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	<title>Arquivos &#039;Quando as Máquina Param&#039; - Rota Cult</title>
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	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
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		<title>&#8216;Quando as Máquina Param&#8217;: A poesia alarmista do rendimento sobe ao palco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Jan 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
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<p class="has-text-align-center">Tem um diálogo na versão brasileira do sucesso de bilheteria &#8220;Tootsie&#8221; (1982), no qual Dustin Hoffman, dublado por Newton DaMatta, gargareja: &#8220;Eu não acredito no Diabo, eu acredito no desemprego&#8221;. Na língua de Plínio Marcos (1935-1999), o que falta ao ator sem trabalho vivido por Hoffman é &#8220;uma viração&#8221;. Quem tem &#8220;viração&#8221; (leia-se &#8220;trabalho&#8221;) não &#8220;tá no desvio&#8221; e &#8220;tem onde amarrar o cachorro&#8221;. Dá para tirar um dicionário de expressões garimpadas pelo Shakespeare da zona portuária santista, a julgar por peças como &#8216;Quando as Máquina Param&#8217;.</p>



<p class="has-text-align-center">No recheio dessa guloseima, tostada sob a direção delicada do ator e professor de atuação Heitor Martinez, encontra-se um debate sobre &#8220;a sacanagem que é nascer pobre&#8221;. Tal conceito, que cai como iguaria ao paladar, na degustação da revisão (afetuosa) de um texto finalizado há 59 anos, desenha o perfil determinista que vai reger os personagens, defendidos com ardência dionisíaca por Bella Zafira e Pedro Di Carvalho. </p>



<p class="has-text-align-center">Em &#8216;Quando as Máquina Param&#8217; baixa um &#8220;negócio&#8221; nesses dois em cena que faz correr um barravento pelas fileiras do Vanucci – numa batida de indignação. São intérpretes que deixam o corpo desenhar a transformação de suas personagens. Ele se arca, enfurna-se na derrota, encoleira-se no modo vira-lata. Ela se encrespa, alinha espinha, estica as angústias, entumece a vontade de reagir. </p>



<p class="has-text-align-center">As palavras de Plínio estão lá, em ricochete, sem que se altere um ditongo, um tritongo, um pronome pessoal do caso reto. Só que o olho da gente segue com a coreografia de um aikidô contra a miséria. Bella é Nina e Di Carvalho é Zé. Rimos com os dois. Choramos com os dois. Reprovamos ele. Contorcemo-nos com ela.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Bom de bola, na vida e no palco, o flamenguista Heitor Martinez conduz, certamente, com retidão o placar para que a interpretação marque gols em prol da descoberta do que a dramaturgia dos anos 1960 tem de atemporal (e universal) em sua triagem de feridas que não criam casca. Celebrado por &#8220;Navalha na Carne&#8221; (1967) e &#8220;Dois Perdidos Numa Noite Suja&#8221; (1966), Plínio não falava em periferia, e, sim, em &#8220;quebradas do mundaréu&#8221;. </p>



<p class="has-text-align-center">Escreveu sobre garotas de programa que bebiam querosene e gente que roubava o &#8220;pisante&#8221; do colega. O erro e o delito, em seu naturalismo, eram carregados de uma empatia torta, que se traduzia em arrependimento, por parte de um povo que se define &#8220;maluco e perigoso&#8221;. &nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">A primeira vez que ele abriu pano na peça &#8220;Quando As Máquinas Param&#8221;, dirigindo Míriam Mehler e Luiz Gustavo, numa sala do TBC, em São Paulo, em 1967, o texto já arrastava uma história&#8230; de luta. O simbolismo de resistência – a dois – à opressão do capitalismo, que se vê na trama do autor de &#8220;Abajur Lilás&#8221;, foi idealizado por ele mesmo em 1963, com outro nome: &#8220;Enquanto os Navios Atracam&#8221;. Na época, a peça tinha um terceiro personagem: Seu Mané. <br><br>Aliás, sua narrativa chegou a ser encenada há 63 anos, mas o dramaturgo depurou a escrita e reescreveu sua crônica sobre vidas à margem, eliminando Mané. Quase 60 anos depois dessa versão definitiva de Plínio nascer, Martinez tenta entender o quanto o casal Nina e Zé são pertinentes a uma geografia que não cabe no TikTok, nem aparece nos stremings.</p>



