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	<title>Arquivos Netlfix - Rota Cult</title>
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	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
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		<title>Jay Kelly: George Clooney faz contraponto pessoal em novo filme de Noah Baumbach</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Francisco Carbone]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Nov 2025 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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<p class="has-text-align-center">O que seria de&nbsp;<em>Jay Kelly&nbsp;</em>se não fosse George Clooney? Escolhido pelo diretor Noah Baumbach como protagonista de seu novo projeto, o astro vencedor de dois Oscars (como ator por&nbsp;<em>Syriana&nbsp;</em>e como produtor por&nbsp;<em>Argo</em>) não apenas corresponde ao personagem título do filme, porque Jay Kelly não é um homem comum. Trata-se de um astro de primeira grandeza em Hollywood, de carreira consagrada e dono de um carisma excepcional. Ao longo da produção, Clooney vai emprestando mais que o corpo ao papel, mas suas próprias vivências, suas características principais, seu estilo e algumas marcas registradas. Na sequência final da produção, uma grande homenagem é feita, e ela foi concebida para quem: Jay Kelly ou George Clooney?</p>



<p class="has-text-align-center">Parecem vazias essas questões, mas <em>Jay Kelly </em>faz com que tais chaves de leitura sejam possíveis, ao embaralhar as questões do filme com as de seu protagonista. Para o espectador, é fácil confundir os dois mundos criados em tela e questionar a validade das questões, afinal, se Clooney não aceitasse protagonizar o filme, toda a admiração (que parece genuína) que o filme elabora por seu ator estaria dedicada a outra pessoa então. E dessa forma, as homenagens prestadas então não são tão genuínas assim, o que transmite uma atmosfera artificial que retira da produção algum resquício de inocência. Sobra um projeto que estaria pronto para promover essa homenagem a qualquer um que aceitasse a escalação, e a força naturalista que o cinema estadunidense independente representa aqui, iria desfazer-se. </p>



<p class="has-text-align-center">Na tela, Jay Kelly sofre um baque ao perceber que a juventude de suas duas filhas se esvaiu, ele não acompanhou e essa sensação não é transformada em nenhuma qualidade posterior; no extracampo,&nbsp;<em>Jay Kelly&nbsp;</em>é um risco para todos os envolvidos, mas talvez para Baumbach um pouco mais. Porque o diretor parece cada vez mais longe do que um dia vendeu como essência, em filmes como&nbsp;<em>Frances&nbsp;Ha&nbsp;</em>ou&nbsp;<em>O Solteirão</em>, porque cada vez mais é engolido pela máquina hollywoodiana, que, em tese, o obrigaria a performar dentro da seara do que um cineasta como ele precisa entregar para se mostrar coerente e artisticamente ativo. Qual a diferença entre Baumbach e James Gray? Bom, só um deles parece obcecado com a indústria de premiações, seus desdobramentos e suas demandas.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Ao observar esse ângulo, seu novo filme parece pouco orgânico, mas exatamente disposto a cumprir um papel fundamental nessa cadeia alimentar do cinema feito nos Estados Unidos. Independente de suas qualidades (e ele as tem), tudo aponta aos fins para qual&nbsp;<em>Jay Kelly&nbsp;</em>foi feito. Dito isso, Baumbach consegue ler muito bem a indústria e as engrenagens do qual faz parte, e esse é o tipo do projeto onde vazam das suas curvas todo o detalhamento de relações às quais esse universo submete seus habitantes. Existe o astro devotado ao trabalho que perdeu parte de sua vida e humanidade com o que é supérfluo, existe o empresário dedicado a ele &#8211; e que também precisa manter outras dedicações coletivas, existe a família com graus de mágoa diferenciadas, existe o grupo de apoio imenso que segue tais estrelas. No roteiro escrito a quatro mãos (Baumbach recebe a co-autoria da atriz Emily Mortimer), todos ali exibem sua humanidade, para com isso contornar os laços da produção com a sinceridade coletiva.</p>



<p class="has-text-align-center">No centro da narrativa, Clooney exibe tudo o que o personagem pede, mas o fato de estar ancorado em vivências muito particulares restringe o ator (ou seria nossa percepção?) em entregar além da primeira camada. Em contrapartida, o empresário vivido por Adam Sandler exala alguns clichês narrativos pontuais, mas é regado de tanta energia pelo ator, que se desdobra para ambientar seu corpo em composição sutil, que acaba se tornando a grande motivação para adentrar&nbsp;<em>Jay Kelly</em>. O formidável elenco ainda é composto por Laura Dern, Greta Gerwig, Stacy Keach, Billy Crudup, Patrick Wilson, Jim Broadbent, mas a relação parasitária (de ambas as partes) entre Jay Kelly e seu empresário é o arco de maior fruição da produção, o mais completo e o mais bonito.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Além dos clichês narrativos, o filme ainda conta com algumas passagens cuja metáfora não é nada suave (os passeios perdido pela floresta, por exemplo), mas todas as questões são amenizadas porque Baumbach sempre irá se salvar ao olhar para o que seus atores podem entregar de melhor, e regar de veracidade seus tipos e intérpretes. Com a arte sensorial do encontro dominando as sequências,&nbsp;<em>Jay Kelly&nbsp;</em>consegue&nbsp;mostrar que a montagem não é das melhores, mas seus atores carregam seus diálogos com o peso &#8211; ou a leveza &#8211; necessárias para devolver relevância ao filme. No centro da narrativa, uma história de amor maior do que a do pai por suas filhas, mas de um homem pela percepção na direção de quem nunca o abandonou, com todos os seus defeitos.&nbsp;</p>



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