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	<title>Arquivos Wagner Moura - Rota Cult</title>
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	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
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	<title>Arquivos Wagner Moura - Rota Cult</title>
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		<title>O Agente Secreto é indicado ao Oscar em 4 categorias</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Francisco Carbone]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Jan 2026 17:58:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Matérias]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[O Agente Secreto]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O dia amanheceu histórico para o cinema brasileiro, mas não somente; o dia amanheceu histórico para o cinema mundial. Igualamos um recorde histórico por um lado, superamos esse mesmo recorde por outro: o Oscar 2026 indicou, mais uma vez, um filme brasileiro na categoria principal.&#160;O Agente Secreto, assim como&#160;Ainda Estou Aqui&#160;ano passado, é um dos [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">O dia amanheceu histórico para o cinema brasileiro, mas não somente; o dia amanheceu histórico para o cinema mundial. Igualamos um recorde histórico por um lado, superamos esse mesmo recorde por outro: o Oscar 2026 indicou, mais uma vez, um filme brasileiro na categoria principal.&nbsp;<em>O Agente Secreto</em>, assim como&nbsp;<em>Ainda Estou Aqui&nbsp;</em>ano passado, é um dos 10 melhores filmes do ano, e do mundo, para a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, e junta a indicação de melhor filme também melhor filme internacional, melhor ator para o baiano Wagner Moura e, nossa maior surpresa, a indicação na categoria estreante da cerimônia, melhor direção de elenco. Se juntarmos a indicação de Adolpho Veloso como melhor fotógrafo de&nbsp;<em>Sonhos de Trem</em>, aí superamos 2004, quando&nbsp;<em>Cidade de Deus&nbsp;</em>teve iguais 4 indicações aos troféus.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Além de nós, a História também foi feita dentro do cinema americano: um recorde instituído há 75 anos caiu, o de maior número de indicações para um mesmo filme. Já era esperado, mas&nbsp;<em>Pecadores&nbsp;</em>não é um filme qualquer; trata-se de um título celebratório da cultura negra estadunidense, e da sobrevivência do ser negro como um todo. Uma das maiores bilheterias do ano passado, o filme dirigido por Ryan Coogler conseguiu muitas indicações inéditas para ele e seu elenco. Essa é a primeira indicação de Coogler fora da categoria de produtor, já que também foi indicado como diretor e roteirista. Michael B. Jordan, Delroy Lindo e Wunmi Mosaku também obtêm suas merecidas primeiras indicações, e o filme se transforma em ameaça real para o grande favorito da temporada,&nbsp;<em>Uma Batalha Após a Outra</em>.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Com 13 indicações, o filme de Paul Thomas Anderson continua na dianteira da corrida, mas seu rival de estúdio, ao conseguir essa marca histórica em cima de&nbsp;<em>A Malvada&nbsp;</em>(igualada posteriormente por&nbsp;<em>Titanic&nbsp;</em>e&nbsp;<em>La La Land</em>), grita que é mais que uma pedra no sapato &#8211; temos uma disputa real, de muitas formas, e em muitas categorias essa briga é direta. Por enquanto, o longa protagonizado por Leonardo DiCaprio segue uma corrida para a consagração, para entronizar um cineasta da estatura de PTA no panteão dos maiores de todos os tempos, que a Academia ainda não premiou. Com as três indicações em seu nome que recebeu hoje, o cineasta soma 14 indicações ao Oscar sozinho, e sua consagração pode enfim acontecer. Mas&nbsp;<em>Pecadores&nbsp;</em>definitivamente não está morto.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Quem está morto?&nbsp;<em>Wicked: Parte 2</em>. Com uma campanha mundial que visava bisar as indicações do ano passado, assim que foi lançado e as críticas atestaram que a comparação com o anterior era injusta, o filme sofreu derrotas consecutivas, como a ausência das indicações de melhor filme no Globo de Ouro. Nada nos preparou para essa manhã, onde o filme teve um total de zero indicações, e a humilhação não foi pouca. Em figurino, maquiagem e canção, o filme perdeu a vaga para filmes que sequer sonhavam com as mesmas (<em>Avatar: Fogo e Cinzas</em>, inexplicavelmente na primeira; dois filmes internacionais na segunda &#8211;&nbsp;<em>Kokuro&nbsp;</em>e&nbsp;<em>A Meia-Irmã Feia</em>; e um filme desconhecido na terceira &#8211; alguém sabia da existência do documentário&nbsp;<em>Viva Verdi!&nbsp;</em>antes de hoje?). O golpe foi certeiro, e ainda que o filme estivesse em queda, essas três indicações eram mais que garantidas, o que prova o desagrado dos votantes.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Já citado,&nbsp;<em>Avatar: Fogo e Cinzas&nbsp;</em>quase teve destino semelhante, mas além dessa indicação de figurino bem, digamos, &#8220;engraçada&#8221;, o filme conquistou a indicação de efeitos especiais esperada, que deve se transformar em vitória. O filme de James Cameron, que já arrecadou 1,4 bilhão em todo mundo, também não obteve críticas entusiasmadas, e suas chances para saltos maiores, como era o desejo de seu mentor e do estúdio, eram consideradas impossíveis. Aliás, o estúdio perdedor desse ano sem dúvida é a Disney/20th Century; essa é a primeira vez em 20 anos que a 20th Century (ou sua versão independente, a Searchlight) fica de fora da categoria de melhor filme.