ghostlandO documentário alemão mostra o choque cultural dos Ju/’Hoansi (Bushmen – tribo na Namíbia com aproximadamente 25 mil anos de história). Proibidos de caçar, eles são obrigados a apelar para o turismo como forma de subsistência. A abordagem de Simon Stadler é inteligente e bem humorada ao dar destaque à perspectiva dos Bushmen.

Primeiro, um grupo é convidado a fazer uma viagem pela Namíbia, passando pelo deserto de Kalahari e por um local que a UNESCO reservou especialmente para recebê-los. Nesse momento, percebemos como eles são ocidentalmente bem tratados: tomam refrigerante, tomam banho de piscina, jantam à mesa. Seis meses depois, quatro deles são convidados a compartilhar seus conhecimentos numa escola em Frankfurt. E tudo lhes parece estranho: o homem branco (são muitas pessoas, e elas não se conhecem e não se cumprimentam), as casas grandes (os edifícios), as coisas que estão no ar (como o barulho), o shopping center (o lugar só para lojas, muitas lojas, é o lugar mais estranho).

O olhar atento e terno dos Bushmen nos faz reavaliar a vida capitalista que vivemos, que desejamos, plena de caos e interesses, tantas vezes incoerente com o que, de fato, é importante. Com beleza e simplicidade, o documentário nos faz ver a sabedoria e a percepção de uma tribo em contato com outra tribo vizinha, outros lugares, outro continente. Ao ver o que eles pensam e sentem com todas essas mudanças, nós também (re)pensamos nossos hábitos, o que nem sempre significa nossas escolhas.

Em cartaz na Mostra Meio Ambiente.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here