Nessa semana, as mulheres dominam o pacote de lançamentos da Universal Music nas plataformas digitais. A diva Zizi Possi marca presença com seu terceiro disco, de 1980, que trazia o hit “Meu Amigo, Meu Herói”. Já Tânia Alves brilha com “Amores e Boleros III”, recheado de clássicos da música romântica. A saudosa Selma Reis tem seu segundo disco, que tinha “O Que é o Amor” como carro-chefe, na lista. Cantora de voz elegante, Yara também está no pacote, com o álbum “Pintura Íntima”. Sem falar no curioso disco “Maria Santa Divina e Maravilhosa”, em que Sylvia Massari dá voz à famosa (e desbocada) boneca Maria Santa. Mas a música instrumental também ganha espaço. Ricardo Silveira e Toninho Horta têm importantes títulos de suas carreiras resgatados. O Trio Irakitan deixa os boleros de lado para mostrar “A Bossa Que Gostamos de Cantar”. O cantor Paulo Sérgio – que saiu de cena muito jovem, mas que permanece vivo na memória dos fãs – marca presença com o álbum “Volume 4”. Completando o pacote, o suingue da Timbalada, a nordestinidade do Quinteto Violado e o rock para lá de animado da Blitz. Música de qualidade, para todos os gostos.

ZIZI POSSI – ZIZI POSSI (1980)

Lançado em 1980, o terceiro álbum de Zizi Possi tinha apenas seu nome como título. Mas ficou conhecido como o disco de “Meu Amigo, Meu Herói”, música que Gilberto Gil fez pra ela e que virou seu primeiro grande hit. Com um repertório muito bem escolhido, uma característica que marcaria a carreira de Zizi, o trabalho trazia ainda as assinaturas de Gonzaguinha (“Libertad Borboleta”), Roberto Carlos (“Querem Acabar Comigo”), Djavan (“Meu Bem Querer”) e Eduardo Dussek (“O Pão”, com Luís Carlos Góes). Versões de “Home Again”, de Carole King, e “God Bless the Child”, de Billie Holiday, também estavam no repertório, virando – respectivamente – “Quem Sabe em Casa Outra Vez” e “Mamãe Merece”.

Não deixe de ouvir: “Meu Amigo, Meu Herói”

SELMA REIS – SELMA REIS (1990)

A voz forte de Selma Reis invadiu o Brasil com a música “O Que é o Amor”, principal tema da minissérie “Riacho Doce”, estrelada por Vera Fischer e Carlos Alberto Riccelli. O hit de Dudu Falcão e Danilo Caymmi acabou virando o carro-chefe do segundo álbum da artista, lançado em 1990, transformando-a em uma das boas surpresas da MPB, naquela virada de década, ao lado de Marisa Monte, Cássia Eller e Adriana Calcanhotto. O repertório de alto nível misturava um ainda desconhecido Lenine (“O Quilombo”) com parcerias de Milton Nascimento e Ferreira Gullar (“Meu Veneno”), Wagner Tiso e Aldir Blanc (“Chão Brasileiro”) e Suely Costa e Paulo César Pinheiro (“Porto Santo”). Selma morreu prematuramente, aos 55 anos, em 2015.

Não deixe de ouvir: “O Que é o Amor”

TÂNIA ALVES – AMORES E BOLEROS III

Atriz de prestígio, com trabalhos memoráveis no cinema (“Parahyba Mulher Macho”) e na TV (“Lampião e Maria Bonita”), Tânia Alves começou a despontar no teatro musical, ainda nos anos 1970. Com uma carreira de cantora muito bem estruturada, Tânia iniciou nos anos 1990 uma série intitulada “Amores e Boleros”, que caiu no gosto do grande público. Sua voz quente é perfeita para gêneros como o bolero e o tango, ritmos que dominam o terceiro volume. “Só Nós Dois” abre o desfile de grandes joias do repertório romântico, que passeia por “Pensando em Ti”, “Lama”, “Ronda”, “Meu Nome é Ninguém”, “Negue” e “Risque”. Música de Caetano Veloso, “Dom de Iludir” é outro grande momento do disco, que ainda tem pot-pourris dedicados a Roberto Carlos e Julio Iglesias.