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Além da consagração de&nbsp;<em>O Agente Secreto</em>, um outro filme internacional invadiu a festa ianque com os pés na porta:&nbsp;<em>Valor Sentimental&nbsp;</em>confirmou as previsões e teve 9 indicações ao Oscar, incluindo melhor direção para Joachim Trier, as duas vagas de atriz coadjuvante possíveis (para Elle Fanning e para Inga&nbsp;Ibsdotter&nbsp;Lilleas) e em melhor montagem. O filme é, certamente, o nosso óbvio rival em melhor filme internacional, uma categoria que teve outros dois filmes indicados em categorias externas também:&nbsp;<em>Sirât</em>, que também apareceu em melhor som, e&nbsp;<em>Foi Apenas um Acidente</em>, também indicado em roteiro original. O filme de Jafar Panahi, que começou a corrida com fôlego, terminou sem as esperadas indicações em melhor filme e melhor direção, que soavam possíveis há um mês atrás. Esse é o primeiro vencedor da Palma de Ouro em Cannes a não conseguir indicação ao Oscar principal desde&nbsp;<em>Titane</em>, de Julia Ducorneau. Ainda assim, o festival francês teve mais uma vez aproveitamento invejável na categoria filme internacional: os quatro já citados ganharam prêmios na última edição, e todos são distribuídos pela Neon, que fez uma campanha vitoriosa para todos. A quinta vaga foi para o tunisano&nbsp;<em>A Voz de Hind Rajab</em>, que mostra o excelente momento da cineasta Kaouther Ben Hania, em sua terceira indicação em 5 anos (as outras foram&nbsp;<em>O Homem que Vendeu sua Pele&nbsp;</em>e&nbsp;<em>As Quatro Filhas de Olfa</em>).&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Para muita gente, um nome parece deslocado dessa lista final em melhor filme:&nbsp;<em>F1</em>. Mas será que foi? Até um mês atrás, provavelmente essa indicação soaria como piada, mas essa foi a vaga que os filmes de James Cameron e Jon M. Chu não ocuparam. Ou seja, apesar das excelentes bilheterias de&nbsp;<em>Pecadores</em>,&nbsp;<em>Uma Batalha Após a Outra&nbsp;</em>e&nbsp;<em>Marty Supreme&nbsp;</em>(e de&nbsp;<em>Frankenstein&nbsp;</em>ser um dos filmes mais vistos da Netflix, o que o credenciou para as vagas mais populares), a Academia não tem escondido seu apreço por filmes cuja bilheteria alta &#8211; e algum valor artístico, vá lá &#8211; cavam uma posição entre as indicações da categoria principal. O fato de que o filme dirigido por Joseph Kosinski (o mesmo que conseguiu isso também com&nbsp;<em>Top Gun: Maverick</em>) também é estrelado e produzido por Brad Pitt &#8211; cujas campanhas são sempre bem sucedidas &#8211; justificam sua presença, ainda que claramente seus predicados sejam os menores da disputa.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Na categoria das surpresas do dia, além do desaparecimento de&nbsp;<em>Wicked&nbsp;</em>(essa é a maior de todas), temos o magnífico reconhecimento a um dos grandes atores do cinema estadunidense, Delroy Lindo. Recentemente, Lindo foi sumariamente roubado nas indicações em uma vaga que ele tinha direito inclusive de vencer, com&nbsp;<em>Destacamento Blood</em>. Sua indicação por&nbsp;<em>Pecadores&nbsp;</em>é um merecido aplauso a um dos enormes artistas que Spike Lee reverencia&nbsp;há mais de 30 anos, cuja filmografia se inicia em 1976. Se não é o ator mais velho indicado no ano (isso cabe a Amy Madigan, única indicação de&nbsp;<em>A Hora do Mal</em>), foi dele a vaga de indicação solo do ano, já que sua nomeação, apesar de muito merecida, não teve respaldo em nenhum outro prêmio anterior.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Aliás, a indicação de&nbsp;<em>O Agente Secreto&nbsp;</em>é a sexta para o Brasil na categoria, que anteriormente bateu com&nbsp;<em>O Pagador de Promessas</em>,&nbsp;<em>O Quatrilho</em>,&nbsp;<em>O Que é Isso, Companheiro?</em>,&nbsp;<em>Central do Brasil&nbsp;</em>e ano passado, com nossa vitória por&nbsp;<em>Ainda Estou Aqui</em>. Existe um favoritismo crescente a nosso favor, e caso ganhemos, será a oitava vez que um mesmo país consegue isso por dois anos seguidos, sendo que a última vez foi a Dinamarca, há quase 40 anos. Ou seja, não será uma corrida simples ou já ganha, mas as chances são existentes, e a campanha está na rua. O filme brasileiro tem uma temática e uma importância contextual maior que o longa norueguês, que é muito querido, e o número de indicações de hoje deixa claro. A nossa torcida está liberada, com a consciência de que o raio pode sim cair duas vezes no mesmo lugar.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Confira abaixo as indicações:&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Melhor Filme</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Bugonia<br>F1: O Filme<br>Frankenstein<br>Hamnet: A Vida Antes de Hamlet<br>Marty Supreme<br>Uma Batalha Após a Outra<br>O Agente Secreto<br>Valor Sentimental<br>Pecadores<br>Sonhos de Trem</em></p>