<p class="has-text-align-center">Imortalizado no imaginário Pop carioca no verão de 1998, por seu desempenho no filme &#8220;Como Ser Solteiro&#8221;, e famoso por novelas de audiência bombada, Martinez reafirma suas destrezas artísticas, em &#8216;Quando as Máquina Param&#8217;, agora como encenador, tentando dar cor a um mundo assombrado por aquele tal Diabo lá de cima, o de &#8220;Tootsie&#8221;, que não paga boletos porque não pode. </p>



<p class="has-text-align-center">Em cena, Nina tenta segurar as pontas como costureira, enquanto Zé, operário desempregado, briga contra a angústia de ser descartado pelo sistema que o vê apenas como peça de uma engrenagem que parou. Traduzem, cada um a seu modo, os extremos do &#8220;heroísmo do rendimento&#8221;, uma corrente dramatúrgica bastante em voga na arte de hoje, sobretudo no cinema, vide filmes como &#8220;A Única Saída&#8221;, de Park Chan-wook.</p>



<p class="has-text-align-center">Flagra-se essa veia naturalista no filmaço sul-coreano &#8220;Parasita&#8221; (Palma de Ouro de 2019), para citar um marco cinéfila, e ainda no recente espetáculo &#8220;Gente de Bem&#8221; (2023), inspirado em João Ximenes Braga. Foi um livro do século XIX, o &#8220;Germinal&#8221; (1885), de Émile Zola (1840-1905), que abriu a torneira dramatúrgica dessa vertente sociológica de tramas cuja jornada dos protagonistas se constrói a partir de estratégias de sobrevivência econômica.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Cabem aí Chaplin e Rocky Balboa, com amplo espaço para personagens de Ken Loach, de Costa-Gavras e de Stéphane Brizé. Não é rara a associação desse procedimento temático às cartilhas marxistas de luta de classes. Associa-se ainda essa torrente criativa aos engenhos teóricos funcionalistas, nos quais a sociedade é vista em analogia a organismos biológicos.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Nessa toada, há lugar ainda para aportes do naturalismo, uma corrente anfíbia da arte e das ciências sociais que representa territórios em analogia às entranhas dos corpos, com as suas escatologias e as suas dinâmicas de excreção.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">A casa que Zé não é capaz de custear, por não conseguir empreitadas, desenha-se no palco do Vanucci, por entre uma parede de lençóis e colchas presos com pregador, como se fosse uma garganta inflamada. É uma amígdala rouca, cheia de pus, onde a rouquidão silencia as juras de um amor e outrora que trocou o &#8220;pra sempre&#8221; do &#8220;fica comigo&#8221; pelo &#8220;agora&#8221; do desespero.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Nina ainda ama. Protege o que tem (e o que virá). Já Zé&#8230; esse se quebra. Só vê o que o seu punho agarra, ou soca. Nem seu Corinthians amortece suas trombadas. A vida lhe &#8220;tirou o Pelé do campo&#8221;. Há pessoas de quem a vida tira a prazo. Dele, tiraram à vista. O que ficou poderia suprir toda a falta. Mas o verbo &#8220;amar&#8221; em Plínio, deixou de lado a conversa de que &#8220;existe o amor, é claro, e existe a vida, sua inimiga&#8221;. De um autor que grita &#8220;Deus é grande o escambau&#8221;, para dar voz à sua fauna de desesperados, o que sobra é alerta. Assim sendo, a encenação de &#8220;Quando As Máquinas Param&#8221; de Martinez nos alarma. Só não abre a mão da poesia.   </p>



<p class="has-text-align-center"><a href="https://rotacult.com.br/2026/01/quando-as-maquinas-param-faz-temporada-no-teatro-vannucci/">Saiba mais sobre a peça!   </a></p>
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