Não deixe de ouvir: “Pensando em Ti”

PAULO SÉRGIO – PAULO SÉRGIO VOLUME 4

O cantor Paulo Sérgio costumava enumerar seus discos. O “Volume 4”, lançado em 1970, trazia mais uma coleção de canções doídas, que deixava seu numeroso fã-clube curtindo uma boa “fossa”, como se dizia na época. Entre músicas próprias, como “Preciso Acreditar”, “Não Importa o Que Os Outros Falam”, “Eu Quero Ver Você Viver Sem Mim”, “Não Precisa Deixar Nada” e “Você é o Problema”, o artista – morto aos 36 anos – também abria espaço para composições de Totó (“Não Creio em Mais Nada”) e Alberto Luiz (“Você Não Presta” e “Fujo de Mim”). Sofrência em estado puro.

Não deixe de ouvir: “Preciso Acreditar”

YARA – PINTURA ÍNTIMA

Formada em estilismo, Yara Figueiredo sempre sonhou em viver de música. Ao longo dos anos 1990, estudou canto nos Estados Unidos, gravou clipe com Raphael Rabello (último registro do violonista, morto prematuramente) e fez shows em eventos e casas noturnas. Até que um dia, abrindo um show de Jô Soares, foi vista por Max Pierre e recebeu o esperado convite para gravar um disco. Logo, estava lançando o álbum “Pintura Íntima”, assinando apenas como Yara. Com releituras de “Assim Caminha a Humanidade” (de Lulu Santos), “Eu Te Amo Você” (de Kiko Zambianchi, hit na voz de Marina Lima), “Meu Erro” (do Paralamas do Sucesso) e da canção que deu título ao disco (do Kid Abelha), a cantora desfilava com elegância pelo repertório. Clássico de Taiguara, a faixa “Teu Sonho Não Acabou” integrou a trilha da novela “Meu Bem Querer”.

Não deixe de ouvir: “Teu Sonho Não Acabou”

SYLVIA MASSARI – MARIA SANTA DIVINA E MARAVILHOSA

Durante muitos anos, Sylvia Massari deu vida à boneca Maria Santa, em um impressionante trabalho de ventriloquismo. O sucesso foi tanto que virou até disco: “Maria Santa Divina e Maravilhosa”. Com músicas politicamente nada corretas, a diversão rolava solta em faixas como “Xote de Maria Santa”, “Rodrigo (Faz Mais Uma Vez Comigo)”, “Passeio Infeliz”, “O Esconderijo da Garrafa” e “Cantigas de Roda (O Gato Gay)”. Na capa, a boneca reproduzia uma pose clássica da diva Marilyn Monroe, sensualizando sobre um lençol vermelho.

Não deixe de ouvir: “Xote de Maria Santa”

QUINTETO VIOLADO – …ATÉ A AMAZÔNIA?!

Um dos mais respeitados grupos da música pernambucana, o Quinteto Violado está em atividade desde o início dos anos 1970. Entre os vários (e importantes) títulos de sua discografia, “…Até a Amazônia?!” merece lugar de destaque. Lançado em 1978, é um inspirado trabalho com repertório inteiramente autoral. São faixas como “Palavra Acesa”, “Mestre Vitalino”, “História Luminosa e Triste de Cobra Norato”, “Palavra de Cantador”, “A Palafita”, “Profissão de Fé” e “Gravatá (No Tempo do Meu Pai)” que fazem dele um dos mais lembrados da carreira do grupo. A capa, assinada pelo artista plástico Watson, reforça os laços do Quinteto com suas raízes nordestinas.

