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	<title>Arquivos Vermes Radiantes - Rota Cult</title>
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	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
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		<title>&#8216;Vermes Radiantes&#8217; faz rir ao expor microfísicas de controle</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Sep 2025 17:26:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Colheradas diárias de Bel Hooks (1952-2022), autora que é pilar de uma prática inclusiva de benquerer, dá à digestão do texto teatral de origem inglesa &#8220;Vermes Radiantes&#8221; uma taxa menos tórrida de refluxo político. Como disse a escritora: &#8220;Quando escolhemos amar, escolhemos nos mover contra o medo – contra a alienação e a separação. A [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">Colheradas diárias de Bel Hooks (1952-2022), autora que é pilar de uma prática inclusiva de benquerer, dá à digestão do texto teatral de origem inglesa &#8220;Vermes Radiantes&#8221; uma taxa menos tórrida de refluxo político. Como disse a escritora: &#8220;Quando escolhemos amar, escolhemos nos mover contra o medo – contra a alienação e a separação. A escolha por amar é uma escolha por conectar – por nos encontrarmos no outro&#8221;.</p>



<p class="has-text-align-center">No ethos de Bel, a simbiose afetiva plena exige respeito, coisa que existe entre os pombinhos de &#8220;Vermes Radiantes&#8221;. Jill e Ollie se gostam e se querem pacas, até debaixo d&#8217;água e no meio dessa história há um neném vindo se somar aos dois, na barriguinha. Tudo vai bem. Tudo dá match! </p>



<p class="has-text-align-center">Porém, o bagulho só enfeia quando rola a chance de eles irem para uma casa nova. Uma casa que parece feita sob encomenda para o futuro ser próspero. Só que tem um mas nessa jogada&#8230; sempre tem. </p>



<p class="has-text-align-center">Se Jill e Ollie tivessem lido Bel Hooks, ali onde ela diz  &#8220;quando somos ensinados que a segurança está na semelhança, qualquer tipo de diferença parece uma ameaça&#8221;, nosso estimado casal teria evitado uma baita encrenca. Não deu para evitar, mas, pelo menos, eles curtiram uma festa, e que festa!</p>



<p class="has-text-align-center">Vale dizer que o trecho da montagem brasileira da saga de Jill e Ollie &#8211; no original, &#8220;Vermine Radiant&#8221; &#8211; dedicado à tal micareta, é um engenho cênico de fazer a plateia quicar na poltrona. Uma vez que Maria Eduarda de Carvalho está a cara da Laura Dern (e atua com tanto magma quanto a estrela dos EUA) e Rui Ricardo Dias investe num modo Nicolas Cage de explodir em cena, fica difícil olhar para os palcos sem pensar em <em>Coração Selvagem,</em> a Palma de Ouro de 1990.</p>



<p class="has-text-align-center">Os dois fazem de &#8220;Vermes Radiantes&#8221; a peça mais David Lynch do teatro brasileiro atualmente. O duo de atores é, certamente, lynchiano não pela estranheza, mas por sua semiótica. Cada gesto dos dois nos leva a um novo signo a ser decifrado com foco nas opressões mais silenciosas que existem na contemporaneidade </p>



<p class="has-text-align-center">Daí se fazer menção aos ensaios de Bel Hooks, aríete da luta contra o sexismo e oráculo nas batalhas antirracismo. O intuito de trazê-la à tona, para se falar da (orto)grafia dramatúrgica do inglês Philip Ridley, parte de uma licença poética despertada pela sociologia depurada por essa escritora em sua mirada sobre microfísicas de poder. O trator que tenta esmagar Jill e Ollie tem seu alicerce na gentrificação. A nova planificação dos lares é um convite &#8211; na lógica do capitalismo &#8211; ao redesenho das gentes que a ocupam. </p>



<p class="has-text-align-center">Ridley esgueirou-se sob um precipício similar em &#8220;The Pitchfork Disney&#8221; (1991) e em &#8220;The Fastest Clock in the Universe&#8221; (1992). Seu estilo, o In-yer-face Theatre (uma plenária de piquete na qual ação é agressão, ou seja, combate verbal), é uma triagem contínua das armadilhas políticas para pasteurizar subjetividades e converter gente inquieta em gado servil. Trocando em miúdos, é o mesmo mal que Bel içou em sua obra e expôs para debate.</p>



<p class="has-text-align-center">Raivoso como todo o bom Ridley já encenado pelo planeta, &#8220;Radiant Vermin&#8221; chega sob uma luminosa tradução feita por Diego Teza, o texto faz rir a granel sem diluir o castrofismo de seu autor na gargalhada. Além disso, a montagem Alexandre Dal Farra impede que a fera fique civilizada e perca sua conexão coma a natureza apocalíptica do dramaturgo britânico.</p>



<p class="has-text-align-center">Tudo é o que vemos é uma reminiscência dos trovões que rugiram no céu de Jill e Ollie na mudança. Ouvimos a versão deles, nunca a da figura que serve como um agente imobiliário para a tal casa sonhada, figura desenhada por Marcos França, que, na reta final da temporada passa a ser vivida por Pedro Precisa.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Pavimentado sob uma cenografia dionisíaca, com assinatura de Stéphanie Fretin e Camila Refinetti, &#8220;Vermes Radiantes&#8221; entra em erupção conforme Rui e Maria Eduarda deslocam as placas tectônicas da inércia moral. A iluminação apolínea de Lucas Brandão oferece aos dois uma atmosfera ideal para uma pesquisa cênica hilária.</p>



<p><a href="https://rotacult.com.br/2025/09/vermes-radiantes-no-teatro-das-artes/#google_vignette">Saiba mais sobre a peça!</a></p>



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