<p class="has-text-align-center">Melhor Ator</p>



<p class="has-text-align-center">Timothée Chalamet (Marty Supreme)<br>Leonardo DiCaprio (Uma Batalha Após a Outra)<br>Ethan Hawke (Blue Moon)<br>Michael B. Jordan (Pecadores)<br>Wagner Moura (O Agente Secreto)</p>



<p class="has-text-align-center">Melhor Ator Coadjuvante</p>



<p class="has-text-align-center">Benicio del Toro (Uma Batalha Após a Outra)<br>Jacob Elordi (Frankenstein)<br>Delroy Lindo (Pecadores)<br>Sean Penn (Uma Batalha Após a Outra)<br>Stellan Skarsgard (Valor Sentimental)</p>



<p class="has-text-align-center">Melhor Atriz</p>



<p class="has-text-align-center">Jessie Buckley (Hamnet: A Vida Antes de Hamlet)<br>Rose Byrne (Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria)<br>Kate Hudson (Song Sung Blue)<br>Renate Reinsve (Valor Sentimental)<br>Emma Stone (Bugonia)</p>



<p class="has-text-align-center">Melhor Atriz Coadjuvante</p>



<p class="has-text-align-center">Elle Fanning (Valor Sentimental)<br>Inga Ibsdotter Lilleaas (Valor Sentimental)<br>Amy Madigan (A Hora do Mal)<br>Wunmi Mosaku (Pecadores)<br>Teyana Taylor (Uma Batalha Após a Outra)</p>



<p class="has-text-align-center">Melhor Direção</p>



<p class="has-text-align-center">Chloé Zhao (Hamnet: A Vida Antes de Hamlet)<br>Josh Safdie (Marty Supreme)<br>Paul Thomas Anderson (Uma Batalha Após a Outra)<br>Joachim Trier (Valor Sentimental)<br>Ryan Coogler (Pecadores)</p>



<p class="has-text-align-center">Melhor Roteiro Original</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Blue Moon<br>Foi Apenas um Acidente<br>Marty Supreme<br>Valor Sentimental<br>Pecadores</em></p>



<p class="has-text-align-center">Melhor Roteiro Adaptado</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Bugonia<br>Frankenstein<br>Hamnet: A Vida Antes de Hamlet<br>Uma Batalha Após a Outra<br>Sonhos de Trem</em></p>



<p class="has-text-align-center">Melhor Filme Internacional</p>



<p class="has-text-align-center"><em>O Agente Secreto (Brasil)<br>Foi Apenas um Acidente (França)<br>Valor Sentimental (Noruega)<br>Sirat (Espanha)<br>A Voz de Hind Rajab (Tunísia)</em></p>



<p class="has-text-align-center">Melhor Documentário</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Alabama: Presos pelo Sistema&nbsp;<br>Embaixo da Luz de Neon<br>Cutting Through Rocks<br>Mr. Nobody Against Putin<br>A Vizinha Perfeita&nbsp;</em></p>



<p class="has-text-align-center">Melhor Documentário em Curta-Metragem</p>



<p class="has-text-align-center"><em>All the Empty Rooms<br>Armed Only With a Camera: The Life and Death of Brent Renaud<br>Children No More: &#8220;Were and Are Gone&#8221;<br>The Devil Is Busy<br>Perfectly a Strangeness</em></p>



<p class="has-text-align-center">Melhor Animação</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Arco<br>Elio<br>Guerreiras do K-Pop<br>A Pequena Amélie&nbsp;<br>Zootopia 2</em></p>



<p class="has-text-align-center">Melhor Animação em Curta-Metragem</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Butterfly<br>Forevergreen<br>The Girl Who Cried Pearls<br>Retirement Plan<br>The Three Sisters</em></p>



<p class="has-text-align-center">Melhor Curta-Metragem</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Butcher&#8217;s Stain<br>A Friend of Dorothy<br>Jane Austen&#8217;s Period Drama<br>The Singers<br>Two People Exchanging Saliva</em></p>



<p class="has-text-align-center">Melhor Trilha Sonora Original</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Bugonia<br>Frankenstein<br>Hamnet: A Vida Antes de Hamlet<br>Uma Batalha Após a Outra<br>Pecadores</em></p>



<p class="has-text-align-center">Melhor Canção Original</p>



<p class="has-text-align-center">&#8220;Dear Me&#8221; (Diane Warren: Relentless)<br>&#8220;Golden&#8221; (Guerreiras do K-Pop)<br>&#8220;I Lied To You&#8221; (Pecadores)<br>&#8220;Sweet Dreams of Joy&#8221; (Viva Verdi!)<br>&#8220;Train Dreams&#8221; (Sonhos de Trem)</p>



<p class="has-text-align-center">Melhor Direção de Elenco</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Hamnet: A Vida Antes de Hamlet<br>Marty Supreme<br>Uma Batalha Após a Outra<br>O Agente Secreto<br>Pecadores</em></p>



<p class="has-text-align-center">Melhor Fotografia</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Frankenstein<br>Marty Supreme<br>Uma Batalha Após a Outra<br>Pecadores<br>Sonhos de Trem</em></p>



<p class="has-text-align-center">Melhor Design de Produção</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Frankenstein<br>Hamnet: A Vida Antes de Hamlet<br>Marty Supreme<br>Uma Batalha Após a Outra<br>Pecadores</em></p>



<p class="has-text-align-center">Melhor Edição</p>



<p class="has-text-align-center"><em>F1: O Filme<br>Marty Supreme<br>Uma Batalha Após a Outra<br>Valor Sentimental<br>Pecadores</em></p>



<p class="has-text-align-center">Melhor Som</p>



<p class="has-text-align-center"><em>F1: O Filme<br>Frankenstein<br>Uma Batalha Após a Outra<br>Pecadores<br>Sirat</em></p>



<p class="has-text-align-center">Melhores Efeitos Visuais</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Avatar: Fogo e Cinzas<br>F1: O Filme<br>Jurassic World: Recomeço<br>O Ônibus Perdido</em> / Pecadores</p>



<p class="has-text-align-center">Melhor Figurino</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Avatar: Fogo e Cinzas<br>Frankenstein<br>Hamnet: A Vida Antes de Hamlet<br>Marty Supreme<br>Pecadores</em></p>



