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	<title>Arquivos Regina Braga - Rota Cult</title>
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	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
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		<title>Viva a Vida: Cris D&#8217;Amato faz comédia com reflexão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Francisco Carbone]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jan 2025 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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<p class="has-text-align-center">Acima de todas as coisas, é preciso exaltar a coragem de Julio Uchoa, produtor de&nbsp;<em>Viva a Vida</em>, que foi convidado pelo governo de Israel para contar uma história que fosse ambientada no seu solo, e ele não somente aceitou, como viu em Cris D&#8217;Amato a capitã ideal para tal viagem. Com o roteiro sendo escrito por Renata Klein, uma atriz, comediante e escritora das mais especiais de sua geração, foi criado um espaço para que não apenas um filme de humor leve entrasse em cena, como uma exploração extra envolvendo o feminino fizesse sentido. O que é descortinado, a partir do princípio, é uma busca incessante de mulheres de diferentes idades e gerações fazem por um sentido na vida, por encontrar seu lugar no mundo, e um lugar que não fosse inabitado, ou inóspito e hostil. O foco principal pode ser as buscas distintas de Jessica e Rava, mas isso se alastra pelo discurso do filme &#8211; em que lugar e em que momento tudo fará sentido?</p>



<p class="has-text-align-center">O que&nbsp;<em>Viva a Vida</em>&nbsp;poderia realizar de melhor, tendo em vista que se trata de um projeto encomendado, é transformar seu palco em um espaço de amor e compreensão gradativa, onde as saídas para os problemas não deveriam ser fugir e se esconder, muito menos criar mágoa ou ódio. Ao menos o papel da ficção em momento complicado é, aqui, não o de promover entretenimento escapista e vazio, mas de sutilmente mostrar a reflexão como ponto de análise, e a troca de diálogo como o agente acertado para a resolução. Não sei se a intenção de Klein era colher olhares tão a fundo em questões que estão gerando uma guerra inimaginável, mas sua compreensão de resolução não poderia ser mais acertada. E que tem alguma dose de coragem na hora de construir tal roteiro, que encontra outras formas de ser político.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Pela primeira vez, D&#8217;Amato se encontra com uma reflexão mais aprofundada. Não há mal algum em entregar entretenimento ao público, esse inclusive é um modelo de mercado digno e que deveria ser visto sem vergonha ou possibilidade de acusação. Mas a análise precisa ir além, porque&nbsp;<em>Viva a Vida</em>&nbsp;não deixa de entreter bastante, porém a direção de D&#8217;Amato não infantiliza o que é mostrado. Em meio ao tradicional escopo persecutório que seus filmes costumam apresentar, seus tipos aqui utilizam tal estratagema para olhar pra si, e enxergar o que ainda não tinha sido notado. Não é como se Woody Allen tivesse seu momento &#8216;bergmaniano&#8217;, mas é o suficiente para realçar as cores de uma cineasta que não pretendia correr riscos. Existia um caminho fácil, na qual a diretora de&nbsp;<em>S. O. S. Mulheres ao Mar</em>&nbsp;conseguiu transcrever dentro do esperado. Com o olhar renovado, é necessário que o público também se reconfigure a ela, agora alguns degraus acima.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">O resultado é um filme até errático no que concebe se tratando de <em>mise-en-scene</em>, mas é injusto não atentar para essa evolução da cineasta e a sua genuína vontade de se abrir para o novo. Em meio ao ritmo frenético que ela impõe, agora existe o espaço para uma certa solutide providencial. Sem abrir mão de uma assinatura, <em>Viva a Vida</em> é um pequeno rasgo de uma mulher que se mostra inquieta. A óbvia percepção de que existia uma necessidade ao projeto de situações introspectivas, D&#8217;Amato providencia ao seu novo filme esse contexto emocional, e desde o início. Não é uma propensão que o filme não banca, e isso fica claro em toda a abertura particular de Jessica, vivida por uma Thati Lopes com sede. Com a inteligência que uma excelente comediante tem de seu entorno, a atriz compõe uma base para sua personagem que permite qualquer discurso futuro, sem parecer vago. Jessica tem uma melancolia muito de cara que emoldura o início e serve de alicerce para o que estará em cena, logo avance. </p>



<p class="has-text-align-center">Além de Lopes, <em>Viva a Vida</em> tem outro trunfo, um de realce ainda mais brilhante, que eleva o que vemos: o casal formado por Regina Braga e Jonas Bloch. Não é somente pelo fato de que estamos diante de dois veteranos colossais, mas de perceber o quanto nosso mercado é restrito, e sem qualquer motivo. Como uma criança noveleira que fui, encontrei com ela pela primeira vez em &#8220;<em>Deus nos Acuda</em>&#8220;, ele me impressionou de cara na infância como o vilão cheio de ambiguidade de &#8220;<em>Corpo Santo</em>&#8220;. Aliás, o cinema ainda deve uma carreira a ela, já ele esteve em vários clássicos. Com Bloch aos 85 anos e Braga prestes a completar 80, o que mais impressiona de cara é essa fúria por desbravamento que salta dos olhos de ambos. Vai além do simples &#8216;a química que eles têm&#8217;, porque suas performances exalam carinho e doação, acima de tudo. São dois artistas que parecem ainda longe de seu clímax, e com tesão pela profissão e pela arte. Deveriam obrigatoriamente estar em escalações contínuas, mas se eles ajudam ao prazer nunca escapar do filme, temos que agradecer.</p>



<p class="has-text-align-center">Apesar dos amores, existe, como já dito, esse olhar para a desconstrução da necessidade de liberdade da mulher em qualquer que seja a faixa etária que imprime em&nbsp;<em>Viva a Vida</em>&nbsp;uma nota de rodapé crescente. Em pleno 2025 e sim, mulheres ainda precisam se sentir sem permissão para lidar com o seu corpo e os seus desejos e as suas angústias; não podem expor, e se possível, nem podem sentir. Existe um mundo para dominar, e para cuidar &#8211; não!, diz D&#8217;Amato e Klein. Em busca de encontrar sempre um lugar no mundo que seja mutante, a ideia do filme é de nunca se manter estática, nunca se render ao injusto e ao conformismo. Explorem, cresçam, chorem, dancem, vibrem, amem, façam tudo que estiver ao seu alcance, sejam suas melhores&nbsp;versões&#8230; vivam suas vidas!&nbsp;</p>



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