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	<title>Arquivos DEVORA-ME - Rota Cult</title>
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	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
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	<title>Arquivos DEVORA-ME - Rota Cult</title>
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		<title>&#8216;Devora-me&#8217; faz fotossíntese para desopilar nossas travas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Jan 2026 14:06:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Electra que nos dê licença, com seu complexo, identificado na Psicologia numa conexão entre a força feminina e os vínculos paternos, mas Adélia Prado (hoje a maior poeta do país), ilumina mais o entendimento do que se vê na vertiginosa peça &#8220;Devora-me&#8221;. Escreve a mineira assim ó: &#8220;Numa ocasião, meu pai pintou a casa toda [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">Electra que nos dê licença, com seu complexo, identificado na Psicologia numa conexão entre a força feminina e os vínculos paternos, mas Adélia Prado (hoje a maior poeta do país), ilumina mais o entendimento do que se vê na vertiginosa peça &#8220;Devora-me&#8221;. Escreve a mineira assim ó: &#8220;Numa ocasião, meu pai pintou a casa toda de alaranjado brilhante. Por muito tempo, moramos numa casa, como ele mesmo dizia, constantemente amanhecendo&#8221;. </p>


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<figure class="alignright size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="930" height="453" src="https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/04/DEVORA-ME-.jpg" alt="Devora-me" class="wp-image-187960" style="width:492px;height:auto" srcset="https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/04/DEVORA-ME-.jpg 930w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/04/DEVORA-ME--300x146.jpg 300w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/04/DEVORA-ME--768x374.jpg 768w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/04/DEVORA-ME--862x420.jpg 862w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/04/DEVORA-ME--150x73.jpg 150w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/04/DEVORA-ME--696x339.jpg 696w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/04/DEVORA-ME--533x261.jpg 533w" sizes="(max-width: 930px) 100vw, 930px" /></figure>
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<p class="has-text-align-center">O amanhecer é a chave do que se vê no palco entre os Kosovskis: a filha Luiza, papai Ricardo e o irmão (da filha) Pedro, encenador. O rolê parte de &#8220;Rei Lear&#8221; (1606), o que dá a William Shakespeare (1564 – 1616), por usucapião da majestosidade na escrita, holofotes de peso. Mas como a operação dramatúrgica de Marcia Zanelatto (em seu texto mais simétrico&#8230; e mais lindo) gravita por um intimismo que o filão épico dos monarcas não hospeda, melhor ir por Adélia. A tese de sua poesia: &#8220;Qualquer infância é antiga&#8221;. Ai!</p>



<p class="has-text-align-center">Seu livro mais recente, &#8220;O Jardim das Oliveiras&#8221; (lançado pela Editora Record), fala um bocado de mães, mas há lugar para pais (o tema de Lear e de Zanelatto) em suas páginas. Para começo de conversa há vez para o &#8220;pai maior&#8221;, no que ela escreve: &#8220;Deus dirá para mim, quando eu morrer: &#8216;Toma, filha, a Eternidade é sua'&#8221;. O Todo-Poderoso que entra em &#8220;Devora-me&#8221; é, no máximo, um resquício da ancestralidade judaica dos Kosovski. Mas não esqueça de que o Deus do povo judeu tem em Abraão &#8211; aquele que sobre a montanha para sacrificar o próprio filho &#8211; um herói.</p>



<p class="has-text-align-center">O sacrifício de Abraão é mobilizado por amor, palavra que Lear desconhece (a princípio), mas que une bem Luiza e Ricardo, fora e dentro do palco, numa dinâmica cênica que é rito, é aula, é abraço e é abrigo. Sem contar que ele está hilariante numa farta parcela da encenação, e dribla o tédio nosso de todo dia com passes de Garricha, numa goleada em prol da graça.</p>



<p class="has-text-align-center">Ela nos ajuda a passar pelo istmo que une o continente da culpa (a judaica, a cristã, a que for) e chegar na ilha de excelência teatral que é a obra de Shakespeare a partir de uma premissa. Um pai e uma filha querem montar um espetáculo. Têm como inspiração (ou melhor, como molde) o terrário, um recipiente onde ecossistemas compactos que pode ser criado em casa. Vemos uns em cena. Eles servem de metonímia (a parte pelo todo) e metáfora (um casulo, onde pai e filha se amalgamam). &nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Um terrário é tipo uma jarra de vidro, com terra dentro, o que permite, no trânsito do oxigênio e do gás carbônico, via fotossíntese, a manutenção de plantas. O texto de Zanelatto (autora do colosso &#8220;Outras Marias&#8221;) é, em si, um terrário onde palavras desabrocham em signos e em segredos. Umas são puro desabafo (&#8220;Teatro é uma loucura&#8221;), algumas são constatações geométricas (&#8220;Desproporcional é a vida&#8221;), outras são algébricas (&#8220;Paixão é o adstringente do medo&#8221;) e há ainda profecias (&#8220;Tua verdade será teu dote&#8221;).&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Não importa o que é de Shakespeare e o que de Zanelatto. No terrário, tudo é lavoura. E na transparência do aquário vítreo, espelhado na dionisíaca cenografia de Beli Araújo e Lidia Kosovski por um círculo em cena, a colheita que brota primeiro é semeada por uma evocação a &#8220;Rei Lear&#8221;, no gesto do senhor da Bretanha em expulsar a filha, que era sua preferida, Cordélia.</p>