<p class="has-text-align-center">Melhor Maquiagem e Cabelo:&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Frankenstein<br>Kokuho<br>Pecadores<br>Coração de Lutador: The Smashing Machine<br>A Meia-Irmã Feia</em></p>



<p class="has-text-align-center">Aliás, a TNT e a HBO Max exibem ao vivo e na íntegra a 98ª edição do OSCARS®, no dia 15 de março. Apresentada por Conan O&#8217;Brien, a  cerimônia acontece no Dolby® Theatre, no Ovation Hollywood, palco que reúne os maiores nomes do cinema internacional. </p>
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		<title>&#8216;O Agente Secreto&#8217; é eleito como filme do ano pela ACCRJ</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Dec 2025 16:38:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Matérias]]></category>
		<category><![CDATA[ACCRJ]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Kleber Mendonça Filho]]></category>
		<category><![CDATA[O Agente Secreto]]></category>
		<category><![CDATA[Wagner Moura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma das mais antigas entidades do jornalismo cultural brasileiro, a Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ), presidida por Ana Carolina Garcia, votou neste sábado sua lista dos dez melhores longas-metragens de 2025, e elegeu o thriller &#8220;O Agente Secreto&#8221;, do pernambucano Kleber Mendonça Filho, como o melhor longa do ano. Lançada [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">Uma das mais antigas entidades do jornalismo cultural brasileiro, a Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ), presidida por Ana Carolina Garcia, votou neste sábado sua lista dos dez melhores longas-metragens de 2025, e elegeu o thriller &#8220;O Agente Secreto&#8221;, do pernambucano Kleber Mendonça Filho, como o melhor longa do ano. Lançada no Festival de Cannes, de onde saiu com quatro prêmios, incluindo os de Melhor Direção e Ator (Wagner Moura), a produção recria o Recife de 1977 a partir da luta pela sobrevivência de um pesquisador e professor da universidade pública que retorna à capital pernambucana para buscar o filho que foi obrigado a deixar com os avós. &nbsp;<br><br>Além de &#8220;O Agente Secreto&#8221;, o colegiado carioca destacou outra iguaria brasileira: &#8220;O Último Azul&#8221;,&nbsp;<em>river movie</em>&nbsp;rodado na Amazônia pelo pernambucano Gabriel Mascaro, com foco na luta de uma septuagenária (Denise Weinberg) para fugir de um campo de concentração geriátrico. Coube a esse longa o Grande Prêmio do Júri da Berlinale, em fevereiro. O panteão da ACCRJ destacou ainda o ganhador do Oscar de Melhor Filme e Direção deste ano, &#8220;Anora&#8221;, que venceu a Palma de Ouro de Cannes de 2024. Seu leque de escolhidos reúne ainda produções pop de gêneros como terror (&#8220;A Hora do Mal&#8221; e &#8220;Pecadores&#8221;) e aventura (&#8220;Superman&#8221;). &nbsp;<br><br>Melhor iniciativa cinematográfica de 2025: a atual curadoria de cinema da TV Brasil, pelo destaque para a produção autoral brasileira. Desde janeiro, a emissora, pública e de viés educativo, comandada por Antonia Pellegrino, renovou seu repertório de filme, valorizando títulos de diferentes estados do país e resgatando clássicos cultuados, como &#8220;O Bandido da Luz Vermelha&#8221; (1968). &nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Em sua tradicional homenagem a artistas que partiram de janeiro até agora, a ACCRJ promove homenagens póstumas ao diretor David Lynch, à atriz Diane Keaton e aos atores Gene Hackman e Robert Redford (também cineasta, produtor e criador do Sundance Institute) e aos mestres brasileiros Carlos Diegues e Silvio Tendler.</p>



<p class="has-text-align-center">No início de 2026, uma mostra na Caixa Cultural, organizada pela ACCRJ, vai exibir seus eleitos. &nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center"><strong><u>Os 10 melhores filmes de 2025 para a ACCRJ</u></strong><strong><br></strong>&#8220;O Agente Secreto&#8221;, de Kleber Mendonça Filho (melhor longa do ano)<br>&#8220;A Hora do Mal&#8221; (&#8220;Weapons&#8221;), de Zach Cregger<br>&#8220;Anora&#8221;, de Sean Baker<br>&#8220;Conclave&#8221;, de Edward Berger<br>&#8220;Flow&#8221; (&#8220;Straume&#8221;), Gints Zilbalodis<br>&#8220;O Último Azul&#8221;, de Gabriel Mascaro&nbsp;<br>&#8220;Pecadores&#8221; (&#8220;Sinners&#8221;), de Ryan Coogler &nbsp;<br>&#8220;Setembro 5&#8221; (&#8220;September 5&#8221;), de Tim Fehlbaum<br>&#8220;Superman&#8221;, de James Gunn&nbsp;<br>&#8220;Uma Batalha Após A Outra&#8221; (&#8220;One Battle After Another&#8221;), de Paul Thomas Anderson<strong></strong></p>
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		<title>O Agente Secreto traz a crocância da brasilidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Nov 2025 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[O Agente Secreto]]></category>
		<category><![CDATA[Wagner Moura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Crocante na radiografia de um Brasil acossado pela paranoia de um governo de farda, O Agente Secreto faz &#8220;creck&#8221; na boca da gente sem deixar na língua aquele amargo típico do campo narrativo no qual o debate conta mais do que a jornada. O Agente Secreto é, certamente, um thriller político sintonizado com a linhagem [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">Crocante na radiografia de um Brasil acossado pela paranoia de um governo de farda, <em>O Agente Secreto</em> faz &#8220;creck&#8221; na boca da gente sem deixar na língua aquele amargo típico do campo narrativo no qual o debate conta mais do que a jornada. <em>O Agente Secreto</em> é, certamente,  um thriller político sintonizado com a linhagem do gênero feita na Hollywood nervosa da década de 1970.</p>



