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	<title>Arquivos Fernando Philbert - Rota Cult</title>
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	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
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		<title>&#8220;Job&#8221; pressuriza incertezas numa narrativa de tensão</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Jan 2026 14:23:45 +0000</pubDate>
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<p class="has-text-align-center">Pérola do tempo em que o thriller erótico foi um dos filões de maior lucratividade do cinemão, o hoje esquecido &#8220;Desejos&#8221; (&#8220;Final Analysis&#8221;, 1992), de Phil Joanou, partia de quatro elementos (uma mulher, um homem, uma violência e Freud), a fim de devassar hipocrisias que não têm voz nem em consultórios de psiquiatras, nem nas mais catárticas sessões de psicanálise. Aliás, seu procedimento, com Kim Basinger e Richard Gere como protagonistas, lá na década de 1990, conversa um pouco com o que o dramaturgo Max Wolf Friedlich põe em cena em &#8220;Job&#8221;.</p>



<p class="has-text-align-center">Uma das estreias mais mobilizadoras do teatro brasileiro neste alvorecer de 2026, a montagem desse texto ganha holofotes midiáticos por levar aos palcos uma estrela de finos ferramentais cênicos que não se pasteurizou frente ao ramerrame global da TV: Bianca Bin. Parcialmente, o seu notável desempenho na telenovela &#8220;O Outro Lado do Paraíso&#8221; (2017), de Walcyr Carrasco, também centrado em armadilhas psiquiátricas, vem à tona em &#8220;Job&#8221;.</p>



<p class="has-text-align-center">A peça é  conduzida por Fernando Philbert numa variável de tons. Logo em sua encarrada, após o susto de uma ameaça à mão armada, rimos com a inconstância dos humores de Jane, a personagem de Bianca. Ela é uma especialista em filtrar conteúdo impróprio na internet, que um dia foi funcionária exemplar de uma grande empresa de tecnologia. Foi&#8230; até surtar. </p>



<p class="has-text-align-center">Após acumular vasta quilometragem de horrores digitais, em seu &#8220;job&#8221; como testemunha do ambiente tóxico das redes, ela sofre um colapso na firma. Além disso, carrega um discurso de que só irá regressar ao batente caso ganha um &#8220;induto&#8221; freudiano, ou seja, um laudo positivo de um analista, papel confiado a (um algébrico) Edson Fieschi. Certamente, cada (re)ação dele soa calculada.</p>



<p class="has-text-align-center">Quando &#8220;Job&#8221; estreou nos EUA, em 2023, no Soho Playhouse de Nova York, a encenação era protagonizada por Sydney Lemmon e pelo incontinente Peter Friedman (o Frank Vernon da série &#8220;Succession&#8221;, antes conhecido por &#8220;Mulher Solteira Procura&#8221;, outro marco lá daquela era de &#8220;Desejos&#8221;). Ser um vulcão em erupção (em cena) é parte da dinâmica dessa ator, que tem modos de operação similares ao de Fieschi.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Quem viu o ator brasileiro na (deliciosa) montagem de &#8220;A Garota do Adeus&#8221; (de 2012/13), em brilhante evocação de Richard Dreyfuss, ou na TV, como João Manuel, no folhetim &#8220;Meu Bem, Meu Mal&#8221; (1990-91), detecta os vulcões que fumegam a partir dele. O desafio aparente de um ator do calibre dele em &#8220;Job&#8221; é represar as incontinências à espera de trovões.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Troveja no Teatro Total Energies (Sala Adolpho Bloch) no momento em que a&nbsp;<em>talking cure</em>&nbsp;(a terapia pela fala) entre o analista (Fieschi) e Jane (Bin) descamba para a agressividade, no ato de ela puxar uma arma. Até dado ponto, ficamos no relato de um aborto e de um ex-namorado (um tal de Sid) sem noção (e machista). Depois&#8230; ela força o psicanalista a abrir seus verbos&#8230; a rasgar as cortinas de sua vida particular. Aí&#8230;&nbsp;<em>Malandro!</em>&nbsp;Sai de baixo que vem desgraça. &nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">O que vem não tem filtro, mas tem um timbre tenso, que torna a peça um thriller, num clique de eficácia de Philbert, numa retomada de caminhos já explorados por ele antes (vide &#8220;Três Mulheres Altas&#8221;), só com mais pressão. A luz de Vilmar Olos, aplicada à cenografia de Natália Lana, pressuriza o palco a um limite de implosão. Mas o olhar vindicante de Jane, na atuação impecável de Bianca não implode. Assim como não implode também a viçosa engenharia plástica dos figurinos de Ronald Teixeira.</p>



<p><a href="https://rotacult.com.br/2025/12/bianca-bin-e-edson-fieschi-trazem-job-ao-rio-de-janeiro/">Saiba mais sobre a peça!</a></p>
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