Os 40 são os novos 30, ou serão os novos 25? Talvez sejam os eternos 17. Os famosos “MIlennials” ou geração “Y”, homens e mulheres com idades em torno dos 30 anos. Uma geração que vivenciou muitas transformações, principalmente tecnológicas, e não só viu, mas foi agente de mudanças na maneira com que as pessoas se relacionavam e se colocavam no mundo. Uma nova noção de tempo, já que a tecnologia encurtou distâncias e bombardeou suas vidas com informação e possibilidades. Um infinito de possibilidades que se tornou uma avidez por mudanças. Uma avidez por mudanças que culminou num estilo de vida que prioriza a busca incessante e volúvel pela felicidade imediata e acima de qualquer coisa. Resultado, uma geração de adolescentes de idade entre 30 e 40 anos, vivendo a eterna síndrome do Peter Pan, com dificuldade de amadurecer.

Ao som de “raindrops keep falling on my head” o serelepe Caco, vivido por Felipe Rocha, vai ao encontro do momento que vai mudar sua vida. Ele quer pedir sua namorada Júlia (Leandra Leal) em casamento, mas, ao invés disso, ele descobre que ela o está traindo com um Chef de cozinha argentino. Devastado, ele recorre ao amigo Vadão (Daniel Furlan). A solução que eles encontram para o coração partido de Caco é uma viagem para Argentina, com o objetivo de ficar com o maior número de mulheres possível.

Uma comédia romântica estilo Road movie, dentro de um clássico e lindo opala amarelo. O bom roteiro de Thiago Dottori (Os 3), Pedro Aguilera (Copa de Elite) e de Fernando Fraiha e Jiddu Pinheiro, também diretores, consegue contornar muitos dos clichés, apesar de pesar a mão em algumas piadas.

A premissa satírica do filme fica clara nas referências à piada Brasil-Argentina, ultrapassada na essência, mas que persiste, apesar de já não fazer mais sentido nos dias de hoje. Essa é a grande piada do filme! “La vingança”, não é um filme sobre traição e vingança. É um filme sobre amadurecimento e, para isso ressalta e ironiza muitos dos comportamentos de uma geração inteira que, de certa forma, está ultrapassada, mas que persiste em fazer as mesmas piadas, e ter os mesmos comportamentos que não cabem mais na sociedade de hoje, e nem na idade de seus integrantes.

A química entre os dois atores principais é excelente e funciona muito bem, com excelente timing cômico e diálogos que soam espontâneos o filme arranca algumas boas risadas, enquanto a dinâmica entre eles, reforça o quão ridículos são esses personagens da vida real, com seu discurso em prol da solteirice e recheado de atitudes machistas ultrapassadas.

O filme apesar de previsível em muitos momentos e com excesso de piadas da mesma natureza, possui, definitivamente, alguns bons momentos, ressaltados pela direção que deixa o filme leve e fluído, e é capaz de arrancar algumas boas risadas, sendo assim uma boa pedida para os fãs do gênero.

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