<p class="has-text-align-center">Seu miolo é recheado com tomadas de perseguição que evocam a caça de Gene Jackman a Fernaneo Rey em <em>Operação França</em> (1971). Há um clima de risco iminente bem parecido com aquele no qual Robert Redford era mergulhado em <em>Três Dias Do Condor </em>(1975), joia à qual se filia ainda pelo tema da arquivística e da ciência da informação. </p>



<p class="has-text-align-center">Aliás, todas essas alusõesse delineiam sob um espectro de brasilidade, que celebra a força cultura de muitos Nordestes, a se destacar o do Recife. Seu Carnaval, seu calor, sua doçura, está tudo ali, entre personagens que ficam na memória, em especial o projecionista com ares de pai urso Seu Alexandre, vivido por Carlos Francisco.</p>



<p class="has-text-align-center">Rolou muita água e alguma polêmica até que o Brasil decidisse (por lucidez e afinação com as PAs e PGs da Oscar Season) escolher <em>O Agente Secreto</em> para ser seu representante na corrida por uma vaga na disputa das estatuetas de Hollywood. Essa decisão foi anunciada pela Academia Brasileira de Cinema no dia 15 de setembro e com certeza tem poder para afetar (para mais&#8230; e melhor) a bilheteria da longa-metragem em sua pátria natal, onde sua estreia acontece neste 6 de novembro. </p>



<p class="has-text-align-center">De cara, sem dúvida, estamos diante do que se pode chamar de &#8220;O&#8221; filme brasileiro do ano&#8230; e de longe. Aliás, é um dos grandes filmes brasileiros desta década. Aos olhos da crítica, do mercado exibidor e de profissionais de diferentes áreas da produção audiovisual, <em>O Agente Secreto</em> é um título com perfil &#8220;já ganhou&#8221;, apoiado numa trajetória que lembra a de <em>Ainda Estou Aqui</em> em sua reverberação em festivais de peso. O sucesso comercial de Walter Salles, visto por 5,8 milhões de pagantes em cinemas do Brasil, começou seu percurso atrás do Oscar na briga pelo Leão de Ouro de Veneza, onde ganhou o primeiro de seus 67 prêmios: a láurea de Melhor Roteiro.  </p>



<p class="has-text-align-center">São duas horas e 38 minutos que passam num piscar de olhos. O longa traz a luta pela vida de um pesquisador e professor universitário (Wagner Moura em atuação colossal!) perseguido por matadores no Brasil de 1977, num regime de generais conivente com abusos de empresários e agentes da polícia.</p>



<p class="has-text-align-center">Durante a projeção, não ouvimos ninguém falar em ditadura, mas quando a operativa de uma célula de resistência vivia por Maria Fernanda Cândido diz &#8220;pra te proteger do Brasil&#8221;, tudo se faz explícito. Nossos diabos institucionais, como o coronelismo, estão todos ali, assim como a jagunçagem, explicita no Charles Bronson do Mal vivido (com ardor) por Roney Villela.</p>



<p class="has-text-align-center"> Eleito Melhor Filme em Lima, no Peru, <em>O Agente Secreto</em> zarpou de terras canadenses, no pomposo TIFF, em Toronto, para passar pela mostra Perlak de San Sebastián e pelo BFI London Film Festival. Mostras em Biarritz, Nova York e Zurique já estão em seu radar.   </p>



<p class="has-text-align-center">Aclamado por onde passa, o filme tem fôlego para se tornar um blockbuster, termo aplicado a longas que vendem mais de 1 milhão de ingressos. Além disso, a trilha sonora dele gruda no tímpano; seus coadjuvantes vão conosco para casa ao fim da projeção (sobretudo o delegado Euclides vivido pelo oceano de carisma chamado Robério Diógenes).</p>



<p class="has-text-align-center">Cada figura em é um Brasil. Há muitos Brasis na obra que o realizador de &#8220;Vinil Verde&#8221;, &#8220;Eletrodoméstica&#8221; e &#8220;Recife Frio&#8221; pavimenta no longas-metragem a partir de &#8220;Ao Som Ao Redor&#8221; (Prêmio da Crítica no Festival de Roterdã de 2012). Algums desses Brasis são feios, sujos e malvados. Mas todos batem cabeça para um credo sociológico: mais fortes são os poderes do povo. De1964 a 1985, esse povo perdeu&#8230; e feio&#8230; sob o garrote das forças armadas. Por isso, o herói de &#8220;O Agente Secreto&#8221; faz da democracia seu lugar de afirmação, seu chão.</p>



<p class="has-text-align-center">Em nome dela, no esforço de democratizar saberes, ele se expõe ao risco, faz renúncias, navega n&#8217;águas infestadas de predadores. Não por acado, fala-se de &#8220;Tubarão&#8221; (1975) de cabo a rabo. É o longa que deu vida ao conceito de arrasa-quarteirão. É um Spielberg jovem, que se põe à prova, que ousa &#8211; como Kleber faz.</p>



