“As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos” Fernando Pessoa

O velho diário de viagens, fotos, lembranças daqueles que dividiram momentos, a namorada, o que ele viu, sentiu, o impacto que causou e a marca que deixou naqueles com quem cruzou pelo caminho. Todos esses elementos são utilizados na tentativa de captar um pouquinho da essência de Gabriel, através do olhar próximo e afetuoso de um grande amigo, o diretor Felipe Barbosa (Casa Grande). O jovem carismático de riso fácil e uma curiosidade latente sobre o mundo para além de suas fronteiras renasce na tela esculpido por aquilo que viveu.

Quantos de nós já quisemos colocar uma mochila nas costas e sair pelo mundo, não só percorrendo distâncias, mas como disse Mia Couto, atravessando as nossas fronteiras interiores. Gabriel Buchman, interpretado por João Pedro Zappa (Boa sorte, Disparos), queria conhecer a África, não simplesmente ser turista. Ele queria viver a África. Quênia, Uganda, Tanzânia e Malauí, lugares que para sempre marcariam a sua existência.

Gabriel planejou uma viagem de um ano que teve fim aos pés do Monte Mulanje, no Malauí. Sua trajetória é narrada nesse filme com leveza e alegria contagiantes, o olhar intimista de Felipe Barbosa, amigo de infância de Gabriel, nos da permissão pra entrar na intimidade e em detalhes da jornada pessoal desse nosso herói.

Ele queria saber mais sobre o mundo, deixar sua zona de conforto e ver de perto outras realidades antes de dar início a nova fase da sua vida, o mestrado na Califórnia. O filme nos leva pelos caminhos trilhados por ele, encontrando as pessoas que ele encontrou, as experiências que viveu e como isso o transformou e também como formam tocados por ele .
Divido em 4 capítulos, o filme nos dá um capítulo inteiro de observação da construção dessa rotina de viagem e experimentação, nos apresentando ao rapaz. João Pedro Zappa faz um belíssimo trabalho dando ao personagem um ar simpático, cheio de jogo de cintura, tipicamente carioca que, com uma certa desenvoltura, percorria esses novos espaços e vivia esses novos encontros.

O filme celebra de maneira afetuosa a vida Gabriel, e nos lembra a todo o instante a importância dos caminhos que escolhemos e de estar atentos àquilo que de fato importa. O valor de aproveitarmos cada dia e fazermos sempre o possível para buscarmos, além de sermos felizes, nos tornar as melhores versões que podemos ser de nós mesmo.

Coprodução Brasil-França, Gabriel e a Montanha  foi o único representante do Brasil no festival de Cannes e de receber dois prêmios durante a Semana de Crítica, evento paralelo às Palmas de Ouro no festival., o filme está Festival do Rio na  Mostra:
Première Brasil: Hors Concours longa ficção.

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