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	<title>Arquivos Zezé Polessa - Rota Cult</title>
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	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
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	<title>Arquivos Zezé Polessa - Rota Cult</title>
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		<title>&#8220;Os Olhos de Nara Leão&#8221; faz evocação à Nara Leão com interpretada delicada de Zezé Polessa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Mar 2026 13:06:27 +0000</pubDate>
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<p class="has-text-align-center">Qual se via em &#8220;Shirley Valentine&#8221; (1989), filme de Lewis Gilbert, a Nara Leão de Zezé Polessa, na atual empreitada teatral de Miguel Falabella, pergunta-se (do seu jeitinho, em bom português) onde anda &#8220;The Girl Who Used to Be Me&#8221;. No longa-metragem que rendeu uma indicação ao Oscar a Pauline Collins, embalada na canção supracitada de Marvin Hamlisch, a protagonista se desenraiza para poder pertencer&#8230; a um novo tempo. Nara, também.</p>



<p class="has-text-align-center">Miss Valentine partia de uma condição de não pertencimento, na rotina manhosa do dia a dia, para uma Grécia temperada com as especiarias do olhar alheio – o que a fazia ser vista, o que a fazia reviver. A Nara de Zezé Polessa parte do Infinito&#8230; para o mundo. No engenho dramatúrgico do autor de &#8220;Querido Mundo&#8221; e &#8220;A Partilha&#8221;, a cantora despenca do que se pode chamar de Eternidade (ou seria melhor chamar de Futuro?).</p>



<p class="has-text-align-center">Zezé Polessa retoma no palco a relação de amor de Nara Leão, que marcou toda a sua presença carnal aqui neste plano: a paixão pela palavra. Cantando dígrafos, encontros consonantais, silepses e metonímias, Nara fez a <em>langue</em> virar <em>parole</em>, numa fricção poética.    </p>



<p class="has-text-align-center">A diferença entre ela e a Shirley Valentine do cinema (e do teatro) é o fato de esta última&nbsp;<em>&#8220;ter saído de cena sem um ruído sequer, e ninguém notou que ela estava por perto&#8221;</em>. É o que diz (na tradução) a letra de Hamlisch: &#8220;only the moon remembers her at all&#8221;.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Obviamente, o Brasil não se esqueceu de Nara, a julgar a polêmica recente acerca da letra &#8220;Com Açúcar, Com Afeto&#8221;, que Chico Buarque compôs, mas desistiu de cantar pra sempre, patrulhado pelos <em>AITs</em> (aparelhos Ideológicos) althusserianos da contemporaneidade. foi, certamente, uma escolha ética.</p>



<p class="has-text-align-center"><span style="font-family: -webkit-standard; font-size: medium; text-align: start; white-space: normal;">&#8220;Os Olhos de Nara Leão&#8221;</span> comenta sobre esse episódio, mas sem delonga. Levanta-se a lebre num momento em que Polessa já botou a plateia no bolso, falando de seus tempos de menina e da relação com a imã, &#8220;A&#8221; Danuza (modelo e colunista), enquanto brinca com a caixa cênica da cenografia de Marco Lima, bem alinhavada pelo desenho de luz de Cesar Pivetti. </p>



<p class="has-text-align-center">A caixa é o mote para a&nbsp;<em>persona&nbsp;</em>Nara (já devidamente&nbsp;<em>encostada&nbsp;</em>em sua intérprete) discorrer sobre a fronteira tênue entre o Ontem e o Amanhã. &#8220;A finitude está sempre aí. O problema é não ter passado&#8221;, diz a leoa Leão.</p>



<p class="has-text-align-center">Assim como Chico, de quem elogia os olhos de ardósia, a própria Nara afirma-se, a certo ponto, ao dizer: &#8220;Sou lembrada pelas minhas escolhas&#8221;. Parte dessas decisões passam pelos sucessos &#8220;A Banda&#8221;, &#8220;Diz Que Fui Por Aí&#8221;, &#8220;Corcovado&#8221; e &#8220;Marcha da Quarta-Feira de Cinzas&#8221;. Todos são revivificados docemente por Polessa em cena, sob a fina direção musical de Josimar Carneiro.</p>



<p class="has-text-align-center">Espartano, o desenho de som de Arthur Ferreira e João Gabriel Mattos esquadrinha, com perfeição, a linha de <em>jukebox </em>do espetáculo. A peça se conjuga com uma linhagem de trabalhos em tom de <em>biopic</em> de Miguel Falabella sobre aves canoras inesquecíveis (como Elvis Presley, Martinho da Vila e, agora, Nara). Nela, o figurino apolíneo de Nathália Duran veste (delicadamente) Zezé Polessa qual fosse uma Peggy Sue a saltar entre o &#8220;já foi&#8221; e o &#8220;já é&#8221;, numa linha proustiana de rememorar a vida&#8230; de rememorar o país. </p>



<p class="has-text-align-center">Aliás, a peça faz uma dulcíssima homenagem a Cacá Diegues (cineasta morto em 2025, que foi marido de Nara e teve uma filha e um filho com ela), além de uma série de outras referências ao Cinema Novo e como os amores de Nara Leão, tornam esse monólogo musical essencial para compreender a História Moderna da Arte Brasileira entre os anos 1950 e 60, entre a Bossa Nova e Glauber Rocha. Além disso, a menção a Carlos Drummond de Andrade e Baudelaire (cada qual em seu quadrado, mas ambos avessos aos classicismos) celebra a moderna forma de criar. No caso de Nara, seria a moderna forma de cantar, e de amar e de ser (eterna).</p>