<p class="has-text-align-center">Luiza se veste e se despe de si, indo e vindo de sua personagem, com relatos que soam biográficos, a debater a sina de Cordélia numa instância quase mítica, a fim de desnudar a permanência (impertinente) do patriarcado, como sendo um mal trágico. Em metástase.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Numa atuação firme, na mecânica jogralesca da direção de Pedro Kosovski, ela tem seus traços de humor também, dos bons, sobretudo ao brincar com a ideia de um Enem para pais. Ricardo passou nesse exame, dada a conexão que se vê entre ele a colega de cena (e filha), num jogo de armar e desarmar que nos lembra que Teatro&#8230; aquele com T maiúsculo&#8230; que dá tesão&#8230; é processo, é descoberta, é ponto de partida sem ponto de chegada.</p>



<p class="has-text-align-center">A poesia com P, qual a de Adélia Prado, é assim também. Por isso, lá de sua Divinópolis (MG), que fica longe do solo bretão de Lear&#8230;, ela lacra: &#8220;Coitada da menstruada, da que não pode falar na sinagoga e precisa de véus e leis para estar apenas calada&#8221;. Cordélia sabe isso bem, assim como muitas personagens de Zanelatto (vide sobretudo a peça &#8220;Diadorim&#8221;).</p>



<p class="has-text-align-center">Esse saber se metamorfoseia em muitos caminhos (uns se fecham; uns tergiversam) na sólida arquitetura de &#8220;Devora-me&#8221;, mas esfinge alguma morde a mão dos Kosovski, nem a nossa. O que abocanha a nossa perplexidade é uma forma brasileiríssima (e muito afetuosa) de contar Lear e festejar o empoderamento de Cordélia.</p>



<p class="has-text-align-center">Antes, quando se pensava em releituras de Lear, íamos para o &#8220;Ran&#8221; (1985), de Akira Kurosawa (1910-1998), ou para a monumental atuação de Walmor Chagas (1930-2013) em &#8220;Os Maias&#8221;, a minissérie de Luiz Fernando Carvalho. Hoje, Zanelatto está nessa genealogia, com os Kosovski.</p>



<p class="has-text-align-center">Aliás, a iluminação ricochete de Lina Kaplan em &#8220;Devora-me&#8221;, (numa operação de Luz feita com destreza de Jiraya por Tayná Maciel) está com eles nessa instância de eficácia. Do ladinho dela entra a direção musical de Felipe Storino.Como os terrários em cena são luxo, magia, raio, estrela e luar, que se destaque a supervisão técnica de Giselle Falbo na criação deles. Cada vido em cena, ou exposto em vídeo, amplia a translucidez de um espetáculo que deslinda nossas travas. Em nome do pai&#8230; da filha&#8230; </p>



<p><a href="https://rotacult.com.br/2026/01/devora-me-em-nova-temporada-no-teatro-firjan-sesi-centro/">Saiba mais sobre a peça!</a></p>
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		<title>&#8220;DEVORA-ME&#8221; , uma peça de teatro dentro de uma peça de teatro, estreia na Tijuca</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rota Cult]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Apr 2025 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adulto]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>
		<category><![CDATA[DEVORA-ME]]></category>
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<p class="has-text-align-center">&#8220;DEVORA-ME&#8221; traz uma peça de teatro dentro de uma peça de teatro. Pai e filha na vida real se encontram em cena como pai e filha ficcionais, sob o olhar do filho mais velho e diretor, Pedro Kosovski. Esta família, nascida e criada dentro do teatro, se reúne em mais uma empreitada artística para aprofundar a pesquisa da linguagem de autoficção iniciada no espetáculo TRIPA<strong>S</strong> &#8211; com texto e direção de Pedro Kosovski e atuação de Ricardo Kosovski, a peça foi vencedora do Prêmio Shell de Inovação. Agora, através dos pontos de ruído e afinidade na relação entre pai e filha, a dramaturgia navega por temas como envelhecimento, cuidado, poder, finitude. </p>



<p class="has-text-align-center">&#8220;DEVORA-ME possibilita um encontro único e transformador entre uma filha e um pai, Luiza e Ricardo Kosovski, experimentando-se para além dos laços consanguíneos e biográficos. Só o teatro é capaz de movê-los para além de si mesmos e desmontar essa estrutura social, por vezes tão asfixiantes, que nomeamos família. É nesta aguda fronteira da criação que ela e ele conseguirão se perceber não mais como pai e filha apenas, mas como dois artistas, duas pessoas, corpos pulsantes em um jogo afetivo mais horizontal e plural.&#8221;, reflete Pedro Kosovski, diretor.</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>SINOPSE</strong> &#8211; Um pai idoso e sua filha temporã, depois de anos afastados, tentam se comunicar. Ele, um experiente ator. Ela, uma jovem atriz. O pai oscila entre a fina lucidez e descontrolados delírios. A filha tenta se equilibrar entre os cuidados com este pai e a raiva e exaustão. Como estratégia de convivência, decidem ensaiar o personagem Rei Lear, antigo sonho dele. O véu da autoficção agora permite que <em>Pai-Ator-Lear</em> e <em>Filha-Atriz-Cordélia </em>descubram novas formas de expressar o que não pode ser dito, ao mesmo tempo em que vislumbram a finitude na figura do pai.</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>SERVIÇO</strong>: <strong>De 24 de abril até 18 de maio </strong>/  SESC Tijuca – Teatro II &#8211; Rua Barão de Mesquita, 539, Tijuca  /  CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 18 anos / <strong>2ª TEMPORADA</strong> a partir de 06 de junho no Espaço Cultural Municipal Sergio Porto (Rua Humaitá, 163 – Humaitá) / HORÁRIOS: sextas e sábados às 20h e domingos às 19h / INGRESSOS: R$40e R$20 (meia) em <a href="https://riocultura.eleventickets.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://riocultura.eleventickets.com/</a>  </p>
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