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	<title>Arquivos O Exorcismo - Rota Cult</title>
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	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
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	<title>Arquivos O Exorcismo - Rota Cult</title>
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		<title>O Exorcismo é um imenso acidente de trem desgovernado </title>
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		<dc:creator><![CDATA[Francisco Carbone]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Jul 2024 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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<p class="has-text-align-center">Antes de mais nada, um esclarecimento importante: 9 entre 10 pessoas estão a se questionar se <em>O Exorcismo</em>, que estreia essa semana nos cinemas, é continuação de <em>O Exorcista do Papa</em>; não, não é. Apenas trata-se de Russell Crowe aceitando estar em filmes de temática &#8211; ou apenas de título &#8211; muito parecidos um com o outro em pouquíssimo tempo de diferença. Tirando a temática e o protagonista, os filmes não guardam qualquer semelhança, e para quem não gostou do filme do ano passado&#8230; bem, digo para vocês que aquele lá era bom. Crowe está no seu terceiro filme de 2024 (já vimos <em>Zona de Risco </em>e <em>A Teia</em>) e esse não será o último (vem aí <em>Kraven</em>), e eu acho difícil que o próximo consiga o título de pior dos quatro que esse tomou para si.</p>



<p class="has-text-align-center">Os anteriores, filmes igualmente indignos de um dos maiores astros de Hollywood de vinte anos atrás, não eram necessariamente ruins, e sim filmes bastante abaixo da média, mas que partiam de ideias interessantes que iam se desfazendo quando a estrutura se revelava. Em ambos, Crowe ainda conseguia demonstrar seu talento intocável a qualquer adversidade. Em <em>O Exorcismo</em>, ainda que seu empenho esteja em cena, mesmo ele acaba afetado pelo todo. E, verdade seja dita, dos três títulos apresentados nessa temporada, é justamente esse o que tinha a premissa mais promissora, mas isso não impede o avanço de outro tipo de horror: aquele que, na dúvida de como encerrar ou montar um filme, resolve apenas estragar tudo o que foi visto até então. </p>



<p class="has-text-align-center">Joshua John Miller é um ator e roteirista que volta à direção vinte cinco anos depois de seu único outro projeto, e talvez seja melhor ele voltar à inatividade. As histórias sobre possíveis refilmagens, testes negativos e confusões nos bastidores da produção não justificam o que vemos. O que fazer então com um filme que não há como ser salvo? Talvez uma ideia seria transformar tudo em paródia, mudar o tom para algo jocoso, mas não cabe a crítica desejar transformar uma obra em um resultado hipotético, e sim analisar o que está em cena. E o que está aqui é pecaminoso, quando uma produção com um mínimo de interesse acaba se transformando em algo cada vez mais inassistível.</p>



<p class="has-text-align-center">O ponto de partida é, com pouco disfarce, pensar no que teria acontecido nos bastidores de <em>O Exorcista </em>(o clássico, de William Friedkin) se caso suas lendas urbanas não fossem reais. Então no centro da narrativa temos um ator tentando domar os traumas familiares e seu posterior vício, em material cênico para viver um padre em uma produção de terror acidentada. Além disso, sua relação com sua filha é das piores possíveis, e ele também quer tentar dar a volta por cima nesse campo. <em>O Exorcismo</em>, como pode se ver, sugere uma ideia bacana para apresentar e isso progressivamente vai dos trilhos até se transformar em um imenso acidente de trem desgovernado. </p>



<p class="has-text-align-center">O excesso de temas é um problema, porque nada é tratado da maneira séria como o filme acredita estar fazendo. As soluções práticas para os eventos são sempre muito inverossímeis, e o filme perde a oportunidade de honrar a boa sequência de abertura com o não-aproveitamento de um cenário apresentado como tal, já que trata-se de uma produção sobre uma produção. No lugar, temos um grupo de atores que já tiveram algum espaço mostrando profundo incômodo de estar em cena (o caso de Adam Goldberg é latente), ou jovens profissionais muito fracos para o que foram designados. A menina Ry Simpkins é a exceção que confirma a regra, mas mesmo seu lugar é afetado pela falta de tato do filme no tratamento sem qualquer escrúpulo da relação entre duas meninas.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Além de tudo,&nbsp;<em>O Exorcismo&nbsp;</em>comete um pecado crucial em qualquer filme. Alguns personagens zombam em cena de produções de terror intelectualizadas, que têm medo de se declarar como tal para serem aprovadas pela &#8216;inteligentsia&#8217;. Pois é exatamente esse o lugar onde o filme se mete com bastante cara de pau, um filme que parece ter vergonha de suas origens e fica tentando justificar o que filma de uma forma classuda, porque se entende melhor que os demais. É constrangedor observar tais elementos vindo à tona ao pensar no discurso que o filme banca, e se algo parecia promissor na primeira meia hora, é quando esse alarme toca em cena que percebemos que ninguém faz ideia do que está fazendo ali.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Não estávamos preparados para o clímax do filme, que na verdade é o oposto do que o filme tenta fazer (de maneira vã) o tempo inteiro, que é tentar soar original. <em>O Exorcismo </em>não apenas termina como um filme qualquer, como também vai jogando por terra o que de qualidade foi construído no início, sem saber se quer ou não quebrar a quarta parede, o filme tem a pior ideia: fazer um pouco de cada, expondo suas características cinematográficas e também tentando realizar artifício competente. O resultado é sentirmos o mais profundo pesar, pelo projeto que é jogado fora a cada nova oportunidade; em uma palavra, lamentável.</p>



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