Definir o gênero de How To Talk To Girls At Parties pode ser um problema, afinal não é sempre que temos uma ficção cientifica misturada com comédia romântica. Situado no Reino Unido no fim dos anos 70, a cena do punk rock está explodindo e os jovens buscam cada vez mais a sua voz e a sua forma de expressão. Assim conhecemos Enn (Alex Sharp) um jovem artista entusiasta do punk-rock e que pretende mudar o sistema com sua fanzine, mas não tem coragem para falar com as meninas de sua escola e precisa fazer sua revolução financiada por sua mãe. Que em uma noite ao procurar uma festa para encontra garotas junto de seus amigos John e Vic (Ethan Lawrence e Abraham Lewis), acabam atraídos por uma música estranha vindo de uma casa. Chegando lá o que parece ser uma bizarra performance artística coletiva é na verdade o lar temporário de um grupo de alienígenas que está de visita na terra

Dando de cara com diferentes grupos dentro da casa, Enn acaba conhecendo Zan (Elle Fanning) uma alienígena etérea que toma a forma de uma adolescente, que está cansada de todas as regras impostas por sua colônia e após conhecer os “ideais” punk apresentados por Enn, ela acredita que essa se trata de uma nova colônia e resolve se rebelar contra as regras impostas a ela e embarca em uma jornada de descobrimento.

Levemente adaptando da graphics novel de mesmo nome escrita pelo grande Neil Gaiman e desenhada pelos irmãos brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá, o filme dirigido por John Cameron Mitchell (Hedwig – Rock, amor e traição, Shortbus) se afasta completamente de sua obra original com as escolhas criativas do roteiro escrito por Mitchell em parceria com Philippa Goslett. A obra original era uma pura e sincera metáfora das relações entre meninos e meninas, as diferenças no amadurecimento e como isso afeta na hora de engatar uma simples conversa. Já na adaptação cinematográfica utiliza a história como pano de fundo para fazer um contraste de gerações a partir dos conflitos entre pais/progenitores e seus filhos, a busca por independência e por encontrar o seu lugar no mundo, seja na Terra ou no espaço.

O roteiro acerta nos momentos de humor do filme, criando ótimas situações de peixe fora da água na interação de Zan com os punks ou com a mãe de Enn e até mesmo nas relações do jovem e seus amigos John e Vic com as diferentes colônias de alienígenas. Além disso as escolhas de tratar os pontos distintos do punk como o individualismo e os alienígenas como conformismo, dão espaço para a figurinista Sandy Powell brincar bastante com o design dos personagens. Colocando em cada colônia grandes doses do movimento Krautrock, muito popular nos anos 60 e 70. Mas por mais bonito que sejam os figurinos, os personagens punks que são liderados por Queen Boadicea (Nicole Kidman) parecem se esforçar demais em criar aquele visual, perdendo a naturalidade e caindo na evidencia do chamado “punk de butique”.

No fim as mensagens de John Cameron Mitchell podem se perder um pouco em um filme que dura um pouco mais do que precisava, criando uma pequena barriga em seu segundo ato. Mas ainda funciona com boas pitadas psicodélicas que ganham força com a trica de Nico Muhly e Jamie Stewart, fazendo de How To Talk To Girl At Parties um tipo de episódio romântico dentro da série Doctor Who.

 

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here