<p class="has-text-align-center">Apesar das mandíbulas abertas que o perseguem, o personagem de Wagner não capitula jamais. Ele avança&#8230; e mantém um riso tenso&#8230; que dá a medida dos tempos de loucura em que vive. Como dizia Rafael Sabatini (1875-1950), autor de &#8220;Scaramouche&#8221;:&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">&#8220;Nos tempos em que o mundo se mostra louco, herói é aquele que mantém o senso de humor&#8221;. Que ironia boa Kleber nos oferece. Seu espetáculo febril se pavimenta sob uma montagem taquicárdica, de Eduardo Serrano e Matheus Farias, galvanizada pelo calor da temperatura de cores da direção de fotografia de Evgenia Alexandrova, que jamais se tropicaliza em excesso &#8211; e nunca se exotiza. A lei do cão do mundo que seu roteiro flagra já é exótica ao extremo. Late e morde.</p>
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		<title>&#8220;UM JULGAMENTO – depois do Inimigo do Povo&#8221;: Transparências do Mal numa peça colossal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Oct 2025 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>
		<category><![CDATA["UM JULGAMENTO"]]></category>
		<category><![CDATA[CCBB]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>
		<category><![CDATA[Wagner Moura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quem não é não se esconde&#8230; cantava o Funk “O Bonde do Rinoceronte&#8230; ao evocar um saber popular das periferias cariocas segundo o qual quem não deve não teme&#8230; um pouco como é a situação do Dr. Thomas Stockmann. O personagem criado em 1882 pelo norueguês Henrik Ibsen (1828–1906) é a tradução ficcional da hashtag #tragoverdades. [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">Quem não é não se esconde&#8230; cantava o Funk “O Bonde do Rinoceronte&#8230; ao evocar um saber popular das periferias cariocas segundo o qual quem não deve não teme&#8230; um pouco como é a situação do Dr. Thomas Stockmann. O personagem criado em 1882 pelo norueguês Henrik Ibsen (1828–1906) é a tradução ficcional da hashtag <em>#tragoverdades</em>. A principal delas: “A verdade acabou”. </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="600" height="400" src="https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/10/22UM-JULGAMENTO-wagner-moura.jpeg" alt="&quot;UM JULGAMENTO" class="wp-image-194694" style="width:474px;height:auto" srcset="https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/10/22UM-JULGAMENTO-wagner-moura.jpeg 600w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/10/22UM-JULGAMENTO-wagner-moura-300x200.jpeg 300w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/10/22UM-JULGAMENTO-wagner-moura-150x100.jpeg 150w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /></figure>
</div>


<p class="has-text-align-center">Acabou no verbo, na letra, na retórica&#8230;, mas onde dá tiro, onde agem milícias, onde falta comida, onde a água não tem encanamento, o real não mente. Fede, sangra, dói, mata, polui. Para que ele ganhe discurso, no tempo das <em>fake news</em>, Wagner Moura fez dele teatro. E o faz numa interpretação taquicardia, que alarma plateias. </p>



<p class="has-text-align-center">Stockmann é o personagem que marca a volta do baiano de Rodelas aos palcos depois de um hiato de quase duas décadas. O doutor Stockmann foi tomado emprestado de Ibsen para gerar uma dramaturgia nova brasileira, que foi batizada (com caixa alta) de “UM JULGAMENTO – depois do Inimigo do Povo”. A peça nasce como escrita, mas se materializa numa capilarização entre gesto, performance, mimese de tribunal e vídeo, com todo os hibridismos característicos de sua diretora, Christiane Jatahy.</p>



<p class="has-text-align-center">É a natureza da encenadora de “Corte Seco” (2009) e “A Falta Que Nos Move” (2005) tensionar fronteiras entre cena e tela, gesto e engasgo, saliva e discurso, realidade e representação. No mesmo tempo em que o cinema, via “Dogville”, de Lars von Trier, lá em 2003, adentrava por Thornton Wilder (“Nossa Cidade”) e Brecht (“O Casamento do Pequeno Burguês”), Jatahy se empapuçava do que havia de mais pós-moderno nas reflexões audiovisuais sobre simulacro e simulação. Avançou (sobremaneira) o que (nas artes visuais) Peter Greenaway esboçou no fim dos anos 1980 e 90 (com “O Livro de Cabaceira”). </p>



<p class="has-text-align-center">Em &#8220;UM JULGAMENTO&#8221;, Ela (Christiane Jatahy), o Wagner que hoje delicia telas mundo afora com o crocante “O Agente Secreto” e Lucas Paraizo (roteirista das séries “Sob Pressão” e “Os Outros”) delinearam um <em>“What if&#8230;”</em> (o que aconteceria se&#8230;) a partir de “O Inimigo do Povo” escrito por Ibsen no século XIX. E se o Dr. Stockmann se insurgisse contra a chancela de subversivo que o conferiram, em prol da paz na ordem vigente? É daí que nasce “UM JULGAMENTO”.</p>



<p class="has-text-align-center">Em sua esfera ciborgue, com suas próteses em vídeo que rebobinam fatos de outrora e abrem hipertextos para maquinações corruptas paralelas, a engenharia de Jatahy lembra a montagem nacional (inesquecível) de “Os Sete Afluentes do Rio Ota”, do canadense Robert Lepage, feita sob a direção de Monique Gardenberg, no início dos anos 2000. Dilatavam-se tempos e geografias, com fraturas no palco impostas por vídeos que abriam memórias. São dispositivos de inventar cena naquilo que é digital, naquilo que é imagem filmada, na videoarte. </p>



<p class="has-text-align-center">Em “UM JULGAMENTO”, as provas são apresentadas à corte por vídeo ao mesmo tempo em que câmeras flagram uma expansão da caixa cênica, uma vez que vemos um Stockmann em fúria a sair dela a bufar, palco  adentro. É um traço da identidade de Jatahy. Um indício de que num mundo pós-verdade, onde tudo é performance: rua é palco; esquina é palco; foyer é palco. O diferencial dessa dramaturgia nova é ela mostrar que peito também é palco. </p>



