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	<title>Arquivos irmãos Lumière - Rota Cult</title>
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		<title>Thierry Frémaux se debruça sobre a criação do cinema, o tempo e a sociedade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Francisco Carbone]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Dec 2025 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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<p class="has-text-align-center">Thierry Frémaux é o diretor artístico e principal curador do Festival de Cannes há alguns bons punhados de anos, mas ultimamente ele tem se dedicado a uma espécie de autoria cinematográfica diferente. Fascinado pelos feitos e obras dos irmãos Auguste e Louis Lumière, considerados pela maior parte dos historiadores como os Pais do Cinema, ele tem constantemente se debruçado na sua filmografia para elaborar uma espécie de reflexão sobre a criação do cinema, o tempo e a sociedade. Em&nbsp;<em>Lumière! A Aventura Continua</em>, ele retoma suas pesquisas que desembocam na reunião de seu material para construir uma narrativa linear e única a respeito de temas tão específicos quanto universais, mostrando porque tais artistas estavam à frente do seu tempo verdadeiramente.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Enquanto Auguste só tem 12 créditos de direção, seu irmão Louis tem mais de 150 títulos em sua autoria. Grande parte deles estão no&nbsp;tomo inicial de Frémaux,&nbsp;<em>Lumière! A Aventura Começa</em>, lançado há 10 anos; agora, ele retoma o projeto, ainda como narrador e autor, ao organizar esse grupo de cópias restauradas e unir suas singularidades em esquetes. A partir de tais disposições, o diretor transforma em verbetes tais segmentos para comentar, a partir deles, um recorte de cinema, um outro tanto de recorte de sociedade, além de um tanto de História. O que poderia ser facilmente assimilado de maneira repetitiva, é na verdade um jogo fascinante de observação de um recorte autoral curado por outro, uma retorcida disposição que deixa de comunicar-se como um período para organizar todos.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Sem arrogância, Frémaux não tenta impor sua visão em cima de obras de mais de 100 anos. O que ele faz é aguçar nossos sentidos,&nbsp;ao perceber&nbsp;e provocar detalhes pouco escondidos em uma vasta rede de imagens, que são reproduzidas com alguma frequência e criam o que iríamos conhecer como assinatura. A linguagem apresentada pelo narrador é acoplada ao que Louis conseguia compreender acerca do mundo que o rodeava, e que é absorvida pelo roteiro igualmente construído por Frémaux. Estava no silêncio com o qual o cineasta encarava tais artifícios da época, tais informações subliminares que&nbsp;<em>Lumière! A Aventura Continua&nbsp;</em>repensa para apresentar um painel atemporal e muitas vezes político, que não se dobrava aos costumes do período.</p>



<p class="has-text-align-center">Iam principalmente além do seu tempo, além do que a arte que criaram poderia dizer; podemos dizer que, sem elaborar muito, os irmão Lumière inventaram outros conceitos, e um deles é o da sobrevivência. Através do que eles elaboraram de reflexão silenciosa, em uma época do cinema sem som e da ausência das molas de marketing que promovem obras hoje, eles pensaram na comunicação que seria aplicada num futuro muito distante deles. O que Frémaux consegue ao fazer sua leitura a partir da compilação de&nbsp;<em>Lumière! A Aventura Continua</em>, é abrir as portas das discussões que estão codificadas em uma obra cheia de relevo como a que vemos aqui, onde se discute desde conceitos básicos de feminismo e justiça, como também pincela o mundo de hoje das mazelas praticadas em qualquer que seja o momento histórico, principalmente a incompreensão entre os seres.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Como esses filmes estão todos por aí, ao alcance do domínio público, qual seria o motivo para assistir&nbsp;<em>Lumière! A Aventura Continua</em>, ou mesmo para a realização do mesmo? O reflexo dessas obras, dispostas em conjunto, com essa espécie de curadoria e narração de seu pensador, é o que nos conecta à experiência. Ao conversar com o que é apresentado, estamos diante de uma realização que, embora se prestem ao debate posterior, abdicam do mesmo porque sozinho, esse programa apresentado já conta com esse recurso, pela simples união entre eles e posterior narração. Assim sendo, assistir ao longa-metragem ganha um propósito não apenas para esse reencontro, como também para que seus códigos sejam difundidos e que o diálogo a partir deles não se assentem, mas justamente criem fricção junto a outros, de predisposições distintas.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">O que esse ensaio de Frémaux acaba por fazer é nos submergir em mais de 100 pequenos filmes dos seus autores (ou, como já dito, mais precisamente de Louis) para encontrar questões que não envelhecem, e que já estavam no Cinema há mais de um século. São observações &#8211; e até algumas recriações contemporâneas &#8211; que nos deslocam do hoje para o passado, para encontrar fantasmas perdidos que, vejam só, dialogam conosco através da História. Sem experimentação e da forma mais imersiva possível,&nbsp;<em>Lumière! A Aventura Continua&nbsp;</em>não é um painel audiovisual de experimentação, mas uma seleção consciente de verbetes que ressoam na vida cotidiana pelo espaço-tempo afora, sublinhadas por dois homens que ousaram uma investigação através da imagem pelo nosso comportamento. Com a ousadia de registrar o detalhe, a textura, o mínimo de cada situação e emoção, nos levando a sentir tudo de novo, e nos comunicarmos além da existência.&nbsp;</p>



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