos depois, por <em>Coração Selvagem</em>. </p>



<p class="has-text-align-center">Enfim, surge o primeiro registro do Lynch pop como conhecemos, e o que é considerado por muitos como sua obra-prima, &#8220;<em>Twin Peaks&#8221; </em>trouxe um sopro de frescor à TV americana que não passou despercebido. As duas primeiras temporadas trouxeram muito mais do que a frase &#8216;quem matou Laura Palmer?&#8217;; para um público sedento por dramaturgia, essa foi uma forma de entrar nos meandros de uma cidade amoral, ambígua, cheia de costumes inusitados e personagens sem conceitos morais para reger suas trajetórias. Era uma amostra do que se passava pela sua imaginação sem freios. </p>


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<figure class="alignright size-full"><img decoding="async" width="200" height="297" src="https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Mulholland-Drive-Cidade-dos-sonhos.png" alt="" class="wp-image-36502"/></figure>
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<p class="has-text-align-center">Mas Lynch queria e podia mais. Se nada teria nos preparado para&nbsp;<em>Estrada Perdida</em>,&nbsp;<em>Cidade dos Sonhos&nbsp;</em>foi um experimento que nasceu maldito e quase cancelado, para dar lugar ao símbolo máximo do novo milênio no que se refere a cinema de vanguarda. O mundo cinematográfico não seria o mesmo depois de conhecermos a história de Betty e Rita, duas mulheres que se conhecem em circunstâncias surreais para estabelecer um elo crescente que revela um tanto sobre Hollywood e sua máquina de aparências. É muito mais do que isso, na verdade, o que não é nenhuma surpresa para quem conhece obra e autor, de um lado o retrato mais referendado acerca do Cinema nos últimos 25 anos e do outro&#8230; bem, seu Criador.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Aliás, minha primeira sessão de <em>Cidade dos Sonhos</em>, foi em maio de 2002, certamente, revelador de uma imagem de futuro, pra mim. O cinéfilo que se arriscava já existia bem antes da estreia brasileira do filme, mas através dessa sessão é que todas as conexões foram enfim desenhadas e definidas. Perdi a conta de quantas vezes assisti <em>Mulholland Dr. </em>(seu título original), a mais recente no ano passado na melhor tela possível. É através desse filme, e da genialidade de seu diretor, que consigo regularmente tornar a me encontrar, perceber o cinéfilo que há em mim, e através dele me reconfigurar para uma próxima temporada. </p>


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<figure class="alignleft size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="551" src="https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Imperio-dos-Sonhos-1024x551.png" alt="" class="wp-image-185351" style="width:417px;height:auto" srcset="https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Imperio-dos-Sonhos-1024x551.png 1024w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Imperio-dos-Sonhos-300x162.png 300w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Imperio-dos-Sonhos-768x413.png 768w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Imperio-dos-Sonhos-780x420.png 780w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Imperio-dos-Sonhos-150x81.png 150w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Imperio-dos-Sonhos-696x375.png 696w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Imperio-dos-Sonhos-1068x575.png 1068w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Imperio-dos-Sonhos.png 1278w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
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<p class="has-text-align-center">Ainda teria uma sessão no Festival do Rio sentado no chão para conferir&nbsp;<em>Império dos Sonhos&nbsp;</em>&#8211; um filme que merece e clama por uma redescoberta &#8211; e, bem antes do apagar das luzes, a Netflix foi a responsável por suas últimas teclas de audiovisual, e nada foi o mesmo (mais uma vez) após a derradeira temporada de&nbsp;<em>Twin Peaks</em>, talvez o evento cinematográfico mais comentado do ano em 2017 &#8211; sem ser necessariamente cinema. E ainda assim, sendo em absoluto.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Hoje, Lynch nos deixou depois de relatar uma luta contra um enfisema causado pela nicotina irreparável. Ao repetir que não existirá outro como ele na História do Cinema, é aceitar que não teremos uma mínima porcentagem de sua originalidade no corpo, mas também perceber que sua sua filmografia não cabe em qualquer escopo que seja. É maior que agregadores de notas, que premiações e que quadros de consulta; maior que &#8216;finais explicados&#8217; e maior que alguma definição possível. Sua contribuição é da altura do que fez David Bowie na música, Liv Ullman na atuação, Salvador Dalí nas artes plásticas, Stephen Hawking na ciência. Sem que qualquer um ousasse ou conseguisse lhe &#8220;pedir emprestado&#8221;, está na veia de quem o assistiu, sua permanência.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">No entanto, hoje, silêncio. No hay banda.&nbsp;</p>
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