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	<title>Arquivos Vizinhos bárbaros - Rota Cult</title>
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		<title>Vizinhos Bárbaros esconde uma das críticas mais afiadas do ano ao preconceito europeu contra refugiados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Dec 2025 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Julie Delpy]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vizinhos Bárbaros, novo filme escrito, dirigido e protagonizado por Julie Delpy, é uma comédia aparentemente leve, mas que esconde uma das críticas mais afiadas do ano ao preconceito europeu contra refugiados oriundos de regiões da África e do Oriente Médio. Delpy, que aprendeu com mestres como Krzysztof Kieslowski e Richard Linklater, demonstra maturidade ao colocar [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center"><em>Vizinhos Bárbaros</em>, novo filme escrito, dirigido e protagonizado por Julie Delpy, é uma comédia aparentemente leve, mas que esconde uma das críticas mais afiadas do ano ao preconceito europeu contra refugiados oriundos de regiões da África e do Oriente Médio. Delpy, que aprendeu com mestres como Krzysztof Kieslowski e Richard Linklater, demonstra maturidade ao colocar a câmera a serviço da história, sem exibicionismos. O resultado é uma obra delicada, solar e, ao mesmo tempo, implacável com o racismo cotidiano que ainda grassa pelo interior da França e da Europa em geral.</p>



<p class="has-text-align-center">A trama de&nbsp;<em>Vizinhos Bárbaros</em>&nbsp;começa com uma ironia deliciosa: uma pequena cidade francesa se mobiliza para receber refugiados ucranianos em plena invasão russa, mas, por questões burocráticas, acaba acolhendo uma família síria. O que era para ser um gesto de solidariedade europeia vira um teste de fogo quando os &#8220;bárbaros&#8221; chegam de pele morena, falando árabe e carregando o estigma que a Europa historicamente reserva ao Oriente Médio. Delpy não perde tempo e logo expõe o racismo velado por trás das boas maneiras: sorrisos que congelam corações, sussurros nas padarias e nas ruas, além de sabotagens &#8220;acidentais&#8221;.</p>



<p class="has-text-align-center">No centro do conflito de&nbsp;<em>Vizinhos Bárbaros</em>&nbsp;estão a professora progressista Joelle (a própria Delpy, excelente) e o encanador Hervé (Laurent Lafitte, perfeito no papel do francês médio assustado com o diferente). Enquanto Joelle tenta integrar a família síria — um arquiteto, uma médica, um patriarca digno —, Hervé representa a resistência mesquinha da maioria silenciosa. A tensão cresce com sabotagens na casa cedida pela prefeitura e olhares tortos no mercado, até explodir em uma sequência que mistura humor físico com um soco no estômago.</p>



<p class="has-text-align-center">A grande virtude do filme é nunca cair no didatismo fácil. Delpy opta pelo caminho da comédia de costumes, com diálogos afiados e situações absurdas que lembram os melhores momentos de Étienne Chatiliez ou do próprio cinema britânico de costumes. A direção é discreta, quase invisível — exatamente como deve ser quando o tema é tão espinhoso. A fotografia solar do interior francês, cheia de luz natural e campos dourados, contrasta de forma cruel com a escuridão moral de parte dos personagens de&nbsp;<em>Vizinhos Bárbaros</em>.</p>



<p class="has-text-align-center">No fim,&nbsp;<em>Vizinhos Bárbaros</em>&nbsp;cumpre a promessa do gênero: entrega o final reconfortante que o público de comédia espera, mas não sem antes nos fazer engolir o remédio amargo. É um filme para ver em família no Natal, rir das situações, emocionar-se com as pequenas vitórias humanas e, principalmente, sair do cinema pensando no quanto ainda chamamos de bárbaro tudo aquilo que simplesmente não entendemos. Recomendo fortemente — e guardem o nome de Fares Helou, o patriarca sírio: ele rouba todas as cenas em que aparece.</p>



<p class="has-text-align-center">Desliguem os celulares e excelente diversão.</p>



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