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VENTOS DE AGOSTO POR CARMEM LUCIA SANT’ANNA CORTEZ

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Nordeste, interior de Alagoas. Uma menina e um rapaz. Uma povoado sem luz, sem perspectivas, sem historias específicas e /ou especiais pra contar,,, a vida passa ao sabor dos ventos…dos ventos que trazem alguns turistas, muito provavelmente de quando em vez – e com eles a cultura de alguma coisa que não cabe ou não caberia neste lugar: tatuagem, musica punk, coca-cola – um pesquisador que quer escutar esses ventos, e que não cabe ou não caberia também neste contexto.

A menina e o lugar também não cabem um no outro – ou não caberiam. O menino e a menina que vivem um relacionamento por forças circunstanciais, pescam, colhem …  e namoram.

A vida vai passando, se desenrolando nesse interior do interior do Brasil, de aparentes não realces, tons esmaecidos, morte e vida não são tão antagonistas assim como a gente conhece ou está acostumado a sentir, tanto faz se chove, se faz sol, se é dia ou noite. É talvez como Deus quiser.

Há um aparente desanimo, mas a câmera denuncia uma certa tensão. Uma tensão que não se revela totalmente e se dispersa, quando a morte se materializa através de um cranio ou corpo decomposto achado ao acaso, despertando assim outras sensações como a curiosidade ou sentimentos mais nobres como a comiseração.

O contraste existente no filme, reforça a ideia de um Nordeste que esquece de si e foi esquecido, onde o Estado, por exemplo, embora acessível a um toque da telefonia celular (pasmem, há sinal ainda que remoto de telefonia móvel), preguiçosamente se abstêm de seus deveres. Esse contraste também serve para delinear o turbilhão de sentimentos amainados, guardados no recôndito dos seus personagens principais.

Não há luz, mas há coca cola. A polícia não chega lá, mas o punk chegou!

Esse filme não caberia na quarta curva depois do rio, quebrando à esquerda, onde essa comunidade está sendo localmente narrada, porque ele é grande: grande em cada enquadramento, em cada narrativa visual, na sua grandiosidade de contar uma história aparentemente sem historias.
Alê Shcolnik
Alê Shcolnikhttps://www.rotacult.com.br
Editora de conteúdo e fundadora do site, jornalista, publicitária, fotografa e crítica de cinema (membro da ACCRJ - Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro). Amante das Artes, aprendiz na arte de expor a vida como ela é. Cultura e tattoos nunca são demais!

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