Por Rafaelo Salles

E mais obra do escritor Stephen King sai das páginas: dessa vez, a Netflix emplacou Jogo Perigoso, baseado no livro homônimo publicado em 1992. Pode-se dizer que o filme foi lançado sem muito alarde. Os primeiros trailers começaram a surgir surpreendentemente – ou não – após It: A Coisa se consolidar nos cinemas como um grande sucesso. Talvez a opção por um marketing menos agressivo tenha vindo do fracasso de outras adaptações de obras de King, já que A Torre Negra foi um fiasco e a série O Nevoeiro acabou de ser cancelada. Mas, a exemplo do palhaço macabro, “Jogo Perigoso” cumpre seu papel e honra o legado do mestre do terror.

O diretor Mike Flanagan (Hush: A Morte Ouve) declarou que transformar Jogo Perigos” em um filme era seu sonho de adolescência e esse foi um desafio que permaneceu engavetado por muito tempo. Não só o livro é considerado por muitos uma das obras menos inspiradas do autor, como toda a história se desenrola baseada em um monólogo mental da protagonista. As dificuldades para traduzir isso para uma linguagem cinematográfica não seriam poucas. Mas Flanagan conseguiu, mais uma vez, mostrar que seu talento dentro do gênero do terror é uma realidade. Já nas cenas iniciais, ele trabalha de forma muito simples e eficiente para pincelar todos os elementos necessários para se chegar no cerne da história: as malas sendo feitas, uma lingerie sexy, um par de algemas, a longa e sinuosa estrada que leva à casa, um cão faminto, uma porta aberta.

Na trama, o casal Jessie, interpretada pela belíssima Carla Gugino, e Gerald, vivido por Bruce Greenwood, parte em uma viagem para sua casa de campo, longe de tudo e de todos, na tentativa de sair da mesmice e apimentar a relação. No entanto, enquanto Jessie estava algemada à cama, Bruce tem um ataque cardíaco e morre, deixando-a sozinha, presa, isolada e à mercê de todo o terror psicológico que só a mente de Stephen King pode produzir. Tentando desesperadamente se livrar das algemas e sendo obrigada a assistir ao cão faminto devorando vagarosamente o cadáver de seu marido, Jessie começa uma luta pela sobrevivência. O cenário dramático e os terrores que a noite esconde a levam à beira da insanidade, obrigando-a a repassar traumas do passado para reunir forças e lutar pela própria vida. Nesse ponto, vale ressaltar a elegância da direção de Flanagan aliada ao talento de Carla Gugino. Sem soar histérica ou exagerada, a atriz desenvolve muito bem o desespero de sua personagem.

“Jogo Perigoso” é magnífico enquanto terror psicológico. A tensão é construída de forma muito fluída e o crescente desespero da protagonista é extremamente verossímil. Todo o resgate ao passado de Jessie é legitimado e só contribui para a resolução do filme. Os fãs do gênero ainda são brindados com uma sequência de revirar o estômago no arco final, como se já não fosse suficiente toda a angústia e tensão que reinam ao longo das cenas anteriores. Jogo Perigoso é um belo acerto da Netflix e, seja você fã de Stephen King ou não, promete agradar. Aliás, não só agradar, mas deixar tenso, fazer roer unhas e até virar o rosto em alguns momentos.

 

1 Comentário

  1. Não conheço a maioria dos atores do elenco mas a protagonista é uma atriz incrível. Acho que a atmosfera do filme é estressante e te mantém no suspense até o final, realmente gostei. Stephen King é um gênio de terror, tem um talento incomparável, é o melhor escritor. Minha história favorita dele é It a Coisa, acho que Pennywise é um icone, recém vi o novo filme, dirigido por Andy Muschietti e adorei, é sensacional. Acho que é uma boa adaptação, o novo Pennywise é muito mais escuro e mais assustador, Bill Skarsgård é o indicado para interpretar Pennywise. Os filmes de terror são meus preferidos, evolucionaram com melhores efeitos visuais e tratam de se superar a eles mesmos. Eu gosto da atmosfera de suspense que geram. E acho que este é um dos melhores, It a Coisa filme tem protagonistas sólidos e um roteiro diferente. O clube dos perdedores é muito divertido e acho que os atores são muito talentosos. Já quero ver a segunda parte.

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