Não deixe de ouvir: “Palavra Acesa”

RICARDO SILVEIRA – BOM DE TOCAR
Álbum de estreia do guitarrista Ricardo Silveira, “Bom de Tocar” foi lançado em 1984. Com nove canções autorais, o disco mostra todo o virtuosismo do músico, que acompanhou nomes como Elis Regina, Hermeto Pascoal, Gilberto Gil e Milton Nascimento, só para citar alguns. Entre os destaques, “Dois Irmãos”, “Espaços” e “Raízes”, além da faixa-título, acentuavam a qualidade do trabalho de Ricardo. “Bom de Tocar” é também muito bom de se ouvir.

Não deixe de ouvir: “Dois Irmãos”

TONINHO HORTA – TONINHO HORTA (1980)

O mineiro Toninho Horta é um dos músicos mais celebrados da nossa cena. Tocou com praticamente todos os nomes que importam na MPB – e também astros internacionais, como George Benson e Herbie Hancock -, compôs clássicos como “Beijo Partido” e lançou álbuns elogiados. O de 1980, que levava apenas seu nome como título, é um deles. Com capa assinada por Elifas Andreato, apresentava joias como “Voo dos Urubus”, “Minha Casa” e “Vento”. Entre os destaques, “Bons Amigos” (com letra de Ronaldo Bastos) e “Manuel, o Audaz” (escrita por Fernando Brant) entraram para a galeria de hits do guitarrista.

Não deixe de ouvir: “Manuel, o Audaz”

TRIO IRAKITAN – A BOSSA QUE GOSTAMOS DE CANTAR

Grupo vocal surgido em Natal (RN), nos anos 1950, o Trio Irakitan teve uma carreira longa e vitoriosa. Inicialmente dedicados ao bolero, os músicos foram se adaptando aos modismos que surgiam. Por isso, em 1964, quando a Bossa Nova tomava conta da cena, gravaram o álbum “A Bossa Que Gostamos de Cantar”. Sem perder o estilo harmonioso que conquistou uma legião de fãs, o Trio Irakitan registrou clássicos como “Só Danço Samba”, “Garota de Ipanema”, “Você”, “O Barquinho” e “Menina Flor”. A deliciosa “Amor no Samba” abria o disco, mostrando toda a malemolência dos rapazes.

Não deixe de ouvir: “Amor no Samba”

BLITZ – RETRATOS
Há 35 anos, uma música que mais parecia uma história em quadrinhos virou um marco do rock brasileiro. O sucesso de “Você Não Soube Me Amar”, da Blitz, abriu os ouvidos do público e da mídia para uma nova geração de músicos que transformaria os anos 1980. O álbum “Retratos”, agora relançado, reúne os sucessos da formação original da banda, que contava com Fernanda Abreu e Márcia Bulcão nos vocais. Além de seu maior hit, estão presentes “Betty Frígida” (da antológica frase “Calma, Betty, calma!”), “Weekend”, “Egotrip”, “Rádio Atividade” e a romântica – ao estilo Blitz, claro – “A Dois Passos do Paraíso”. Depois do bom humor dessa turma, a música brasileira nunca mais foi a mesma.
Não deixe de ouvir: “Você Não Soube Me Amar”

TIMBALADA – TIMBALADA (1993)
Um dos grupos mais originais da axé music, a Timbalada estreou em disco em 1993. De cara, emplacou o seu maior hit até hoje: “Beija Flor”, que teve regravações de cantores importantes como Marina Lima e Emílio Santiago. Por coincidência, uma das músicas do álbum se chamava “Emílio”, presente de Jorge Ben Jor, que também participava da faixa. O repertório trazia ainda “Mulatê do Bundê”, “Canto pro Mar” e “Fricote da Terezinha”, do padrinho Carlinhos Brown, “Toque de Timbaleiro”, de Nem Cardoso, e “Itaim para o Candeal”, de Nando Reis. Uma bela estreia.
Não deixe de ouvir: “Beija Flor”

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