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	<title>Arquivos Marcus Alvisi - Rota Cult</title>
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	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
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		<title>&#8220;O Bem-Amado&#8221; arranca gargalhadas com reflexão sobre o poder</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Jan 2025 11:00:00 +0000</pubDate>
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<p class="has-text-align-center">Eufrazino Puxa-briga, aquele caubói de bigodão frondoso sempre na cola do Pernalonga, é a primeira alusão à cultura Pop produzida pela atual montagem de &#8220;O Bem-Amado&#8221;. Lembra-se dele quando Diogo Vilela entra em cena, hilário, esbanjando velhacaria, no papel de Odorico Paraguaçu. Pedro Stamford e Ronald Teixeira embalaram a Sucupira dos anos 2025 qual um (bom) desenho dos Looney Tunes. A profusão de cores na cidade em que ninguém morre é dionisíaca, fazendo jus (na realidade) à ideia de um recanto para veranistas no litoral baiano e (na ficção) à herança estética da versão desse texto de 1962 para a TV, em 1973. </p>



<p class="has-text-align-center">A cenografia dessa dupla, esculpida no cinzel da inteligência, leva a gente a uma ambiência similar às animações da Warner Bros., na qual o Dirceu Borboleta de Tadeu Mello faz lembrar (em sua inocência) o Gaguinho. Só não temos bigornas Acme caindo do céu. A ironia cortante da escrita de Alfredo de Freitas Dias Gomes (1922-1999) cumpre esse papel, simbolizando o inusitado da vida, que cai na cabeça de um Brasil acossado por espertalhões empossados, nas urnas, pelo populismo.</p>



<p class="has-text-align-center">Publicado na revista &#8220;Cláudia&#8221;, em 1963, numa seção de contos, e encenado em 1969 pela trupe Teatro de Amadores de Pernambuco, no Recife, &#8220;O Bem-Amado&#8221; deriva de um caso real, ocorrido numa cidadezinha do Espírito Santo, narrado a Dias Gomes pelo jornalista Nestor de Holanda (1921-1970). Em terras capixabas, um alcaide teria sido eleito com a promessa de abrir um cemitério para seus conterrâneos, mas se deparava com um problema político: não tinha a quem enterrar, pois o índice de mortes no local caiu. Havia ali um enredo mais estranho do que ficção, e ele logo virou peça.</p>



<p class="has-text-align-center">Odorico tornou-se o anti-herói síntese do repertório sociológico de Dias Gomes em sua tipografia de vivências nordestinas (acrescente nelas o Zé do Burro, de &#8220;O Pagador de Promessas&#8221;), que servem como metáfora para as contraindicações morais da torpeza política em nossa gênese como nação. A Bahia está ali (como recorrentes menções a Salvador), o Nordeste está ali, mas há um apanhado do país como um todo, sobretudo na constante aparição do arquétipo do &#8220;pai do povo&#8221;. O paternalismo de Odorico é condensado com fina esperteza crítica por Vilela em seu ar de (suposto) protetor de seus agregados. Esse tom traduz uma moléstia crônica em nossos governantes. Um mal em metástase. </p>



<p class="has-text-align-center">Na década de 1970, em plena Ditatura, a TV Globo conseguiu fazer o Brasil rir (como catarse) do engenho populista ao levar Odorico à telinha, como telenovela (e depois série), apoiada no talento do titã Paulo Gracindo (1911-1995). Ele apostava num tom bufo para compor uma espécie de saruê que roía as beiradas do Poder, mantendo-se firme no controle, a prometer mil utopias. Prometeu aos sucupirenses um campo santo onde os mortos daquele local pudessem ser enterrados, sob as benesses do sono perpétuo, no lar de berço. Seu dilema é não ter cadáveres. </p>



<p class="has-text-align-center">Em 2007, Marco Nanini viveu Odorico em adaptação de &#8220;O Bem-Amado&#8221; para a TV , com direção de Guel Arraes. Além disso, Guel e Nani fizeram um filme de Odorico em 2010, exibido na abertura do Cine PE de então. Nanini encontrou uma verve neoliberal para o senhor feudal de Sucupira, investigando as entrelinhas escusas de seu discurso. </p>



<p class="has-text-align-center">Parceiro recorrente de Vilela nos palcos, a começar de &#8220;Solidão, a Comédia&#8221; (1991), o diretor Marcus Alvisi encena &#8220;O Bem-Amado&#8221; a cruzar com essas duas referências históricas – a de Gracindo e a de Nanini – sem trombar com nenhuma, fazendo de seu astro rei um aríete para abrir caminhos. Encontra (e desbrava) veredas mais cartunísticas, impondo uma identidade (visual sobretudo) própria, de um <em>timming </em>suíço em sua precisão. Nenhuma deixa cômica se perde. Toda piada se valoriza. Cada um no elenco acha seu lugar de brilho, seja nas entradas mais sazonais (como a de Rollo Roquenrolo) ou nas presenças mais constantes, caso da sempre afiada Rose Abdallah (vivendo Judicéia Cajazeira) e de Ataíde Arcoverde como um descansado coveiro. <br></p>



<p class="has-text-align-center">Cabe a Chris Penna a missão de reinventar o matador Zeca Diabo (outrora Lima Duarte), o que, aliás, não é uma tarefa simples. O ator encontra um coeficiente de leveza para humanizar um estraçalhador de gente ruim, invertendo miradas moralizantes da sociologia. Já Tadeu Mello usa o vasto ferramental cômico que tem para relevar as angústias existenciais do servidor público Dirceu Borboleta. O astro fez parceria com Vilela na dublagem nacional da franquia animada &#8220;A Era do Gelo&#8221;. Fazia a voz da preguiça pré-histórica Sid, enquanto Diogo dublava o mamute Manfred. Juntos agora noutro âmbito, num microcosmo da mixórdia de quem manda, eles divertem o público (e muito) numa reflexão sobre o preço que se paga pela manutenção do trono nas quebradas de um mundaréu onde o <em>ethos </em>da lei é farinha pouca.</p>



<p class="has-text-align-center">Vale muito a leitura do livro &#8220;Odorico Paraguaçu, O Bem-amado de Dias Gomes &#8211; História de um personagem larapista e maquiavelento&#8221;, escrito por José Dias para a Imprensa Oficial, como um complemento da montagem de Alvisi. </p>



<p><a href="https://rotacult.com.br/2025/01/o-bem-amado-com-diogo-vilela-no-teatro-joao-caetano/">Saiba mais no site!</a></p>



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