A história de um homem e a capacidade de se recriar. Com uma câmera que se afasta e se aproxima dele, sem saber mais para onde ir, “Entre Vales” é um filme cheio de fragmentos.
 
Vicente tem uma vida comum, é casado e tem um filho, mas por obras do destino e da vida, sua jornada o torna um homem frágil e desapegado. Depressivo, se torna um nômade rodando pela cidade de São Paulo, apenas sobrevivendo. Se sentindo um lixo, descartável para o mundo, cheio de desilusões, Vicente vive de lembranças do passado.
 
A identidade do diretor em agrupar imagens de forma não linear transforma esse longa em um pesadelo para o personagem. A volta por cima não existe. Não há vitalidade, nem potência que o traga de volta, a descrença do personagem transforma seu renascimento em algo sofrido e abstrato.
 
Protagonizado por Ângelo Antônio que veste muito bem o personagem, o filme conta com a belíssima fotografia de Walter Carvalho, que nos leva a passear em um mundo obscuro e depressivo. Philippe Barcinski nos coloca a frente de um quebra cabeças que exige que o espectador tenha um olhar clínico sobre a vida.
 
Vencedor do 8º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo 2013, “Entre Vales” é do mesmo diretor de “Não por Acaso” estrelado por Rodrigo Santoro e Leonardo Medeiros.

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