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Espetáculo Terra Sonâmbula, de Mia Couto, no Teatro Cacilda Becker

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A Companhia portuguesa ESTE- Estação Teatral da Beira Interior apresenta de 12 a 15 de janeiro o espetáculo Terra Sonâmbula, de Mia Couto, no Teatro Cacilda Becker, no Rio de Janeiro. A peça, criada a partir do romance do renomado escritor moçambicano Mia Couto, será exibida pela primeira vez em palcos brasileiros. O espetáculo baseia-se no romance do autor, publicado em 1992, e é considerado um dos doze melhores livros africanos do século XX por um júri criado pela Feira do Livro do Zimbábue.

Na trama, um ônibus incendiado em uma estrada poeirenta serve de abrigo ao velho Tuahir e ao menino Muidinga, em fuga da guerra civil devastadora que acontece por toda parte, em Moçambique. O veículo está cheio de corpos carbonizados, mas há também um outro corpo à beira da estrada junto a uma mala que abriga os “cadernos de Kindzu”, o longo diário do morto, em questão. A partir daí, duas histórias são narradas paralelamente: a viagem de Tuahir e Muidinga e, em flashback, o percurso de Kindzu em busca dos naparamas, guerreiros tradicionais, abençoados pelos feiticeiros, que são, aos olhos do garoto, a única esperança contra os senhores da guerra. Assim começa o também o espetáculo “Terra Sonâmbula”, que busca transpor para o teatro os traços tão marcantes da essência, da forma de comunicação, da singularidade e da poética de Mia Couto, buscando ressaltar a profundidade de uma escrita tão característica do escritor.

O espetáculo é fruto do encontro do dramaturgo Nuno Pino Custódio e da atriz Rosinda Costa com Mia Couto, em Maputo. O convívio entre os três aflorou a vontade de estender o aclamado romance também para a linguagem teatral.

A narrativa teatral é expressa, principalmente, pela linguagem corporal/ gestual da atriz, Rosinda Costa, que conta também com o músico Alexandre Barata, que realiza a percussão durante toda a trama.

“O teatro precisa de se reinventar, sair de práticas que já não acompanham a evolução de uma sociedade que enfrenta fenômenos que, inclusivamente, lhe são contrários, paradoxais e o esvaziam de uma necessidade enquanto arte do espetáculo. Reprojetar esta necessidade implica conhecer este espectador novo, aquele que vive cada vez mais uma existência virtual, que sob as regras de um sistema capitalista neoliberal se depara com a sua própria desumanização ou que inclusive não compreende já a própria faculdade do amor.

Falo justamente de uma Terra Sonâmbula que todos vamos reconhecendo como um espaço habitado por olhos que não vêem e corações que não sentem.

Espaço único de transmissão, o teatro parece hoje estar a debater-se entre a possibilidade de se reafirmar como necessidade premente, profiláctica, absolutamente incontornável ou o perigo de se fechar enquanto lugar inerte onde só caberão nichos cada vez mais pequenos de espectadores e por fim cadeiras vazias.

(…) parafraseando as palavras iniciais desta surpreendente e mágica narrativa de Mia Couto, antigo e novo vão justamente de mãos dadas, em lugar onde a guerra tinha morto até a estrada, vão bamboleantes, como se caminhar fosse o seu único serviço.”, – afirma o encenador e diretor artístico da Estação Teatral, Nuno Pino Custódio.

Serviço:
Terra Sonâmbula
Local: Teatro Cacilda Becker (Rua do Catete, 338 – Catete)
Data: de 12 a 15/01/17. Quinta a domingo, às 20h.
Tempo de duração: 60 minutos.
Valor: R$20
Classificação: 12 anos.

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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