Nordeste, interior de Alagoas. Uma menina e um rapaz. Uma povoado sem luz, sem perspectivas, sem historias específicas e /ou especiais pra contar,,, a vida passa ao sabor dos ventos…dos ventos que trazem alguns turistas, muito provavelmente de quando em vez – e com eles a cultura de alguma coisa que não cabe ou não caberia neste lugar: tatuagem, musica punk, coca-cola – um pesquisador que quer escutar esses ventos, e que não cabe ou não caberia também neste contexto.

A menina e o lugar também não cabem um no outro – ou não caberiam. O menino e a menina que vivem um relacionamento por forças circunstanciais, pescam, colhem …  e namoram.

A vida vai passando, se desenrolando nesse interior do interior do Brasil, de aparentes não realces, tons esmaecidos, morte e vida não são tão antagonistas assim como a gente conhece ou está acostumado a sentir, tanto faz se chove, se faz sol, se é dia ou noite. É talvez como Deus quiser.

Há um aparente desanimo, mas a câmera denuncia uma certa tensão. Uma tensão que não se revela totalmente e se dispersa, quando a morte se materializa através de um cranio ou corpo decomposto achado ao acaso, despertando assim outras sensações como a curiosidade ou sentimentos mais nobres como a comiseração.

O contraste existente no filme, reforça a ideia de um Nordeste que esquece de si e foi esquecido, onde o Estado, por exemplo, embora acessível a um toque da telefonia celular (pasmem, há sinal ainda que remoto de telefonia móvel), preguiçosamente se abstêm de seus deveres. Esse contraste também serve para delinear o turbilhão de sentimentos amainados, guardados no recôndito dos seus personagens principais.

Não há luz, mas há coca cola. A polícia não chega lá, mas o punk chegou!

Esse filme não caberia na quarta curva depois do rio, quebrando à esquerda, onde essa comunidade está sendo localmente narrada, porque ele é grande: grande em cada enquadramento, em cada narrativa visual, na sua grandiosidade de contar uma história aparentemente sem historias.

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