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	<title>Arquivos Devoradores de Estrelas - Rota Cult</title>
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	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
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		<title>Devoradores de Estrelas: Ryan Gosling e Sandra Hûller conectam euforia e pragmatismo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Francisco Carbone]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Mar 2026 14:44:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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<p class="has-text-align-center">O ser humano é absolutamente fascinado pelo espaço; a cinefilia usa e abusa dessa noção para continuar explorando a ilimitada vastidão do espaço em produções que tentam elaborar novas visões sobre um lugar tão desconhecido e amplificado.&nbsp;<em>Devoradores de Estrelas</em>, nova adaptação de uma obra de Andy Weir (também de&nbsp;<em>Perdido em Marte</em>), igualmente escrita para as telas por Drew Goddard, estreia essa semana com comentários que garantem a ele uma vida longa por 2026, até certa premiação do ano que vem. Mas um filme deve ter suas qualidades validadas por possíveis indicações, e tais predicados só se tornam válidos quando atrelados a esse resultado? Em tempos de resultados, essa parece ser uma matemática com a qual os analistas não parecem dispostos a abrir mão, infelizmente; filmes devem sempre ter sua independência a apetrechos externos.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">A dupla de diretores Phil Lord e Christopher Miller parece estar em seu melhor e mais inatacável momento. Um trabalho de construção árdua nos últimos 15 anos os trouxeram até aqui, partindo das animações; o quarteto de mãos é responsável direto por sucessos como&nbsp;<em>Tá Chovendo Hambúrguer!&nbsp;</em>e&nbsp;<em>Uma Aventura Lego</em>, e indireto em outras duas obras incríveis,&nbsp;<em>A Família Mitchell e as Revolta das Máquinas&nbsp;</em>e o trio de longas de&nbsp;<em>Homem-Aranha no Aranhaverso</em>, como roteiristas e produtores. Depois de comandar hits também em live-action (<em>Anjos da Lei</em>), esse&nbsp;<em>Devoradores de Estrelas&nbsp;</em>é um passaporte definitivo para o time classe A do campo hollywoodiano, conseguido com o esforço e a recompensa (ao público) com uma obra desconcertante&nbsp;sobre, pasmem!, o afeto nos dias de hoje.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Assim como outros projetos onde a lógica do significado se projeta para longe do que é filmado, Weir e Goddard não escondem da produção seu caráter, digamos, científico.&nbsp;<em>Devoradores de Estrelas</em>, no entanto, não precisa &#8211; e nem deve &#8211; ser assistido pelo aval do significado, mas do significante; tentar capturar a síntese de tudo o que é proferido por profissionais da física no filme é uma tarefa menor. Por que nosso olhar é sistematicamente deslocado para outras minúcias da produção, essas sim suas verdadeiras motivações narrativas. Trocando em miúdos, caso o espectador não seja astrofísico ou estudante de exatas, o que está sendo vendido não é exatamente a definição&nbsp;<em>ipsis literis&nbsp;</em>do que é narrado: veja a beleza do que é construído nas entrelinhas do concreto.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Devoradores de Estrelas&nbsp;</em>é, acima de tudo, uma bonita homenagem de dois sujeitos que provavelmente cresceram como boa parte de nós, animado com o melhor da ficção científica oitentista, tais como&nbsp;<em>Cocoon</em>,&nbsp;<em>Viagem ao Mundo dos Sonhos</em>,&nbsp;<em>Inimigo Meu&nbsp;</em>mas principalmente do primeiro Spielberg, aquele de&nbsp;<em>E.T.&nbsp;</em>e&nbsp;<em>Contatos Imediatos do Terceiro Grau</em>. Filmes que, assim como essa obra, estão preocupados com o encontro e com o que nasce entre eles, de como o horror do fim pode ser uma construção da melancolia, e em como esse sentimento é diluído a partir da conexão verdadeira. Da empatia e do entendimento que precisariam&nbsp;acontecer para que fossem evitadas guerras e conflitos civis; diria que os autores em questão são antibelicistas em essência, e encontram saída na última&nbsp;possibilidade de amor que nasce da certeza do fim.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Apesar da inexplicável velocidade com que é apresentado, que acaba por criar uma dissonância na edição lá pela sua metade, sua longa duração acaba por permitir que a narrativa em questão seja desenvolvida em ritmo mais introspectivo do que poderíamos supor pela largada. É como se o filme abandonasse o ritmo natural de seu protagonista para adentrar na espiral de espera que uma vida espacial é capaz. Após isso, a solidão pelo qual Ryan Gosling é impingido (e que nos remete a clássicos como&nbsp;<em>2001&nbsp;</em>ou obras recentes como&nbsp;<em>Lunar</em>) dá lugar a uma inusitada investigação pelo afeto que nunca se ousou permitir. Sem desenvolver o que seu protagonista poderia carregar,&nbsp;<em>Devoradores de Estrelas&nbsp;</em>não tenta ser um projeto mais inacessível do que poderia, pelo contrário; a vontade intrínseca da obra é de entreter, mesmo quando a atmosfera é de reflexão acerca da vida e da morte, e o que fazer entre essas duas certezas.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Capitaneado por interpretações coligadas entre Gosling e Sandra Hûller (indicada ao Oscar por&nbsp;<em>Anatomia de uma Queda</em>, em ano que parece ser seu), que conectam euforia e pragmatismo,&nbsp;<em>Devoradores de Estrelas&nbsp;</em>também respira esse ar. O filme quer carregar uma ambição estrutural para o discurso técnico que carrega, sem deixar de envolver o espectador na sua busca particular por um afeto que não se sabe onde foi perdido, em tempos onde o fim está cada vez mais próximo. Com seu visual arrebatador e singular mesmo para espectadores já tarimbados da ficção científica, o filme abre o ano para os blockbusters de sucesso com o sarrafo bem alto para seus rivais. Lord e Miller, em meio ao entretenimento, nunca deixam de provar uma dose bem avantajada de ambição estética, o que coloca sua obra em um recorte especial da fábrica de mesmices do gênero. Sua sensibilidade para esse tratado sobre recuperar o livre arbítrio no fim dos tempos causa emoção de verdade, e mostra que o futuro da máquina hollywoodiana talvez esteja garantido.&nbsp;</p>
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