<p class="has-text-align-center">Existe uma encenação de problemas concretos de Stockmann. Existem, por outro lado, uma tragédia tebana que se passa em seu coração, após a perda de sua companheira, morta em decorrência de problemas cardíacos, sob o efeito de ansiolíticos e remédios para amortecer a depressão. Nessa Tebas, não há oráculos. Os deuses já não se interessam por nós. Só a Lei.              </p>



<p class="has-text-align-center">Sem ela ninguém é livre, a julgar pela tese de Montesquieu: “Liberdade é o direito de fazer tudo o que as leis permitem”. O maior anseio de Stockmann é se libertar do fardo de uma culpa que não é sua. Ele apenas quis libertar seus conterrâneos da ignorância. Deu o fogo (da lucidez) a suas e a seus compatriotas. Resta-lhe penar sob o ataque dos abutres.  </p>



<p class="has-text-align-center">Tão logo os três sinais tocam e as luzes da encenação se engatilham, Wagner entra em cena, dá “Boa noite!” e, solenemente, compactua com a plateia as dinâmicas. Uma delas é o fato de que alguns espectadores, que aceitaram receber pulseiras do lado de fora do Teatro II do CCBB, serão escolhidos, por números, e vão compor o júri. A dinâmica mais importante vem de uma fala de Ibsen, ligado ao fato de que a verdade morreu. Portanto, longa vida à verdade. Wagner insiste: “Poderia ser um filme. Mas a vida não é um filme. Isso aqui é teatro!”.<br><br>O que ele, Paraizo e Jatahy arquitetaram foi um estudo sobre como os fatos driblam as versões que se contam dele. Por isso, tanto faz (ou não) se você não se convencer dos argumentos de Stockmann. O que vale é o embate por seu direito de trazê-los à tona e a certeza de que laudo pericial algum sobre a contaminação de um rio fede como a água que contaminaram.    </p>



<p class="has-text-align-center">Assim, saímos da 1882 do <em>cogito </em>ibseniano e caímos no ano de 2025, num Brasil pós-covid e pós-Bolsonaro, onde Stockmann (Wagner, numa colossal imolação em cena) busca por veios de reparação para sua dignidade. Não pense em honra. Essa é uma palavra que, na História, serviu mais para justificar crimes de ódio do que para harmonizar vivências. Dignidade é balanço. </p>



<p class="has-text-align-center">Logo, esse médico maculado em sua reputação almeja recuperar sua credibilidade diante de um júri formado pelo público, e se submete a um veredito. Em “UM JULGAMENTO”, ele tratava de doentes numa Estação Balneária no interior do país. Flagrou contaminação nas reservas hídricas locais e denunciou o corrido. Foi tachado de charlatão e de irresponsável por isso. </p>



<p class="has-text-align-center">Ao lado de sua filha, Petra Stockmann (vivida por Julia Bernat, parceira recorrente de Jatahy), ele pede uma retratação pública e uma nova chance de se defender. O espetáculo tem como voz de acusação o irmão do protagonista, Peter Stockmann, vivido por um Danilo Grangheia mefistofélico, de humor cru. Ex-prefeito da cidade, ele é o representante das autoridades locais.</p>



<p class="has-text-align-center">O que se inicia como corte, transforma-se em uma disputa familiar, revelando os conflitos por trás da rivalidade entre os irmãos. Revelam-se ainda traumas de Stockmann, relativos à perda de sua parceira. Revela-se também o machismo imperdoável da sociedade que elegeu Peter. </p>



<p class="has-text-align-center">Muitos filmes são citados, em especial “Tubarão” (1975), de Steven Spielberg, que empresta suas guelras também a “O Agente Secreto”, onde Wagner (também) está apoteótico. Contudo, o longa-metragem que mais baliza a forma como Jatahy encena não é nomeado. Trata-se do ganhador da Palma de Ouro de 2023: “Anatomia de uma Queda”, de Justine Triet. Nele, “culpado” ou “inocente” são palavras gastas. O uso abusivo as desgastou. </p>



<p class="has-text-align-center">É o que escreveu Jean Baudrillard no seminal livro “A Transparência do Mal”: nada, na prática da vida em sociedade, desaparece pela escassez, mas, sim, pelo excesso. Mentiu-se demais no Brasil de Peter Stockmann. Já seu irmão, o réu, foi excessivamente humano. Essa demasia&#8230; essa desmesura&#8230; finca seus pés num solo tão milenar quanto o de teatro&#8230; o solo da certeza. </p>



<p class="has-text-align-center">De fato, é certo que “UM JULGAMENTO” é “O” acontecimento teatral de 2025, pela provocação e pela forma. Pela engenharia sonora que faz o Teatro II do CCBB implodir. Pelo modo em que Wagner renova nossa fé nos sagrados poderes da composição teatral.      </p>
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		<title>Lucas Paraizo, ímã de audiência na TV e no streaming, estreia no palco com Wagner Moura</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Oct 2025 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>
		<category><![CDATA[CCBB]]></category>
		<category><![CDATA[Lucas Paraizo]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um dos roteiristas mais disputados da TV brasileira e do nosso cinema, com fenômenos de audiência como as séries &#8220;Os Outros&#8221; e &#8220;Sob Pressão&#8221; no currículo, Lucas Paraizo faz sua incursão inicial pela dramaturgia teatral numa companhia duplamente nobre e duplamente prestigiada no exterior: Wagner Moura e Christiane Jatahy. Eles são seus companheiros em &#8220;UM [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">Um dos roteiristas mais disputados da TV brasileira e do nosso cinema, com fenômenos de audiência como as séries &#8220;Os Outros&#8221; e &#8220;Sob Pressão&#8221; no currículo, Lucas Paraizo faz sua incursão inicial pela dramaturgia teatral numa companhia duplamente nobre e duplamente prestigiada no exterior: Wagner Moura e Christiane Jatahy. Eles são seus companheiros em &#8220;UM JULGAMENTO – depois do Inimigo do Povo&#8221;. Wagner Moura volta aos palcos a partir desta quinta no CCBB, não só como ator, mas também como coautor desse experimento baseado na obra do norueguês Henrik Ibsen (1828–1906). </p>



