Conhecido por suas atuações icônicas em filmes como Zoolander, Uma noite no museu, Entrando numa fria, entre outras comédias, Ben Stiller tem sua performance exagerada como marca de seus personagens. Contudo, é sempre interessante ver um ator sair um pouco da zona de conforto e tentar algo diferente, em O Estado das Coisas, Ben Stiller sai completamente da sua área especializada como comediante para tentar explorar outro ramo. No entanto, mesmo que sua atuação não seja ruim, a trama do filme o faz se perder na situação em que se encontra.

Crises interpessoais são normais, às vezes é preciso parar e analisar as decisões que foram feitas e levaram alguém até o lugar onde se encontram. Brad Sloan (Ben Stiller) vai viajar com o filho Troy (Austin Abrams) para olhar suas opções de faculdade, e esse ponto crucial na vida do garoto faz Brad encarar seu passado e compará-lo ao presente de seus colegas da época de universidade, e ele não está nada feliz com o resultado que encontrou. Apesar da suposta vida bem sucedida,  sua carreira ajudando outras pessoas em uma ONG e uma família feliz, Brad se sente inferior e incapaz em relação aos outros.

Assim como o protagonista, que se sente infeliz com cada decisão tomada, o público também fica com a sensação de que o diretor e roteirista Mike White, não pensou muito bem no todo quando fez o filme. Além de extremamente previsível sobre a lição final de que nunca é bom se comparar aos outros, mas que existem aspectos a se considerar além do dinheiro. Mike White não oferece uma jornada profunda ou inspiradora para chegar até essa conclusão, simplesmente deixa que a narração entediante de Brad os leve até lá.

Basicamente o filme inteiro é um paradoxo em que o roteiro poderia ser basicamente a crítica dele mesmo. Uma amiga de Troy, que já estuda na faculdade dos sonhos do garoto, fica sujeita a ouvir os lamentos de Brad por uma noite toda (assim como o público por uma hora e quarenta) e se queixa de que o que ele tem são “problemas da primeira classe”. E esse é um resumo muito bom de todo o lamento do filme, em que Brad eventualmente percebe que o mundo não gira ao seu redor e que há pessoas com problemas de verdade lá fora.

A atuação arriscada de Ben Stiller em um drama, não é ruim, é só uma questão de se acostumar ao espaço dramático em que tenta se inserir. Já Austin Abrams passa o filme inteiro em um tom monótono, que fica perdido entre a característica de adolescentes contemporâneos ou uma atuação preguiçosa. Michael Sheen interpreta Craig Fisher, um dos ex-amigos de faculdade de Brad, e sua atuação pretenciosa é totalmente pertinente. O único outro ponto elogiável do longa é o uso da trilha sonora em uma combinação de violino com piano que trouxe a atmosfera certa para os momentos certos.

Como dito no longa, “chega um momento em que não há mais reviravoltas ou mudanças na vida”, O Estado das Coisas representa esse momento de estagnação e traz o público para uma entediante viagem. Como diz a frase “Todo mundo é um gênio. Mas, se você julgar um peixe por sua capacidade de subir em uma árvore, ela vai gastar toda a sua vida acreditando que ele é estúpido”, passa-se todo o longa ao lado de uma pessoa que não compreende a inutilidade em se comparar em quesitos diferentes, e já que o modo como o protagonista chega a essa conclusão não é lá grande coisa, o público sai do filme desejando que o estado das coisas seja um completamente diferente do que presenciaram.

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