<p><a href="https://rotacult.com.br/2026/02/os-olhos-de-nara-leao-musical-com-zeze-polessa-chega-aos-palcos/">Saiba mais sobre a peça!</a></p>
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		<title>&#8216;Os Olhos de Nara Leão&#8217;, musical com Zezé Polessa, chega aos palcos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rota Cult]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Feb 2026 12:11:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adulto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ícone da música, a cultura e a sociedade brasileira dos anos 60, 70 e 80, Nara Leão segue reverberando após três décadas e meia de sua partida. Em &#8216;Os Olhos de Nara Leão&#8217;, Zezé Polessa partilha o desejo de revivê-la nos palcos tendo ao seu lado, na autoria e direção do espetáculo, o amigo Miguel [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">Ícone  da música, a cultura e a sociedade brasileira dos anos 60, 70 e 80, Nara Leão  segue reverberando  após três décadas e meia de sua partida. Em &#8216;Os Olhos de Nara Leão&#8217;, Zezé Polessa partilha o desejo de revivê-la nos palcos tendo ao seu lado, na autoria e direção do espetáculo, o amigo Miguel Falabella, parceiro em uma série de projetos teatrais. </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Zeze-Polessa-em-Os-Olhos-de-Nara-Leao--1024x682.jpg" alt="'Os Olhos de Nara Leão'" class="wp-image-197789" style="aspect-ratio:1.5014994624568552;width:482px;height:auto" srcset="https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Zeze-Polessa-em-Os-Olhos-de-Nara-Leao--1024x682.jpg 1024w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Zeze-Polessa-em-Os-Olhos-de-Nara-Leao--300x200.jpg 300w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Zeze-Polessa-em-Os-Olhos-de-Nara-Leao--768x512.jpg 768w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Zeze-Polessa-em-Os-Olhos-de-Nara-Leao--630x420.jpg 630w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Zeze-Polessa-em-Os-Olhos-de-Nara-Leao--150x100.jpg 150w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Zeze-Polessa-em-Os-Olhos-de-Nara-Leao--696x464.jpg 696w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Zeze-Polessa-em-Os-Olhos-de-Nara-Leao--1068x712.jpg 1068w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Zeze-Polessa-em-Os-Olhos-de-Nara-Leao-.jpg 1280w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Priscila Prade</figcaption></figure>
</div>


<p class="has-text-align-center">A peça chega ao Rio de Janeiro após exatos 60 anos do lançamento oficial da música &#8216;A Banda&#8217;, no II Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record. A canção, interpretada por Nara Leão e Chico Buarque, dividiu o primeiro lugar com &#8216;Disparada&#8217;, de Jair Rodrigues, tornando-se um fenômeno de popularidade.</p>



<p class="has-text-align-center">Zezé Polessa cresceu ouvindo e acompanhando a carreira de Nara através dos discos e os muitos sucessos apresentados em festivais na TV. Durante a pandemia, ao ler uma biografia da cantora, enfileirou uma série de entrevistas e livros sobre o período, quando, intuitivamente, começou ali a fazer uma pesquisa daquela que seria a sua próxima personagem. Existe muita documentação impressa da vida e obra de Nara Leão.</p>



<p class="has-text-align-center">Ao falar sobre a vontade de interpretar Nara, em uma conversa informal com Miguel Falabella, ele de imediato desejou criar o texto e, ainda no período pandêmico, a primeira versão do espetáculo começava a ganhar forma. </p>



<p class="has-text-align-center">No espetáculo, Nara está em cena, como se estivesse vindo de algum lugar do futuro ou do passado para compartilhar com o público algumas lembranças e reflexões. Através de um grande fluxo de consciência, o texto relembra momentos e canções da intérprete sem preocupação com cronologias, datas ou qualquer outra formalidade, bem no estilo Nara, uma intérprete que sempre foi &#8216;fora da caixa&#8217;, que permitia-se liberdades como artista e como mulher.</p>



<p class="has-text-align-center">Ao se apresentar, ela logo diz que está de volta graças ao privilégio do teatro, &#8220;Eu não procuro imitar o seu jeito de falar ou cantar, existe uma liberdade em todo este processo, não poderia ser diferente com alguém que sempre foi tão livre&#8221;, reflete Zezé, que interpreta ao vivo alguns dos muitos sucessos da cantora.</p>



<p class="has-text-align-center">Com direção musical de Josimar Carneiro, cenário de Marco Lima e iluminação de Cesar Pivetti, o espetáculo perpassa os diversos estilos e movimentos dos quais Nara participou. Em constante mutação, ela nunca se deixou rotular ou ficar presa a um determinado gênero: esteve no coração do nascimento da Bossa Nova, flertou com o Tropicalismo, participou dos festivais da canção, protagonizou o lendário show &#8216;Opinião&#8217;, com João do Vale e Zé Ketti (e foi quem escolheu a estreante Maria Bethânia para substituí-la), resgatou antigos compositores, cantou samba-canção, músicas de protesto, rock&#8217;n&#8217;roll e Jovem Guarda. A liberdade e a inquietação de Nara se refletiam, sem amarras, na sua criação artística.</p>



<p class="has-text-align-center">No palco, as canções surgem para pontuar alguns dos momentos de uma vida que se confunde com a história do Brasil daquela época. Ao longo das cenas, alguns temas vêm à tona, como a repressão sofrida no período da ditadura militar, o exílio, o avanço do debate feminista, a revolução comportamental das décadas de 60 e 70, a maternidade, os célebres casos de amor e as demais paixões da cantora. </p>



<p class="has-text-align-center"><strong>Serviço</strong>: Temporada: de 06 de Março a 26 de abril / Local: Teatro Clara Nunes Rua Marquês de São Vicente, 52, Gávea,  de 2026  / Ingressos à venda pela bilheteria do Teatro ou pela Sympla / Classificação etária: livre </p>
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