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	<title>Arquivos Procura De Uma Dignidade - Rota Cult</title>
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	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
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		<title>&#8216;A Procura De Uma Dignidade&#8217; conjuga o verbo &#8220;esquecer&#8221; num engenho que não se esquece</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Sep 2025 15:15:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Beatriz Nogueira]]></category>
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<p class="has-text-align-center">Aquele Roberto Carlos com gosto de vermute e conhaque de alcatrão que cavalga por toda a noite, por uma estrada colorida, não tem espaço em &#8220;A Procura De Uma Dignidade&#8221;, tampouco o que pede um café para dois ou aquele do cachorro que sorri latindo. Esse Rei, versão anos 1970, é cálido demais para o espetáculo que Ana Beatriz Nogueira extrai ao prosear com Clarice Lispector (1920-1977), zapeando seu repertório de contos.</p>



<p class="has-text-align-center">O Roberto Carlos que se faz ouvir na encenação é o da década de 1960, que mandava tudo mais para o Inferno. É o Roberto lúdico, <em>teen</em>, da Jovem Guarda, que foi parar no cinema, em 1967, sob a direção de Roberto Farias (1932-2018), e ampliou sua popularidade.</p>



<p class="has-text-align-center">É um Roberto que, ouvido hoje, gera um efeito proustiano e promove sensorialmente a busca de um tempo perdido. Não foi só a década de sessenta que se perdeu, mas seu <em>zeitgeist</em>, suas ideologias revolucionárias, seu 68 que nunca acabou na saudade (e no livro de Zuenir Ventura).     </p>



<p class="has-text-align-center">Esses 1960 passaram por solavancos existencialistas na literatura brasileira, conforme Clarice a usou como calço para a edição e a publicação de suas expressões literárias, de 1961 (com &#8220;A Maçã No Escuro&#8221;) a 1969 (data de &#8220;Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres&#8221;). Nenhuma das ilusões jovem-guardistas cabe ali, mas seu frisson calça as recordações alquebradas da Sra. Xavier, protagonista de &#8220;A Procura De Uma Dignidade&#8221;, com precisão – e inquietação.&nbsp;<br>&nbsp;&nbsp;<strong><br></strong>Levado ao palco sob a direção de Gilberto Gawronski, o texto nasce do conto homônimo publicado em &#8220;Onde Estivestes De Noite&#8221; (1974). Na trama, a Sra. Xavier, uma mulher que pretendia assistir a uma palestra, vai parar, por engano, nos corredores subterrâneos do Estádio do Maracanã. Em busca de uma saída, ela mergulha numa jornada interna atrás de sua própria identidade, num Fla x Flu entre &#8220;o ser&#8221; e &#8220;o estar&#8221;.<br><br>Calçado no efeito especial vivo que é Ana Beatriz, o diretor de &#8220;A Procura De Uma Dignidade&#8221;, o polivalente Gilberto Gawronski, contou com Leonardo Netto para adaptar o&nbsp;<em>lispectorante</em>&nbsp;de Clarice alargando sua reflexão sobre a erosão das recordações. Esse tem sido um dos temas mais frutíferos da arte do século XXI.</p>



<p class="has-text-align-center">Esquecer é verbo de ação e de reação no cinema (do &#8220;2046&#8221; de Wong Kar Wai ao &#8220;Como se Fosse A Primeira Vez&#8221;, com Adam Sandler), na literatura (nos romances de Karl Ove Knausgård), nas HQs (&#8220;Old Man Logan&#8221;). No teatro, com a Clarice de Ana Beatriz, o esquecimento é uma metástase. Não é uma saída oportuna para más lembranças, é mal oportunista. É sina.</p>



<p class="has-text-align-center">No palco, a atriz, em seu estado de graça habitual, promove a arqueologia dos (des)saberes de uma pessoa que luta para se lembrar, sob o impacto da perda de si mesmo no maior estádio do país. O design de luz de Adriana Ortiz, somado à trilha sonora de Chico Beltrão, galvaniza o efeito vertiginoso que Gawronski parece buscar.&nbsp;<br><br>No monólogo, quem assina o cenário é Beli Araújo. O figurino é de Antônio Medeiros. Pedro Colombo cuida das projeções, num videografismo que assinala resquícios do que se apaga, gradual e cruelmente. Só não se apaga o fogo de Ana Beatriz a incendiar o diálogo que as artes cênicas travam com a nossa perpétua necessidade de Clarice Lispector.&nbsp;</p>



<p><a href="https://rotacult.com.br/2025/09/ana-beatriz-nogueira-apresenta-conto-de-clarice-lispector-em-ipanema/">Saiba mais sobre a peça!</a></p>
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