No próximo dia 25, o Instituto Moreira Salles lança em DVD os filmes Libertários (Brasil, 1977), de Lauro Escorel, e Chapeleiros (Brasil, 1983), de Adrian Cooper, com sessão na sala de cinema do IMS-RJ às 18h, seguida de uma conversa entre Lauro Escorel e José Carlos Avellar, coordenador de cinema do IMS.

Nas palavras do crítico de cinema Carlos Augusto Calil, os dois títulos são filmes , “oriundos de projeto universitário, concebidos como elementos de divulgação de pesquisa sobre as origens do movimento operário no Brasil”. Apesar de complementares, os filmes abordam o universo dos trabalhadores e da industrialização paulista de maneiras distintas.

Libertários aproveita a ampla iconografia que acabava de ficar disponível para pesquisa na Universidade de Campinas (Unicamp) – caso da exposição Memória paulistana, e do arquivo Edgard Leuenroth, fonte primária da pesquisa a que estava associado – e utiliza de modo original filmes de época, de exaltação dos feitos industriais, que contêm muitas cenas autênticas das fábricas, mas invertendo os seus sentidos. Ainda segundo Calil, “com o firme objetivo de persuadir o espectador, e conquistá-lo à sua causa, Libertários assume a vocação de filme-senha, destinado à agitação política, no melhor estilo militante. Não houve cineclube ou sindicato no decênio de 1980 que não disputasse a cópia de Libertários para suas sessões de cinefilia e arregimentação partidária.”

Por outro lado, Chapeleiros investe na longa observação do ato de trabalhar em uma antiga fábrica de chapéus. Em um filme sem entrevistas, Chapeleiros não hesita em buscar a visualidade estética em texturas e grafismos, na própria materialidade, com trilha sonora sóbria, composta apenas de música barroca e ruídos. “A lida do operário com o material, o manuseio apropriado, a repetição sem automatismo, a máquina como extensão do corpo e seu algoz, são as dimensões que emergem naturalmente desse filme sem palavras. A velha fábrica resiste, pois o trabalho artesanal ainda tem vez na economia industrial. Mas seu lugar não é mais confortável na paisagem urbana e social. Sua chaminé procura a melhor posição dentro do quadro do filme. À esquerda? Direita? A câmera hesita e a montagem não alivia. A dança da chaminé nos alerta para a constatação inevitável: aquela fábrica já não tem mais uso no moderno capitalismo; é um fantasma a assombrar o país do milagre econômico”, comenta Calil.


Libertários, de Lauro Escorel +Chapeleiros, de Adrian Cooper
R$ 44,90

 


SERVIÇO:
Quinta-feira, 23
20h Libertários (Brasil, 1977. 30’), de Lauro Escorel, e Chapeleiros (Brasil, 1983. 24’), de Adrian Cooper.
Sexta-feira, 24
18h Libertários (Brasil, 1977. 30’), de Lauro Escorel, e Chapeleiros (Brasil, 1983. 24’), de Adrian Cooper.
Sábado, 25
18h Libertários (Brasil, 1977. 30’), de Lauro Escorel, e Chapeleiros (Brasil, 1983. 24’), de Adrian Cooper. Sessão seguida de debate entre Lauro Escorel e José Carlos Avellar.
R$ 8,00 (inteira) e R$ 4,00 (meia)
Capacidade da sala: 113 lugares.
Ingressos e senhas sujeitos à lotação da sala.
Ingressos disponíveis também em www.ingresso.com
Sessões para escolas e agendamento de cabines pelo telefone (21) 3284 7400

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