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	<title>Arquivos O Telefone Preto 2 - Rota Cult</title>
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	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
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		<title>O Telefone Preto 2: Scott Derrickson ousa na sequencia mais aterrorizante</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Francisco Carbone]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Oct 2025 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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<p class="has-text-align-center">O que pode ser mais benéfico a uma continuação, não mexer no time que ganhou &#8211; e isso significaria&nbsp;o que, em muitos casos, seria a repetição de fórmula e conteúdo &#8211; ou partir para um ponto de partida distinto, quase como um tiro em um escuro familiar? Seja como for, mudar a essência da matéria-prima talvez seja o risco maior que uma intencional franquia poderia cometer, e é exatamente esse lugar que é ocupado por&nbsp;<em>O Telefone Preto 2</em>. Sem medo de ousar, o diretor Scott Derrickson mais uma vez mostra porque é necessário atenção ao seu trabalho, às dimensões que ele avança, e principalmente à experimentação, que é ponto pacífico em sua filmografia. Mas esse talvez seja seu movimento mais agudo, porque trata-se de um mergulho quase inverso dentro de uma possibilidade que ele já tinha apresentado, com outra proposta.</p>



<p class="has-text-align-center">Depois de estrear em longas com duas continuações para &#8216;home video&#8217; de êxitos de outrora (<em>Lenda Urbana&nbsp;</em>e&nbsp;<em>Hellraiser</em>), o diretor aponta no cinema com um dos filmes de gênero mais marcantes dos últimos&nbsp;20 anos:&nbsp;<em>O Exorcismo de Emily Rose</em>. De lá pra cá, seu olhar se sofisticou sem abandonar suas origens no terror, chegando até esse cálculo arriscado que ele lança agora. Um sucesso inegável, o primeiro&nbsp;<em>O Telefone Preto</em>&nbsp;mistura violência psicológica contra crianças a um toque de fábula para contar a história de um assassino de crianças que era ameaçado pelo além. De construção imagética espantosa, o filme quase surge como um milagre para um filme de grande estúdio. O que está em primeiro plano aqui é o que estava sendo gestado pelo diretor em segredo: ele não queria em 2021 contar uma história, mas sim criar um mito.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Dos pés fincados em uma lógica naturalista para um filme de gênero, que abraça o horror gráfico e uma possibilidade fantástica, Derrickson parte para uma história de origem em&nbsp;<em>O Telefone Preto 2</em>, indo para um passado 25 anos antes dos eventos do tomo, ao abraçar a fábula já de cara, sem pensar muito. Isso reconfigura a jornada inicial, ao mesmo tempo em que a nova programação desenha um caminho onde O Sequestrador não é mais vestido como um homem comum, mas uma lenda do horror, escalando gradativamente os pontos de alucinação. O resultado causa um benéfico estranhamento ao espectador, que pode não se situar com o que vê. Mas os pontos fazem sentido durante o caminho, para mais uma vez reverenciar quem veio antes de nós, no cinema.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Quem assistiu ao longa anterior, sabe que o serial killer morre ao final da jornada, então por si só a feitura de um&nbsp;<em>O Telefone Preto 2</em>&nbsp;já estaria incumbido de um desafio, mas ao longo da projeção entendemos que Derrickson não brincou em serviço, nem mesmo para com o fim do Sequestrador. Porque sua ideia, caso viesse o sucesso do filme, viria elevar o jogo para fora daquele contexto fechado. Lembrando que o primeiro filme tinha outra questão para lidar, o protagonismo por uma dupla de crianças, que obviamente cresceu. Logo, o filme se abre para esses 25 anos anteriores onde o surgimento desse homem terrível tinha camadas que o montasse como algo hediondo. A partir daí, toda a trajetória do filme é para apresentar não mais um assassino, e sim uma entidade &#8211; superior à morte.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Dessa forma, Derrickson se vale de inspirações que o acompanharam desde a infância, e que funciona com qualquer adolescente ligado ao cinema de gênero. Estão dispostos&nbsp;<em>Sexta-Feira 13</em>,&nbsp;<em>A Hora do Pesadelo&nbsp;</em>e a pulsação de outros filmes, como&nbsp;<em>Carrie</em>; isso é uma assertividade concreta que pretende também unir a figura do Sequestrador à outros mitos, como Jason Voorhees e Freddy Krueger. Ou seja, a ideia de uma produção que também abrace as conotações de&nbsp;<em>Stranger Things&nbsp;&nbsp;</em>não se situa como desconectada de uma ideia. O problema dessa ambição é que o filme com clareza mostra uma espécie de manual de instruções para ser feito, por causa de sua estrutura tão precisa, e ao mesmo tempo com os dois pés na fábula. Sinto falta da roupagem mais artesanal que tínhamos a quatro anos atrás, mas precisamos compreender a opção criativa e narrativa do todo como algo minucioso.</p>



<p class="has-text-align-center">O crescimento dos bastante talentosos Mason Thames e Madeleine McGraw não tirou talento deles, mas a verdade é que as interpretações aqui tem menos peso para o cômputo geral, porque estamos diante de uma jornada de construção de autoralidade, quer queiramos ou não. O trabalho solitário de Derrickson enquanto autor é também desafiado, e ganha contornos bastante inesperados, como no abraço frontal a 1982, o novo ano retratado, e a época dos efeitos práticos que substituíram a sugestão. Uma sequência em especial é resolvida com brilhantismo à luz da época, terminando no corte de um rosto que fará qualquer fã do período sorrir com cumplicidade e saudosismo.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Esse é, na verdade, o molho do filme como um todo. Avançar nos anos, e remontar aqui uma nova costura para o terror, com a adição de um propósito maior que o roteiro. Já não faz mais tanto sentido a replicação do primeiro filme em carregar o espectador para dentro dos noticiários policiais setentistas, mas sim levar pela mão esse mesmo público, mas dessa vez para a magia da criação cinematográfica. Os prós são a provocação per se, os códigos dispostos na nossa frente, e os contras são a formatação igualmente artificial dessa moldura. Na balança de resultados, a qualidade e o prazer se sobressaem, mas discordo de quem coloca o original abaixo, porque lá a busca era por um modelo único. Em&nbsp;<em>O Telefone Preto 2</em>, o foco é a manutenção do amanhã no cinema, ainda que bebendo mais uma vez de resgates do passado.&nbsp;</p>
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