<p class="has-text-align-center">Há uma triangulação dessa releitura ibseniana entre Wagner, Paraizo e Jatahy, encenadora que é consagrada mundialmente por tensionar os limites entre vídeo, cena e realidade. Professor de escrita de roteiro em aulas concorridas na PUC-Rio, Paraizo ganhou o troféu Redentor do Festival do Rio de 2017 pelo script de &#8220;Aos Teus Olhos&#8221;. Nessa época, Jatahy fazia experiências nos palcos franceses. </p>



<p class="has-text-align-center">Aliás, a admiração dele pela diretora passa não só por essa fase europeia dela, mas também por seus sucessos locais, como &#8220;Corte Seco&#8221; (2009) e &#8220;A Falta Que Nos Move&#8221; (2009). Em busca de um projeto em que afinassem as visões, Jatahy e Wagner, enfim, chegaram ao Ibsen mais potente: &#8220;Um Inimigo do Povo&#8221;, de 1882. </p>



<p class="has-text-align-center">A peça original narra os contratempos do Dr. Thomas Stockmann após a descoberta de que as águas do Balneário Termal de sua cidade estão contaminadas. Ao tentar alertar as autoridades para proteger a população e os turistas, ele vê suas intenções fracassarem e acaba condenado como um detrator público, acusado de querer prejudicar economicamente a cidade e de ignorar a vontade da maioria.<br><br>O teatro do Centro Cultural Banco Brasil acolhe essa premissa, mas com vida própria, à luz da miscelânea de ideias de Jatahy, Wagner e Paraizo, ambientadas numa corte judicial de 2025, com signos contemporâneos. Além disso, nessa &#8220;reescrita&#8221;, o protagonista de Ibsen busca por reparação. Stockmann quer recuperar sua dignidade e, diante de um júri formado pelo público, submete-se a um novo veredito. </p>



<p class="has-text-align-center">Em &#8220;UM JULGAMENTO – depois do Inimigo do Povo&#8221;, o personagem de Wagner é médico de uma Estação Balneária no interior do país. Ao lado de sua filha Petra Stockmann (vivida por Julia Bernat, parceira recorrente de Jatahy), ele pede uma retratação pública e uma nova chance de se defender. O espetáculo tem como acusação o irmão do protagonista, Peter Stockmann, vivido por Danilo Grangheia. Ex-prefeito da cidade, ele é o representante das autoridades locais.</p>



<p class="has-text-align-center">O que se inicia como plenária jurídica se transforma em uma disputa familiar, revelando os conflitos por trás da rivalidade entre os irmãos. No papo a seguir, Paraizo explica a brasilidade que existe nesse quiproquó geopolítico.    </p>



<p class="has-text-align-center"><strong>O que o Henrik Ibsen pode nos oferecer como balanço sobre o senso do que é justo e do que potencialmente ético na sociedade brasileira?<br>Lucas Paraizo: </strong>Certamente, mais do que um balanço, acho que Ibsen nos oferece uma discussão sobre a relação entre ética e os sistemas sociais e econômicos vigentes. Ibsen é um autor que questiona nossos valores e os coloca a prova. </p>



<p class="has-text-align-center"><strong>Que brasileiro é Thomas Stockmann, o personagem de Wagner Moura em &#8220;UM JULGAMENTO?<br>Lucas Paraízo: </strong>Um brasileiro que coloca os valores coletivos na frente dos individuais. Mas que é, ao mesmo tempo, cheio de contradições e acredita que os fins justificam os meios. </p>



<p class="has-text-align-center"><strong>O que representou para você a imersão no teatro e a troca com uma multiartista como Christiane Jatahy?<br>Lucas Paraizo:&nbsp;</strong>Essa é minha estreia escrevendo para o teatro e não poderia estar mais feliz de fazê-lo por um convite da Chris. Sou profundo admirador de toda sua obra e nossas afinidades nos aproximaram. Foi um processo de construção de texto muito feliz. A partir de uma ideia e de um conceito que ela trouxe, fizemos uma releitura da obra num modelo bastante cinematográfico, como é parte de sua linguagem.</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>Que peso há em escrever para Wagner Moura? Ou que leveza existe nisso?<br>Lucas Paraizo:</strong> Wagner, de fato, tem uma potência cênica contagiante e puxa tudo pra cima! Ele faz todos acreditarem no texto e escolhe projetos em que acredita. Tenho muita admiração ética, profissional e pessoal por ele. Sou grato e feliz por ter tido a oportunidade de poder colaborar nesse texto e nesse projeto. </p>



<p class="has-text-align-center"><strong>Como fica sua vida na TV e no cinema? Que novidades em frente?<br>Lucas Paraizo:&nbsp;</strong>Estamos montando a terceira temporada de &#8220;Os Outros&#8221; que estreia ano que vem no Globoplay e estou desenvolvendo mais um projeto em minha parceria com a Luísa Lima.</p>



<p class="has-text-align-center">A peça faz temporada no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro, no Teatro II, de 23 de outubro a 3 de novembro./ Classificação indicativa: 16 anos.</p>
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